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Investindo Tempo

Sexta-feira, 07 Setembro, 2018 - 12:39

 

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Há bancos e contadores para nos dizer como investir o nosso dinheiro. O Judaísmo nos diz como investir nosso tempo. Isso, de acordo com o Rambam, Maimônides, é a essência do que é Rosh Hashaná. O shofar, ele diz, é o chamado de despertar de D’us. Sem isso, podemos caminhar pela vida, desperdiçando tempo com coisas que são urgentes, mas não importantes, ou que prometem felicidade, mas não conseguem cumprir tal promessa. 

Rosh Hashaná e Yom Kipur são festivais que nos perguntam como vivemos até agora. Nós nos afastamos? Nós estamos viajando para o destino errado? A maneira como vivemos nos dá um senso de propósito, significado e satisfação? O Judaísmo é o sistema de navegação por satélite da alma, e Rosh Hashaná é o dia em que paramos para ver se precisamos mudar de direção. 

O tempo é curto. Aqui embaixo na terra nós só temos uma vida para viver; e, ao contrário do dinheiro, o tempo perdido nunca pode ser recuperado. O Judaísmo é o mais antigo e mais elaboradamente refinado sistema de gerenciamento de tempo do mundo, projetado para garantir que vivamos para as coisas que importam, que trazem significado, valor e alegria. 

Aqui estão alguns princípios de mudança de vida que aprendi com a nossa fé, oferecidos na esperança de que eles possam ajudá-lo a refletir sobre o ano que passou e o que está por vir: 

(1) Dê graças. Orando, damos graças a D’us por tudo que temos e pela própria vida. Isso pode parecer simples, mas é algo capaz de transformar vidas. Isso nos faz perceber o que, de outra forma, simplesmente tomaríamos como algo dado, garantido. Isso nos ajuda a ver que estamos cercados de bênçãos. Estamos aqui, somos livres, temos família, temos amigos, temos oportunidades que nossos pais não tiveram e nossos avós nem imaginavam. Sim, temos problemas, medos, dores; mas eles podem esperar até que tenhamos terminado de agradecer; e uma vez que agradecemos, nossos problemas parecem um pouco menores e nos sentimos um pouco mais fortes. Há evidências médicas de que as pessoas que têm uma atitude de gratidão vivem mais e desenvolvem imunidades mais fortes contra doenças. Seja como for, a evidência psicológica é incontroversa: dizer obrigado traz felicidade mesmo em tempos difíceis. 

(2) Dê aos seus filhos valores, não presentes. Presentes dão prazer por um dia, valores trazem felicidade por toda a vida. Dê a seus filhos valores materialistas e você os estragará para sempre; nem lhe agradecerão por isso futuramente. Dê-lhes ideais, ensine-os a amar, respeitar, admirar, acostume-os a assumir responsabilidades e a dar aos outros. Ajude-os a ficar em casa, numa vida judaica, e eles lhe darão orgulho judaico, e crescerão em estatura até que andem altos, orgulhosos do que são e gratos pelo que você os ajudou a se tornar. 

(3) Seja um aluno vitalício. Estudar Torá exercitará sua mente e a manterá jovem. Vai esticar sua alma e dar-lhe força. Praticamente todos os textos clássicos do Judaísmo estão hoje disponíveis em tradução inglesa. Melhor ainda, aprenda com chavruta, "com um amigo", para que cada um possa ser o personal trainer do outro, ajudando-se mutuamente à saúde espiritual. Melhor ainda, aprenda com seus filhos. Daven (reze) com eles. Envie-os para uma escola judaica e deixe-os ensinar a você coisas que você não sabia. Ajude-os a subir mais alto na hierarquia judaica do que você. Isso é paternidade, ao estilo judaico, e é uma das mais gloriosas percepções do Judaísmo. 

(4) Nunca comprometa seu Judaísmo em público. Se você quiser que seus filhos permaneçam judeus, seja consistente. Não seja casher em casa, mas fora dela não o seja. Não tenha uma simchá, uma festa no shul e depois uma recepção não casher em outro lugar. Isso dá às crianças uma mensagem mista, e as crianças respondem a mensagens confusas concluindo que se você não leva tão a sério o Judaísmo, então por que elas deveriam? Consistência não importa apenas dentro da família, mas muito além. Os não-judeus respeitam os judeus que respeitam o Judaísmo. Não-judeus também ficam constrangidos por judeus que se sentem constrangidos pelo próprio Judaísmo. Aqueles que fazem sacrifícios por sua fé geralmente conseguem transmiti-la a seus filhos; aqueles que não, muitas vezes, também não a transmitem. 

(5) Perdoar. A energia emocional é preciosa demais para ser desperdiçada em emoções negativas. Ressentimento, mágoa e ódio não fazem parte da vida interior de um judeu. No capítulo 19 de Vayikrá, a Torá diz: “Não odeie seu irmão (ou irmã) em seu coração”. Não se vingue. Não tenha rancor. Aqueles que perdoam viajam mais suavemente pela vida, livres do fardo de sentimentos que não fazem bem a ninguém. 

(6) Não fale lashon hará. Os sábios talmúdicos definem lashon hará, "fala do mal", como dizer coisas negativas sobre outras pessoas, apesar de serem verdadeiras. Eles foram duros sobre isso, considerando-o como um dos piores pecados interpessoais. Aqueles que falam mal dos outros envenenam a atmosfera nas famílias e comunidades. Eles minam os relacionamentos e causam grandes danos. Eles dizem: "Mas é verdade", esquecendo que lashon hará só se aplica à verdade. Se uma alegação é falsa, ela é chamada de motsi shem rá (espalhar um nome ruim, ou difamar) e é um tipo diferente de pecado. Eles dizem: "Mas são apenas palavras", esquecendo que no Judaísmo as palavras são sagradas, para nunca serem tomadas de ânimo leve. Veja o que há de bom nas pessoas ‑ e se você vir o mal, fique em silêncio. Ninguém cujo próprio respeito lhe importa, respeita aqueles que falam mal dos outros. 

(7) Mantenha o Shabat. Se o Shabat não tivesse sido criado, alguém teria feito uma fortuna descobrindo-o e comercializando-o. Aqui está um milagre de um dia de férias que tem o poder de fortalecer o casamento, celebrar a família, fazer você parte de uma comunidade, regozijar-se com o que você tem, em vez de se preocupar com o que você ainda não tem, aliviá-lo da tirania de smartphones, textos e disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, reduzir o estresse, banir as pressões do trabalho e do consumismo e renovar seu apetite pela vida. Ele é oferecido com vinho, boa comida, belas palavras, grandes canções e adoráveis rituais. Você não precisa pegar um avião ou reservar com antecedência. É um presente de D’us, via Moshe, e por mais de 3.000 anos tem sido a ilha particular da felicidade judaica. Para chegar lá, tudo o que você precisa é autocontrole, capacidade de dizer "não" ao trabalho, compras, carros, televisões e telefones. Mas, então, tudo o que vale a pena ter exige autocontrole. 

(8) Voluntário. Dê o seu tempo a os outros. Não há cura maior para a depressão do que trazer a felicidade para a vida dos outros. Visite os doentes. Convide alguém solitário para sua refeição do Shabat ou Yom Tov. Compartilhe suas habilidades com alguém que precise adquiri-las. Junte-se a uma das muitas organizações de destaque em nossa comunidade. O hebraico tem uma palavra bonita para tais atos: "chessed", significando amor como ato, amor-como-bondade. O grande psicoterapeuta judeu Viktor Frankl costumava dizer: "A porta para a felicidade se abre para fora", o que significa que sentir-se abatido geralmente vem de sentir-se sozinho. Traga o presente de sua presença para outra pessoa e você não se sentirá mais sozinho. 

(9) Crie momentos de alegria. Pode ser tão simples como caminhar em um dia de primavera, ou assistir a um vídeo na internet de uma música antiga que traz de volta cálidas lembranças, ou elogiar alguém inesperadamente, ou dar a alguém um presente no calor-do-momento. Há um lugar no Judaísmo para osher/ashrei, “felicidade”, mas a emoção positiva chave na Torá e no Livro dos Salmos é simchá, “alegria”. Ivdu et Hashem besimchá… Sirvam a D’us com alegria. A felicidade muitas vezes depende de circunstâncias externas, mas você pode sentir alegria mesmo em tempos difíceis. Como a luz do sol perfurando as nuvens, a alegria libera o espírito e rompe o domínio da tristeza. Deixe-se, nas palavras de Wordsworth, ser "surpreendido pela alegria". Alegria significa abrir sua alma para o esplendor da vida, recusando-se a deixar a idade ou o tempo embotar seu senso de admiração. 

(10) Amor. O Judaísmo foi a primeira religião do amor do mundo e ainda é a maior. Ame a D’us com todo seu coração, alma e poder. Ame seu vizinho como a si mesmo. Amem o estrangeiro, pois vocês já foram estrangeiros. O amor é a alquimia que transforma a vida de metal base em ouro; que grava nossos dias com o esplendor da Shechiná, a presença Divina. A verdadeira felicidade, seja no casamento ou na paternidade, amizade ou carreira, é sempre produto do amor. Onde há amor, D’us lá está, pois quando amamos os outros, o amor de D’us flui através de nós. Para viver você tem que aprender a amar. 

Faça qualquer uma dessas coisas e, lentamente, gradualmente, você começará a notar uma mudança em sua vida. Você será menos pressionado, menos ansioso, menos apressado e atormentado. Você descobrirá que tem tempo para as coisas que são importantes, mas não urgentes, que são as que você mais negligencia agora. O resultado será mais satisfação, realização, alegria. Seus relacionamentos serão melhores, especialmente em casa. As pessoas vão lhe respeitar mais. Você se sentirá abençoado. Isso pode ou não acrescentar anos à sua vida, mas certamente acrescentará vida aos seus anos. Você então sentirá ao máximo o que é ser escrito no Livro da Vida de D’us.

 Desejo a você e suas famílias um Shaná tová u'metucá. Que este ano seja doce e abençoado para todos nós.

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