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Como uma caixa de lenços mudou minha vida

Quarta-feira, 10 Junho, 2015 - 16:10

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Como uma caixa de lenços mudou minha vida

Meu relacionamento com o Rabino Binyomin Klein

Por Sara Esther Crispe

 

 

Eu estava nos primeiros anos de faculdade quando decidi passar um ano em Israel estudando no estrangeiro. Foi um momento intenso em muitos níveis. Uma grande desavença com os meus pais tinha resultado em quase um ano sem nenhum contato. Eu estava financeiramente independente e me esforçava para me sustentar. Eu estava trabalhando 40 horas por semana em um ambiente hostil, tendo uma carga completa de cursos. E eu estava seriamente explorando, pela primeira vez na minha vida, quem eu era, de onde eu vim e para onde eu queria ir.

 

Durante minha busca, eu tinha começado a aprender e me conectar com a filosofia chassídica e tinha sido apresentada aos ensinamentos do Rebe, Rabi Menachem Mendel Schneerson. Como uma estudante de literatura, fiquei surpresa com a profundidade de significado e simbolismo que seus ensinamentos ofereciam e como ideias fundamentais e conceituais na filosofia judaica tinham tão profunda relevância para o meu 'eu' de 20 anos.

 

Eu estava cheia de perguntas. Doída pela turbulência nos meus relacionamentos. E, no geral necessitava orientação e direção. Eu tinha chegado a uma encruzilhada. Eu queria desesperadamente ficar em Israel e continuar minha exploração judaica. Mas eu só tinha mais um ano para me formar. Tão curto quanto um ano é, naquele momento parecia-me uma eternidade, e eu não necessariamente confiava em mim mesmo em um ambiente que tinha criado mais confusão e perguntas do que estabilidade.

 

Foi sugerido que eu escrevesse ao Rebe para me aconselhar. Eu nunca tinha visto o Rebe, mas sentia uma ligação muito forte. Eu sabia que ele me conhecia. Eu sabia que ele iria entender e me dar a orientação de que eu precisava desesperadamente. E então, eu escrevi minha primeira carta. Não me lembro de todos os detalhes, mas eu expliquei a minha situação e pedi conselhos. A principal questão era se eu deveria ficar na michlalá (NT: yeshivá de moças) nesse ponto e continuar meu aprendizado judaico ou voltar para a faculdade e conseguir meu diploma.

 

Enquanto eu estava visitando Crown Heights, Nova York, eu entreguei a minha carta ao Rabino Binyomin Klein, um dos secretários do Rebe. No momento em que eu o vi, gostei dele. Ele tinha uns olhos castanhos quentes e seu sorriso era aconchegante, passando um sentimento do tipo "eu te compreendo totalmente". Dei-lhe a minha carta e ele me disse que entraria em contato após o Rebe responder.

 

Algumas semanas se passaram. Eu não tinha certeza de como o processo funcionava, mas eu estava preocupada que talvez a minha carta tivesse sido esquecido. Então, eu fui para o 770 para encontrar o Rabino Klein. Quando ele me viu, começou animadamente a dizer que tinha procurado por mim em toda parte e não tinha conseguido me encontrar. Em seguida, com bom humor, ele me lembrou que quando eu escrevi ao Rebe, eu não incluí minha informação pessoal, como o meu nome ou número de telefone. Ele estava rindo, enquanto gentilmente me lembrou: "O Rebe sabe quem você é! Mas você precisa incluir seus dados para mim. Eu não sei quem você é!"

 

Mas ocorre, que naquele momento, quando eu vim atrás da resposta à minha carta, as circunstâncias haviam mudado muito. Eu tinha poucos meses antes de começar o meu segundo trimestre na faculdade e meu plano era voltar para a Califórnia e viver com a família dos emissários Chabad perto da casa dos meus pais. No entanto, no momento em que eu vim me encontrar com o Rabino Klein, eu tinha descoberto que a única maneira que eu poderia voltar para o meu segundo trimestre seria se eu concordasse em voltar a viver na casa de meus pais. Como não estávamos nos falando por tanto tempo, e eu sabia que meus pais não estavam tão felizes com o meu interesse em viver uma vida observante judaica, eu não achava que voltar a viver na casa deles seria uma medida acertada. Para dizer o mínimo.

 

O Rabino Klein, porém, não sabia que havia essa atualização e imediatamente começou a me dizer que o Rebe foi categórico em eu voltar para a Califórnia e obter o meu diploma universitário. Como ele disse, eu era "terminar o que comecei." Agora, metade do meu dilema estava resolvido com este conselho, pois ter aquela orientação e apoio para voltar para a faculdade era exatamente o que eu precisava para acreditar que era a decisão certa. No entanto, este plano exigia primeiramente que eu voltasse para a casa de meus pais, e eu não sabia como lidar com isso.

 

Eu comecei a explicar que eu não poderia voltar para casa. Eu precisava que o Rabino Klein perguntasse ao Rebe novamente, explicando as minhas novas circunstâncias. Não havia simplesmente nenhuma maneira de o Rebe me mandar de volta para a Califórnia, ciente do que eu agora sabia ser a situação. Mas o Rabino Klein foi insistente. Ele disse que nunca tinha visto o Rebe ser tão claro em uma resposta. Não havia dúvida em sua mente que o Rebe queria que eu voltasse.

 

Tentei de novo dizer-lhe que não era tão simples. Agora eu posso ser geralmente bastante calma e eloquente ao tentar expor um argumento. Mas por alguma razão, antes eu me desse conta, eu estava à beira do choro. Eu comecei a dizer que eu realmente precisava que ele perguntasse de novo, quando do nada as fontes se abriram e eu desatei a chorar. Não era um choro mesmo. Mas tremia completamente, arfando e com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu estava um desastre. Literalmente.

 

O pobre do Rabino Klein não tinha pedido por nada disso. Nós estávamos em seu escritório e ele não tinha certeza do que fazer com esta menina histérica. No começo, ele tentou me consolar com palavras, mas não estava funcionando. Lembro-me de outros Rabinos entrando em seu escritório, mas ele logo os afastava para me dar a privacidade que eu precisava. Ele então pegou uma caixa de lenços e me entregou um após o outro, enquanto eu tentava ganhar algum senso de compostura.

 

Este não foi um colapso rápido. Demorou algum tempo antes que eu pudesse recuperar o fôlego para usar as minhas palavras novamente. O Rabino Klein não me conhecia. Eu certamente não me mostrei muito estável neste incidente, e ele ainda estava lá, dando-me todo o tempo que eu precisava, me entregando lenços e me dizendo que as coisas ficariam ok, como se nada mais houvesse no calendário de um dos homens mais ocupados em Crown Heights, ninguém menos que o secretário pessoal do Rebe.

 

Quando eu finalmente me acalmei, o Rabino Klein assegurou-me que a única razão pela qual ele não sentia necessidade de perguntar ao Rebe novamente era porque ele estava confiante de que o conselho do Rebe ainda era aplicável. Mas então, ele me deu a sua informação de contato. Ele me disse que, se por qualquer razão, eu me encontrasse na Califórnia chorando assim, eu deveria ligar-lhe e ele, pessoalmente, pagaria a minha passagem de avião de volta para Crown Heights. Ele deixou claro que ele iria cuidar de mim.

 

E cuidar de mim, ele cuidou. Voltei para a Califórnia. Voltei a morar com meus pais, e ao mesmo tempo que era um desafio, foi uma parte importante da reconciliação muito necessária. Depois voltei para a faculdade na UCSD, algumas horas ao sul da casa dos meus pais em Los Angeles.

 

Poucas semanas mais tarde, tornou-se muito evidente porque o Rebe insistiu que eu voltasse para a Califórnia. Enquanto o episódio é toda uma história em si, uma versão breve dele é que, por conta da minha volta à escola, minha família decidiu passar comigo o primeiro fim de semana longo depois do meu retorno na belíssima área de La Jolla, perto do meu campus. Era o fim de janeiro de 1994, e eles estavam hospedados em um hotel quando a terra tremeu violentamente. Logo descobrimos que um dos maiores terremotos de todos os tempos na Califórnia tinha acabado de acontecer em Northridge. Northridge é a cidade onde meus pais moravam. Sua própria esquina foi o epicentro deste terremoto.

 

Semanas mais tarde, quando finalmente era seguro voltar e examinar os danos, ficou claro que se a minha família estivesse em casa no momento, eles poderiam não ter sobrevivido ao terremoto. Nossa casa ficou totalmente destruída. O dano foi inacreditável. E ainda assim, todos estavam sãos e salvos. Porque eles foram visitar-me na faculdade. Porque eu havia retornado de Nova York de volta para a faculdade. Porque o Rebe tinha me guiado para isso. E quando eu não quis ouvir, o Rabino Klein insistiu. Porque ele me disse que ficaria ok.

 

Ele estava certo.

 

Logo após a formatura me mudei para Crown Heights, desta vez para me dedicar em tempo integral aos meus estudos judaicos. A casa do Rabino Klein tornou-se uma segunda casa para mim. Eu era convidada para muitas refeições de Shabat lá e logo tornei-me também muito próxima de uma de suas filhas. Na verdade, foi em sua casa alguns anos mais tarde que eu conheci meu marido. Toda vez que o Rabino Klein me via, ele sorria, perguntava se eu estava bem e se eu precisava de um lenço. Ele estava sempre brincando e, no entanto, através de seu humor poderia chegar à parte mais profunda de um problema ou preocupação.

 

Meu aniversário hebraico é no segundo dia de Sucot e ele sempre insistiu em que eu passasse lá para comemorar. Um ano houve até um bolo me esperando quando entrei em sua Sucá.

 

O Rabino Klein e sua esposa Laya sempre me fizeram sentir como se eu fosse sua convidada mais importante. Eles ficavam tão animados quando eu entrava e me tratavam com tanto amor, atenção e foco. Quando me mudei para Israel logo depois de me casar, eles me chamavam quando lá estavam em viagem e faziam questão de eu ir vê-los em Jerusalém. Mesmo quando anos se passavam e nós não nos víamos uns aos outros, se eu ligasse para eles, me reconheciam pela minha voz, antes que eu pudesse me apresentar. Com certeza, era então o Rabino Klein que não precisava do meu nome para saber quem eu era.

 

Tem sido assim ao longo de 21 anos a partir do meu primeiro encontro com o Rabino Klein. No ano passado eu tive a sorte de passar um Shabat com os Klein e fiquei em sua casa. No domingo passado, eu estava em Crown Heights por apenas algumas horas antes de tomar um trem de volta para nossa casa em Vermont. Eu não tive tempo para visitar as pessoas e ninguém sabia que eu estava lá. Mas eu certifiquei-me de passar pelos Klein. Eu fui imediatamente recebida pela Sra. Klein, que é sempre tão calma, composta e positiva. Ela brincou sobre como ela ainda cita algo que eu lhe disse logo depois que me casei há 18 anos. Ela perguntou sobre meus filhos, nossa mudança para Vermont, e como sempre, foi edificante e solidária.

 

Eu perguntei como o Rabino Klein estava passando. Ela respondeu: "yom, yom", dia a dia. Não era a resposta que eu estava esperando ouvir, mas eu não queria me intrometer. Eu tinha ouvido rumores de que ele não estava bem, mas não sabia muitos detalhes. Pedi-lhe o favor de transmitir a ele os meus mais calorosos cumprimentos. E parti.

 

Isso ocorreu há menos de uma semana. Eu estou mais uma vez no mesmo trem, desta vez de volta para Nova York. Acabei de abrir um site de notícias, quando vi o artigo. Lá estava sua foto. E acima dele as palavras: "Baruch Dayan Ha'Emet", "Bendito é o Verdadeiro Juiz." Eu tive que me controlar para parar de gritar "NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!" no trem.

 

Então, eu me sento aqui, digito e choro. O mundo perdeu uma alma tão inacreditável. Ele deixou para trás tantos filhos, netos, bisnetos e uma geração que ele impactou e elevou. E apesar de tudo, devastada como estou, através das minhas lágrimas, eu também sorrio. Porque quando eu fecho meus olhos, eu vejo seu rosto, com o mais quente, mais amoroso sorriso, e ouço sua voz quando ele pergunta: "Nú, você precisa de um lenço?"

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