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O Rebe sobre o Pouso Lunar e a Proeza Humana

Sexta-feira, 19 Julho, 2019 - 8:03

 

O Rebe sobre o Pouso Lunar e a Proeza Humana

Nunca é a resposta que você esperaria.

Tzvi Freeman

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Em 20 de junho de 1969, eu tinha idade suficiente para acompanhar o pouso na Lua até os detalhes, mas ainda era jovem demais para o cinismo. Eu colecionei cada artigo de revista e jornal que encontrei sobre o assunto. Mas o que mais me impressionou a memória era a estado de espírito no ar. Apesar da inquietação civil nos Estados Unidos e da guerra no Extremo Oriente, era quase impossível escapar do súbito aumento de orgulho por essa conquista magistral da humanidade. 

Nem mesmo o maior cínico teria dito que o presidente Nixon estava exagerando quando chamou essa jornada de oito dias de "A maior semana da história do mundo desde a criação". 

O principal objetivo do pouso lunar originalmente era de ordem política. A América precisava desesperadamente demonstrar superioridade tecnológica e militar depois do embaraço causado pelos impressionantes sucessos russos, das viagens espaciais com os Sputniks carregando cães, homens e mulheres acima de suas cabeças. Mas o resultado final para grande parte do mundo foi um tremendo impulso de confiança na capacidade do ser humano. 

Desde o início, muitas pessoas bem informadas tinham certeza de que uma jornada desse tipo era impossível, que dizer do pouso na Lua. E era mesmo — dado o estado da tecnologia quando JFK anunciou a iniciativa menos de uma década antes. Não havia um único computador na época que tivesse algo próximo ao poder de computação do smartphone mais simples de hoje em dia — e estamos falando de máquinas gigantescas do tamanho de vários refrigeradores. A NASA e o MIT fizeram grandes progressos em pouco tempo, criando um computador pequeno o suficiente para caber a bordo e operável por aqueles que precisavam dos dados - praticamente um milagre para aqueles dias. 

Na Inglaterra, o famoso apostador, William Hill, em 1964, aceitava apostas de 1.000 contra 1 que “nenhum homem, mulher ou criança, de qualquer nação na Terra, estaria na Lua, ou em qualquer outro planeta, estrela ou corpo celestial a distância comparável da Terra, antes de janeiro de 1971.” A própria NASA não era muito mais otimista. A equipe de arquitetura de sistemas da Apollo, sob o comando de Joseph Shea (aclamado como "um dos maiores engenheiros de sistemas do nosso tempo") estimou que, se tudo fosse pelo menos duas vezes melhor que nos testes anteriores, 30 astronautas perderiam suas vidas antes que três voltassem para casa em segurança. Uma avaliação de risco probabilística posterior conduzida pela NASA deu uma chance de 5% de sucesso. 

A administração da NASA concluiu que se os resultados fossem divulgados, “os números poderiam causar danos irreparáveis”. A partir desse ponto, a NASA permaneceu longe da avaliação numérica de riscos. 

Assim, quando esse “pequeno passo para um homem” deixou sua pegada, houve um gigantesco salto de orgulho e confiança na humanidade, maior do que qualquer coisa que a antiga Atenas tenha imaginado, muito além do que até mesmo na Idade da Razão, que tinha tomado o “homem como medida de todas as coisas." 

Isso não era apenas medir e entender coisas — isso era realmente entrar em uma espaçonave e viajar até lá. Um minúsculo organismo, menos que uma partícula de poeira do ponto de vista cósmico, constrói uma nave com a qual pode fazer o que nenhum planeta ou estrela pode fazer: sair de sua casca protetora, viajar para outra esfera celeste e voltar para casa em segurança, trazendo ainda souvenirs de lá. 

Para muitos, parecia o auge da ideia humanista — e o fim da teologia. D'us estava morto em um sentido que Nietzche não poderia ter imaginado, e o Homem o substituíra gloriosamente. 

Em dois encontros públicos (“farbrenguens”), um no Shabat após a primeira órbita lunar tripulada e um no dia seguinte ao pouso lunar tripulado, o Rebe explicitamente levantou essa afirmação e a examinou. Como de costume, sua reação foi atípica de rabinos ou de líderes religiosos em geral. Não houve negação do significado do evento, nenhum comentário sobre a inutilidade da missão ou reclamações de que esforços semelhantes não foram feitos em prol do bem-estar social. Não é o que alguém poderia ter esperado, mas ainda assim, uma típica reviravolta talmúdica. 

Sim, ele concordou, o ser humano realizou algo magnífico. Há muito do que se orgulhar. Mas isso nos torna tão grandes a ponto de deslocar D'us? Justamente o oposto! Nós só conhecemos a grandeza do Criador pela grandeza de Suas criações. Agora que vemos que Ele criou um ser que é capaz de tal engenhosidade criativa, quanto maior deve ser Aquele que formou essa criatura e dotou-a de intelecto! 

Ao mesmo tempo, continuou o Rebe, isso também nos deu mais motivos para sermos humildes: se tantos cientistas brilhantes podiam estar tão errados sobre a impossibilidade das viagens espaciais e um pouso na Lua, quantas outras estimativas atuais também estão erradas? 

E então, mais outra perspectiva: quando queremos ver a grandeza do Criador, levantamos nossos olhos para os céus, como diz o versículo: "Levante os olhos para o céu e verá: Quem os criou?!" 

Se daqui de baixo, no chão, olhando para cima, podemos alcançar tal iluminação da mente, quanto mais ainda quando podemos ver as estrelas e galáxias — e nosso próprio planeta também — de além de nossa atmosfera. E a partir dessa visão de uma vasta criação, nós nos aproximamos de um nível inteiramente novo de concepção da infinitude de seu Criador — assim como nossa pequenez diante d’Ele. Agora podemos avaliar nossa diminuta dimensão e ver quão pequenos somos dentro dessa extensão inimaginavelmente imensurável de um universo, que em si é verdadeira e absolutamente nada diante da realidade de seu Criador. 

Tudo como Maimônides escreveu em seu código 800 anos antes: 

Qual é o caminho para alcançar o amor e o temor de D'us? Quando uma pessoa contempla Seus maravilhosos e grandes feitos e criações e aprecia Sua infinita sabedoria que supera qualquer comparação, ela imediatamente O amará, louvará e glorificará, ansiando com tremendo desejo conhecer o grande nome de D'us, como David declarou: “Minha alma tem sede do S-nhor, do D’us vivo ”. 

No entanto, enquanto ele reflete sobre esses mesmos assuntos, ele também imediatamente recuará em temor e reverência, apreciando como ele é uma criatura pequena, humilde e fraca, permanecendo com sua frágil e limitada sabedoria diante d’Aquele que é de perfeito conhecimento, como declarou David: “Quando vejo os Teus céus, obra de Teus dedos, pergunto-me: 'O que é o homem para que Tu o menciones?'” 

Se assim for, não deve haver geração que aprecie a grandeza do Criador e a pequenez do ser humano mais do que a nossa. 

Há muito o que aprender da reação do Rebe. Por um lado, a adoção do avanço tecnológico como um caminho para o divino é algo que hoje muitas pessoas com inclinações espirituais continuam a rejeitar. No entanto, esse foi um tema subjacente não apenas dessas duas palestras, mas de muitas outras. 

Mas aqui está minha experiência pessoal e humilde: é bom saber que não há necessidade de se auto-reprovar ou até mesmo minimizar suas próprias conquistas. Afinal de contas, não é como se D'us se tornasse menor porque você acabou de ficar maior. Pelo contrário, nossas conquistas pessoais, assim como as conquistas da humanidade como um todo, nos permitem uma maior compreensão do mundo em que nos encontramos e, portanto, do Criador que está por trás desse mundo em todos os seus detalhes e em todos os momentos. 

O cinismo nunca levou à grandeza, nem tampouco a falsa humildade.

 

 

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