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Guerreiro Espiritual

Quinta-feira, 24 Dezembro, 2015 - 19:30

 

GUERREIRO ESPIRITUAL

BY JAY LITVIN 

Francamente, eu detesto ser chamado de uma pessoa religiosa. Parece tão chato. 

Lembro-me de uma pessoa que me disse uma vez o quanto ele me invejava. "A vida para você 2017.jpgé tão simples", disse ele. "A sua religião lhe diz o que fazer e o que não fazer, e dá-lhe todas as respostas." 

Rapaz, eu queria isso. 

Mas, na verdade, é isso que a palavra "religião" evoca: algo do tipo antigo e sério, talvez até um pouco mal-humorado. Algo calmo e tranquilo, quase sem vida e nunca em movimento. 

E assim, eu rejeito o título de "pessoa religiosa". Eu sou apenas um cara que parece ser uma pessoa religiosa. 

Então, o que sou eu? 

Bem, na verdade, a vida me parece mais um campo de batalha do que um culto de oração, e minha realidade interior é mais a de um guerreiro do que a de uma pessoa piedosa. 

Então, se eu tivesse que me rotular de qualquer coisa (o que eu vigorosamente evito fazer), eu teria que me chamar de "guerreiro espiritual." E aqui está o que isso significa para mim. 

Um guerreiro é alguém que entra em jogo com uma dose saudável de medo e uma grande dose de amor. Ele luta por um princípio, ou por seu país, ou por seu rei, e seu amor por esses supera o medo que sente por sua própria segurança. Ele tem que ter coragem e habilidade, pois ele arrisca sua própria vida.

Um guerreiro ama o campo de batalha, é aqui que ele está mais vivo. Ele deve agir sempre com sua plena consciência e capacidade, mesmo o menor lapso causará sua queda.

O campo de batalha traz a capacidade e potencialidade de guerreiro que ele nem mesmo sabia que existia dentro de si. E assim, enquanto ele luta, ele está em um estado de constante  auto-descoberta.

O verdadeiro guerreiro anseia pelo campo de batalha, pois o resto da vida parece, em comparação, como um lugar onde ele é capaz de realizar apenas uma pequena parte de quem ele é. Assim, ele anseia pelo desafio e o encontro. Ele adora viver no limite. É aqui que ele é o melhor do que ele é, e onde ele descobre que ele é na verdade mais do que ele pensa que é.

Viver como um judeu e um chassid é essa experiência. É um encontro com o Todo-Poderoso e comigo mesmo. É o lugar de auto-descoberta e de desafio. Exige a coragem de enfrentar quem eu sou e quem eu não sou. É preciso uma disposição para ver o potencial de quem eu posso ser, e enfrentar a pequenez de quem eu me permito ser.

Quando eu estou vivendo judaicamente, eu estou vivendo no limite. Estou em uma terra de ninguém, onde cada encontro, cada momento, apresenta uma oportunidade para aprender, para agir, para refinar e de transformar. Às vezes, como Rei Arthur, estou lutando contra dragões por dentro e fora; algumas vezes eu sou desafiado por feras que ameaçam devorar-me com a sua raiva e medo; e às vezes, eu estou lutando por minha própria sanidade mental, na tentativa de reconciliar o mundo tátil com um mundo que não pode ser visto, ouvido nem tocado.

Como guerreiro espiritual, eu sou abençoado por estar vivendo bem no meio do campo de batalha onde estou plenamente vivo, lutando no limite de quem eu sou. Não importa se estou em oração, dando um banho no meu filho, ou sentado no meu computador. O campo de batalha inclui meus relacionamentos pessoais, os meus desejos interiores, minha conta bancária a descoberto, e minha falta de sono constante. Abarca o meu casamento e emprego. Minha frustração, paciência, inveja, luxúria e ganância. É um estado de espírito, uma vontade de encontrar D-us em todos os lugares e de encontrá-Lo completamente, permitindo-Lhe penetrar nos mais profundos recessos de quem eu sou e para dissipar todas as imagens do que eu acho que eu sou.

A cada vez, e há muitas vezes tais, que eu enfrento o imperativo de o que devo fazer com a relutância do que eu quero fazer, cada vez que eu tenho que transformar pensamentos e atitudes formados através de anos de vida e condicioná-los em pensamentos santos e atitudes santas, estou no campo de batalha. Seja dando caridade dos tostões que restaram no cofre, ou assumindo uma responsabilidade adicional, ou oferecendo ajuda para um amigo ­‑ ou nem mesmo um amigo ‑, quando eu mal consigo ficar acordado, eu estou no campo de batalha. Quando a tragédia atinge minha família, D-us nos livre, e eu preciso descobrir uma maneira de ser tanto genuíno com a minha dor, quanto ainda permanecer consciente do bom que eu sei que D-us dá ao mundo, eu estou sendo um guerreiro espiritual.

Como guerreiro espiritual, eu descubro minha fé quando estou no limite da minha fé. Encontro o meu amor por D-us quando estou zangado com D-us. Acho a minha confiança no Protetor do mundo quando estou no meu momento mais assustado. E eu encontro minha obediência ao Todo-Poderoso quando me sinto o mais rebelde.

Eu sou um guerreiro espiritual quando eu sinto plenamente meu desespero, e encontro a esperança de ir em frente. Quando me sinto traído, mas descubro minha confiança. Quando eu atinjo mais alto do que deveria, então falho e caio, somente para descobrir que pousei em um lugar mais elevado do que aquele do qual eu cheguei.

Neste campo de batalha chamado Yiddishkeit, estou no limite apenas para descobrir que o meu limite está longe de ser o que eu pensava que era. Estou vivo e crescendo, em movimento, em processo. Assustado e alegre. Almejando a vitória, e não tendo a menor ideia do que isso significa.

Para mim, todo o resto, como Rabi Shneur Zalman de Liadi diz em seu Tanya, é vaidade. Ficar desanimado com o fato de que estou constantemente no meio de uma luta é fingir que sou algo mais do que quem eu realmente sou. É fingir que eu sou um tsadic, um dos poucos justos que venceu o negativo dentro de si, quando na verdade eu posso aspirar, em meus melhores momentos, apenas ao nível de beinoni, o guerreiro espiritual no campo de batalha da vida .

O Tanya diz-nos para alegrar-se quando somos desafiados de dentro ou de fora, porque esta é a nossa tarefa: entrar no campo de batalha. Estamos, parece-me, como soldados que foram treinados ininterruptamente para a batalha, e gritam de alegria quando o momento finalmente chega, para testar suas habilidades e encontrar a verdadeira matéria de que são feitos.

E este é o desafio do guerreiro espiritual: encontrar o material de que ele é feito, seja ou não do seu agrado, e trazer-se inteiramente para a luta consigo mesmo e com seu encontro com o D-us.

Acho esta batalha apavorante, porque eu não tenho ideia aonde ela levará. Isso me força a me abrir para D-us e permitir a Ele acessar o mais íntimo de mim, os mais íntimos confins de mim mesmo. Isso me força a enfrentar a questão que assola: se eu realmente deixar D-us entrar, o que Ele fará para mim uma vez que Ele esteja lá? Quem eu serei? Qual se tornará o mundo? E qual é o meu lugar e propósito dentro dele?

Religioso? Eu? Dificilmente. A vida da Torá não é lugar para uma pessoa religiosa. A religião é muito segura para uma viagem assim, rumo ao desconhecido, a um local de encontro com D‑us. Apenas um guerreiro pode abraçar tal tarefa. Apenas um chassid do Rebe pode esperar possuir tamanha coragem.

 

Comentários sobre: Guerreiro Espiritual
12/25/2015

Yael Rollmann escreveu…

Quem escreveu esse artigo é um VERDADEIRO guerreiro ILUMINADO. MAZAL-TOV!