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Asas quebradas? Todos nós as temos

Sexta-feira, 26 Julho, 2019 - 9:11

 

Asas quebradas? Todos nós as temos

Lições a partir da Metamorfose de uma Lagarta

Blumie Abend

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É só uma borboleta, digo a mim mesma.

Uma linda borboleta pintada.

Com uma asa inclinada que parece estar deformada do lado esquerdo...

Juntamente com as minhas jovens crianças na escola em que eu trabalho, vimos cinco minúsculas lagartas, recém-nascidas, engordando e descartando suas peles periodicamente à medida que se desenvolviam em seu esforço final para se transformarem em uma entidade inteiramente nova. Acompanhamos seu progresso dia após dia, deslumbradas com o crescimento delas, observando a maravilha da metamorfose se desdobrar diante de nossos próprios olhos.

Mas quando, uma por uma, começaram a formar suas crisálidas, percebi com o coração apertado que o processo não estava indo tão bem. Duas lagartas teceram casulos perfeitamente formados para si mesmas no lugar apropriado: o topo do pequeno recipiente em que estavam. Mas as outras três estavam lutando. Uma manhã, entrei na sala e vi três crisálidas desajeitadas no fundo do contêiner, um tanto achatadas e tristonhas.

Quando as crianças chegaram à escola, expliquei que iríamos transferir as crisálidas para o recinto das borboletas, mas avisei-as sobre as três no fundo, informando-as de que talvez não conseguissem.

Uma semana se passou. Nós assistimos e esperamos.

Esta manhã, dirigi-me ao recinto de borboletas quando cheguei à escola. Havia algo tão fascinante em ver um par vivo de asas, agitando-se na rede da casa das borboletas. Fiquei ainda mais feliz ao ver que a borboleta emergira de uma das crisálidas que ficara no chão do recinto. Ela tinha conseguido!

As crianças estavam igualmente em êxtase. Nós temos uma borboleta! Uma saiu! Fatiamos laranjas e as colocamos cuidadosamente no fundo da rede.

Mas quando movi o compartimento de volta para a prateleira em que ele estava assentado, percebi que algo não estava bem com a pequena borboleta. Eu olhei por alguns momentos e a vi abrir suas asas, e foi quando notei a esquerda. Era difícil dizer, mas faltava um fragmento da asa. Isso impedia que a borboleta fechasse suas asas perfeitamente, fazendo-a parecer desequilibrada e não tão bonita quanto deveria.

Quando as crianças entraram na sala de aula depois de estarem fora durante a recreação e ficaram cientes do movimento que a borboleta estava fazendo agora, sua excitação não tinha limites. Elas avidamente espiavam pela rede, e logo perceberam a borboleta lutando para manter-se de pé, aquela asa esquerda disforme pendendo desajeitadamente, provocando um desequilíbrio pelas asas assimétricas.

"Está caindo!" As crianças apontavam, algumas delas preocupadas, algumas apenas observando o óbvio. "Não pode voar."

Fiquei quieta, sem saber se devia mencionar a asa quebrada ou deixar que a jornada do tempo fosse a lição para elas, pois eu mesma não tinha certeza de que aquela borboleta talvez não pudesse se juntar a suas companheiras ao final.

Eu não pude deixar de pensar em pessoas que têm asas quebradas. As mais óbvias são pessoas como o homem que fica do lado de fora da mercearia que frequento, suas pernas inúteis, seu corpo confinado a uma cadeira de rodas. Ou o garoto da rua que é autista e fica furioso quando as coisas não correm do jeito que ele quer. Ou o caixa na loja do ‘Tudo por 1 Dólar’ a que fui hoje, seus olhos um pouco fora de foco, espiando por cima de óculos grossos, seu discurso arrastado, seus gestos rígidos e fora de sincronia. Ou minha filha, em cuja mão esquerda faltam partes de seus dedos, e embora pareça tão insignificante, tão pequeno no grande esquema das coisas, ela fala sobre isso pelo menos uma vez por semana hoje em dia, e nós conversamos sobre essa falta e como ela se sente sobre esse defeito.

Eu percebo que o que eu digo a ela nessas conversas dolorosas é o que estou vendo hoje. Todo mundo tem algo "diferente" sobre eles, eu digo. Algumas pessoas não enxergam bem. Algumas pessoas não ouvem nada. Algumas pessoas nascem sem certas partes em seus corpos. Ela franze a testa, e eu continuo. Algumas pessoas não são gentis. Algumas pessoas não sabem compartilhar. Algumas pessoas não sabem como ser felizes. Algumas pessoas têm inveja.

Ela é muito jovem para entender completamente. A dor é o que é dominante para ela agora, e eu entendo isso.

Mas um dia, ela aprenderá que fomos todos criados betselem Elokim, à imagem de D’us. Em Sua sabedoria, Ele formou cada ser humano e escolheu criar-nos com defeitos. As falhas fazem parte do Seu plano — pois sem elas não teríamos nada pelo que lutar, nenhum objetivo a ser alcançado. Toda alma tem uma jornada, e algumas têm uma jornada mais tortuosa e sinuosa do que outras. Mas Ele nos deu as ferramentas para alcançar nosso verdadeiro potencial e seguir adiante.

Por Blumie Abend

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Blumie Abend é uma escritora freelance que vive em Los Angeles, Califórnia. Ela é mãe e professora e usa suas experiências de vida como pano de fundo para seus artigos.

Arte de Rivka Korf. Rivka usa sua criatividade e conhecimento para criar composições e ilustrações magistrais. Ela compartilha seu amor por café com o marido e passa sua apreciação por arte e design para seus filhos.

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