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ב"ה

Shabat Mundial

A HAVDALÁ

 

O Final do Shabat

 

Quando o Shabat inicia-se na sexta-feira ao entardecer, o recebemos com muita honra e alegria. Durante mais de 25 horas nos é concedida uma alma adicional e o espírito ímpar de Shabat; agora que se aproxima o momento de sua partida, não podemos deixá-lo sair desapercebido. Sua retirada também é anunciada com vinho e bênçãos especiais.

O Shabat chega ao fim quando três estrelas médias são visíveis no céu, a olho nu. Entretanto, antes de ser permitido fazer qualquer trabalho deve-se verbalizar o início da nova semana com as palavras: "Baruch, hamavdil ben côdesh lechol" ("Bendito é (D’us), Aquele que separa entre o sagrado e o comum.")

Depois que terminar o Shabat é dita a Havdalá para marcar a distinção entre o "sagrado e o comum", entre o Shabat que finda e os dias da semana que se iniciam.

A havdalá é pronunciada sobre um cálice de vinho, com uma bênção (suco de uva, cerveja e alguns outros líquidos também podem ser utilizados).

Além desta, mais três bênçãos são recitadas. A primeira é dita ao aspirar a fragrância de especiarias. Durante o Shabat D’us nos dá um potencial a mais de espiritualidade, uma “espiritualidade (ou “alma”) adicional de Shabat”. Quando o Shabat vai embora, esta espiritualidade também vai. Para compensar, nós procuramos “reanimar” a nossa alma com a suave e agradável fragrância destas ervas aromáticas. É nessa hora que nosso estado de espírito precisa ser estimulado e revivido.

A segunda é a bênção do fogo, recitada sobre à luz de uma vela trançada (combinando diversos pavios ou, na falta desta, juntando as chamas de duas velas ou até dois fósforos). Uma das razões desta oração é a lembrança do fogo que foi aceso por Adam (Adão), esfregando duas pedras, quando vivenciou pela primeira vez a escuridão que ocorreu na noite do primeiro Shabat. Agradecemos a D’us por ensinar a Adam o segredo da produção do fogo, que é uma das bases da vida civilizada.

Normalmente, quando uma bênção é pronunciada, esta deve ser seguida por um ato. Assim, após a bênção do fogo, erguemos as unhas à luz, para perceber o contraste da luz e da sombra refletido nas unhas e na palma da mão.

A última bênção é a havdalá – o reconhecimento da separação entre os opostos. (Após o Yom Tov se faz a Havdalá só com o vinho ou cerveja, sem as especiarias e sem a vela).

A sequência das orações é, vinho, especiaria, chama e Havdalá. Por que fazemos as bênçãos nesta ordem?

O grande cabalista e rabino de Bagdá (falecido em 1909), Rabi Yossef Chayim, conhecido como “Ben Ish Chai” explica que isto segue, basicamente, a própria anatomia do ser humano, de modo que a cada benção vamos “subindo”, nos elevando.

Primeiro fazemos a berachá da “boca” (vinho); depois, acima dela, a do “nariz” (cheiro das especiarias); depois, acima deles, a dos olhos (visão do fogo) e, por fim, acima de tudo, a berachá do cérebro (com o qual reconhecemos a Havdalá, a distinção entre o Shabat e os outros dias). Uma das lições que aprendemos daqui é que durante a semana que ora começa devemos procurar nos elevar espiritualmente, sempre.

SHABAT – UMA MITSVÁ PARA FAZER:

 

Lembre-se:

 

  • Diga: Baruch hamavdil ben kodesh lechol ( — caso não tenha dito  “ata chonantanu”, em Arvit)
  • Prepare a vela trançada da Havdalá (e os fósforos ou isqueiro), cravo, canela ou outras ervas aromáticas e o copo para a Havdalá.
  • Coloque o copo sobre um pequeno prato e encha-o de vinho, completamente (de preferência, até transbordar um pouco — sinal de fartura).
  • Antes de recitar a HAVDALÁ, erga o copo, com a mão direita, passe-o para a esquerda e, em seguida, pouse-o-o sobre a palma da mão direita. Erga os quatro dedos em volta do copo e mantenha o polegar deitado, ao lado (veja a ilustração).
  • Durante a HAVDALÁ, mantenha o copo uns três palmos acima da mesa.
  • Segurando o copo com a mão direita, diga a HAVDALÁ de pé, em voz alta. Todos devem ouvir a HAVDALÁ atentamente, sem interromper ou desviar a atenção.
  • Após dizer a HAVDALÁ, deve-se deve beber, sentado, pelo menos um pouco mais da metade do copo de vinho (ou, pelo menos, 44 ml).
  • O copo deve ser perfeito (sem estar rachado ou lascado), lavado e enxaguado (por dentro e por fora) e seco — antes da Havdalá, mesmo se estiver limpo.

 

Como fazer a Havdalá — passo a passo:

 

1.    Pegue o copo de vinho (suco de uva ou cerveja) na mão direita e segure até depois da bênção Borê Perí Haguéfen (“shehacol”, se for cerveja).

2.    Então, pouse o copo sobre o pratinho e pegue o recipiente com as especiarias aromáticas, com as mãos, e diga a bênção de “...Borê Minê Bessamim” (das ervas aromáticas).

3.    Depois de cheirá-las, passe para os outros cheirar. Depois, deixa-se o recipiente com as especiarias de lado.

4.    Então, ao dizer a bênção de “...Borê Meorê Haêsh”, deve-se dobrar os dedos sobre o polegar — de modo que ele não seja visto — e observa-se a luz da vela refletida nas unhas das mãos (primeiro com os dedos dobrados; depois com os dedos estendidos).

5.    Em seguida, volta-se a pegar o copo de vinho com a mão direita para a bênção de “Hamavdil”, terminando a Havdalá.

  1. Após a Havdalá, a pessoa que faz a Havdalá deve beber, sentada, pelo menos um pouco mais da metade do copo de vinho.
  2. Derrama-se o resto do vinho do copo sobre a vela da Havdalá, apagando-a sobre o pratinho.

 

8.    Diga a Berachá Posterior sobre o vinho (ou cerveja, pág......)

9.    Após a Havdalá, é costume por, com os dedos, um pouco do vinho do pratinho sobre os olhos (ou sobrancelhas) para demonstrar carinho pela mitsvá (e também por que traz boa visão).

SHABAT – MAIS UMA MITSVÁ PARA FAZER:

 

Melavê Malcá — A Refeição da Despedida do Shabat

 

            “O indivíduo deve arrumar a mesa na véspera do Shabat, mesmo que seja para comer apenas um Kezayit (alimento mínimo exigido pela Lei, do tamanho de uma azeitona). Similarmente, ele deve preparar a mesa na conclusão do Shabat, mesmo que seja para comer apenas um Kezayit, a fim de honrar o Shabat, tanto quando ele chega quanto quando ele parte”.

(Maimônides)

 

            Deve-se honrar o Shabat, o qual deve ser tratado com o respeito devido a um rei, que, quando faz uma visita, é anunciado ao chegar e escoltado na saída. O Shabat é frequentemente chamado de “rainha” e é por esta razão que a refeição após o seu término é chamada Melavê Malcá, literalmente, “Escolta da Rainha” ou “Acompanhante da Rainha”.

            Costuma-se fazer uma refeição especial, cozinhar algo especial para esta refeição de Melavê Malcá ou, pelo menos, comer um kezayit (cerca de 30g) de pão. Se possível, esta refeição deve ser servida numa mesa coberta com uma bela toalha branca e com velas, tal qual a mesa de Shabat ou na própria. Também é costume tomar algo quente após o Shabat.

            Melavê Malcá também é descrita como a refeição do rei David. Esta denominação tem suas raízes na própria história de David. Foi-lhe revelado que morreria em um Shabat — mas não em qual Shabat (Talmud, Shabat 30a).

Portanto, sempre que ele sobrevivia a um Shabat, isto representava certamente uma razão de alegria, não apenas para a casa real, mas para todo Israel. Em comemoração, também nós celebramos esta noite como a refeição de David, o rei ungido, o ancestral de Mashiach e, consequentemente, como a refeição de seu descendente, Mashiach, cuja vinda esperamos ansiosamente a todo instante!

Como o rei David também foi o “Doce Cantor de Israel”, sua refeição é acompanhada de muitas Zemirot, melodias e músicas.

            Um lugar central no Melavê Malcá é ocupado pelo profeta Eliyahu. Como consta nas Escrituras, e assim nos ensinam nossos sábios, é Eliyahu que anunciará a vinda do Mashiach, de modo que as esperanças e preces pela chegada de Mashiach naturalmente incluem o anseio pela vinda de seu acompanhante, o profeta Eliyáhu.

            Consta também que, no nosso corpo, há um pequeno osso chamado luz  que recebe sua vitalidade diretamente da refeição de Melave Malcá. Após a vinda de Mashíach, no milagroso período conhecido como Techiát Hametim (ressurreição dos mortos), consta que D’us reconstituirá toda a estrutura de cada pessoa que voltará a vida usando esse osso luz, que permanece intacto e indestrutível para sempre.

           

 

UM BURACO DO TAMANHO DE D’US...

 SHABAT – UMA HISTÓRIA PARA APRECIAR:

Guardando o Shabat em Hollywood

por David Sacks

 

Pouco depois que eu comecei a guardar o Shabat, consegui meu primeiro emprego como escritor na equipe de uma sit-com, um seriado de TV. Era o programa classificado no horário nobre de 1999. Não que isso tenha algo a ver com a história, mas pensei que fosse interessante.

Não houve muito a fazer na primeira semana, e estávamos em agosto, quando o sol se põe relativamente tarde, portanto terminamos o trabalho antes de haver qualquer problema com o Shabat.

A segunda semana foi diferente. A sexta-feira estava passando e estávamos terminamos bem a tempo de eu conseguir chegar em casa para o acendimento das velas. Eu morava perto do estúdio, portanto, se me desvencilhasse logo dos meus afazeres, conseguiria chegar em casa, nem que fosse, pelo menos, em cima da hora do Shabat.

Aí começou uma daquelas reuniões. Sim, era uma daquelas reuniões que eu desejava desesperadamente que terminasse. Porém, a cada vez que parecia que estava por encerrar, alguém levantava outra questão. E depois outra. Eu estava sentado em frente a uma janela enorme, observando o sol ficar cada vez mais baixo no céu. Finalmente, chegou um ponto no qual se eu não saísse imediatamente, não conseguiria chegar a tempo para Shabat.

Eu não sabia o que dizer ou fazer. Como nunca passara pela experiência de guardar o Shabat no local de trabalho, não tinha pensado em discutir o assunto com os Produtores Executivos. O que eu sabia muito bem era que, alguns minutos antes do pôr-do-sol não era a hora de fazer um discurso sobre as minhas crenças religiosas. Em outras palavras, eu estava encalhado. Portanto, fiz a única coisa que me ocorreu. Levantei-me, sem qualquer cerimônia, e saí. Eles devem ter pensado que eu estava indo ao banheiro. Mas não voltei mais à sala.

Correndo até o carro, lembro-me de ter pensado que Shabat deveria ser um “dia de repouso e tranquilidade”, mas, este Shabat, certamente, estava me causando bastante ansiedade. Eu precisava conversar com os Produtores Executivos, explicar minha situação, e esperar que eles me apoiassem.

Após o fim de semana, fui procurá-los juntamente com meu colega, e perguntei se eu poderia sair umas horas mais cedo na sexta-feira para que eu pudesse guardar o Shabat.

"Não!", disseram eles. Então, perguntaram, se eu ainda insistiria naquilo, porque se o fizesse, eles iriam me substituir. Em outras palavras: “trabalhe no Shabat ou será demitido”.

Quando cheguei em casa, telefonei para o meu agente. Ele me perguntou o que eu pretendia fazer. Eu lhe disse que não iria trabalhar no Shabat. Ele respondeu que se fosse assim, então, com certeza, eu não trabalharia mais na televisão.

Este, para mim, foi um momento surpreendente.

Dizem que os magnatas de Hollywood são famosos por dizer: "Ou você faz tal coisa ou você nunca mais trabalhará nessa cidade!" – mas eu pensei que isso só acontecesse nos filmes antigos. Ora, aqui estava eu, e não só alguém estava realmente dizendo aquelas coisas – como ainda estavam dizendo aquilo para mim!

No dia seguinte, eu disse ao meu parceiro que não iria trabalhar em Shabat — e provavelmente não iria mais trabalhar ali. Ele entendeu, mas disse-me que tentaria continuar no programa sem mim. Não o culpei. Afinal, ele nem sequer era judeu. Veja, as pessoas ficam anos tentando trabalhar nos seriados para TV. Esta era uma grande chance para ele também, e ele tinha todo o direito de ver aonde aquilo iria levar.

Em muitos aspectos, este foi o momento mais crítico de minha vida.

Até então eu tinha sido extraordinariamente abençoado. Conquistara minha meta de estudar em Harvard, escrever para o Lampoon, e conseguir um emprego em Hollywood. Porém, apesar disso tudo, faltava alguma coisa.

Aliás, sobre isto, uma vez eu ouvi um ensinamento fantástico. Durante anos pensei que eram as sábias palavras de algum grande mestre chassídico do século dezenove. Depois, descobri que era uma frase que ouvi de um motoqueiro tatuado, em fase recuperação. Claro que isso não desmerece a frase, como creio, também, que a torna ainda mais interessante de ser relatada.

Ele disse: "Todos nós fomos criados com um buraco dentro de nós — um buraco no formato de D'us."

Tentamos preenchê-lo com conquistas na carreira, drogas, relacionamentos, dinheiro, mas nenhuma dessas coisas o preenche — só D'us preenche este vazio, exatamente porque este é um buraco no formato de D'us...

A sociedade moderna cinicamente vê a religião como uma muleta, mas nada poderia estar mais longe da verdade. A busca da espiritualidade é a expressão de um anseio embutido em nós pelo próprio D'us. Para alguns, aquela voz interior se torna mais alta durante as horas de tragédia. Para outros, eu incluído, fica mais clara nos tempos de fartura. Ela diz: Todas essas oportunidades são ótimas – mas deve haver algo mais na vida!

Eu não tinha mais a certeza de que escalar cegamente a escada do sucesso fosse me levar a lugares cada vez melhores. Eu precisava saber onde o "sucesso" estava me levando, e, talvez ainda mais importante, onde ele me faria parar. Percebi, então, que se eu não pudesse levar minha alma junto comigo na jornada, então não importa o quão longe eu fosse, eu sempre chegaria a um beco sem saída.

            A pressão definitivamente estava aumentando. Eu estava a ponto de perder meu emprego, meu parceiro de trabalho, e fora informado que não trabalharia nunca mais na televisão. Mas, apesar disso, de alguma forma consegui permanecer calmo. Talvez eu nunca mais trabalhasse no campo que escolhera, mas em meu coração, sabia que nada de mal adviria de guardar o Shabat.

            Neste momento critico e definitivo na minha vida, meus agentes puseram-se em campo e foram falar com o chefe do estúdio e com os Produtores Executivos sobre o meu Shabat.

Eu não esperava nada, pois já havia falado com eles, já tinha ouvido um sonoro e intransigente NÃO. E eis que, para minha grande surpresa, por trás de portas fechadas, todas as partes se mostraram realmente respeitosas e amigáveis!...

            Agora, antes de aceitar um trabalho, sempre converso sobre o Shabat. Apesar dos estereótipos que as pessoas têm sobre a indústria do entretenimento, tenho me impressionado com as reações positivas neste sentido, tanto de judeus, quanto de não-judeus.

            O judaísmo ensina que quando você está passando por uma provação, faria qualquer coisa para sair dela. Mas, depois que você passa por aquilo com sucesso, não trocaria a experiência por nada. D'us me deu um grande presente. Ele poderia ter tornado todo este processo muito mais fácil para mim. Mas em vez disso, Ele me deu a oportunidade de ficar firme naquilo que acredito. Talvez é por isso que, para mim, este continua sendo o momento de que mais me orgulho na vida.

            Desde então, a vida nunca mais foi a mesma. Quando chega o pôr-do-sol da sexta-feira, não importa o que esteja acontecendo, o quando estou ocupado, tudo desaparece e a única coisa que fica é o Shabat. O sagrado Shabat.

 


 

Biografia do autor:

David Sacks vive com sua esposa e filhos em Los Angeles, onde escreve e produz para a televisão. Entre os shows que está escrevendo estão “Os Simpsons”, “Third Rock from the Sun”, e “Malcolm in the Middle”. Ele é fundador da Jewish Impact Films, e conferencista veterano do The Happy Minyan of Los Angeles, um grupo dedicado a aproximar pessoas da espiritualidade judaica. Suas palestras estão disponíveis no site http://www.613.org/sacks.html

(Extraído do livro Shabat Shalom — a venda no Beit Lubavitch)

Preparação para o Shabat

 

 

logoone.jpgPreparação para o Shabat Mundial (2)

 

SHABAT – UM TEXTO PARA REFLETIR:

 

O Kidush

O kidush traz consigo o quarto dos Dez Mandamentos: "Lembre o Dia de Shabat para mantê-lo sagrado." No inicio do Shabat deve haver algum ato de separação, de santificação, enfatizando a diferença entre o resto da semana e o dia sagrado e capacitando a alma a elevar-se a um estado de profunda tranqüilidade e receptividade espiritual. Para nos assegurarmos disso, as palavras de santificação também são ditas na oração da noite e em outras ocasiões.

O Kidush é composto de duas partes. Ele começa com a parte da Torá (Gênese 2:1-3) no qual o Shabat é mencionado pela primeira vez. A segunda parte consiste de uma oração composta pelos Sábios especialmente para o Kidush, no qual os vários significados do Shabat são poética e precisamente declarados. Entre as duas partes há a bênção sobre o vinho, o fruto da uva. Em cada uma dessas duas partes existem exatamente trinta e cinco palavras, juntas somando setenta, o valor numérico da noite de Shabat, sendo também o valor numérico de “yáin” (vinho). Antes das primeiras palavras da Torá, duas palavras são adicionadas. Estas são as últimas palavras do verso precedente: "Yom Hashishi" (o sexto dia) porque elas condizem com a afirmação: "Então os céus e a terra foram formados..." e também porque as primeiras letras dessas duas palavras hebraicas são o acróstico do Inefável tetragrama, o Nome Sagrado de D’us.

 

 

SHABAT – UMA MITSVÁ PARA FAZER:

 

Kidush

Perguntas Freqüentes (FAQ)

 

P. Por quê recita-se o Kidush com vinho ou suco de uva (ambos casher)?

R.  Pois são bebidas sacramentais, tradicionalmente usadas para ocasiões santificadas.

 

P. E se não houver vinho nem suco de uva ou se não for possível consumi-los por motivo de saúde?

R. Então pode-se recitar o Kidush com Chalá.

 

P. Mulheres podem fazer Kidush?

R. A obrigação de fazer Kidush é tanto do homem quanto da mulher. Porém, assim como é costume as mulheres recitarem a bênção sobre as velas de Shabat, é costume os homens recitarem o Kidush. Se não houver nenhum homem presente para recitar o Kidush, aí então as mulheres podem e devem recitar o Kidush seguindo o mesmo procedimento dos homens.

 

P. Por quê ficamos de pé na hora do Kidush?

R.  Esta é uma forma de honrar a mitsvá: ficar de pé e demonstrar o seu respeito e deferência ao realiza-la.

 

P. Por quê as Chalót ficam cobertas durante o Kidush?

R. A cobertura da Chalá simboliza a camada protetora de orvalho que cobria a porção do Maná, que D’us mandava para os judeus no deserto, toda sexta-feira, para o Shabat. Quando o Maná caía no solo, permanecia fresco, pois estava “forrado” por uma camada de orvalho, tanto por baixo quanto por cima. Por este motivo também costumamos colocar as Chalot sobre um prato ou travessa e cobri-las, por cima, com um paninho especial.

Outro motivo: Normalmente, a bênção sobre o pão (e a de mezonot) deve ser feita antes da bênção do vinho, inclusive por que as Chalot (o “pão”, alimento básico do homem) são mais importantes que o vinho (que, de certa forma, é apenas um artigo de “luxo”...). Porém, como no Shabat o Kidush deve ser realizado sobre o vinho antes da refeição, então, para não “envergonhar” as Chalot, devemos cobri-las, enquanto damos precedência ao vinho.

Se a Torá exige que não envergonhemos as Chalot, que não são capazes de sentir tal vergonha, quanto mais cuidadosos devemos ser em não envergonhar o próximo, um ser humano, que certamente é capaz de sentir tal vergonha!

 

LEMBRE-SE:

  • Antes do início do Kidush (a noite), costumamos observar as chamas das velas de Shabat.
  •  Costumamos utilizar para o Kidush, de preferência, um copo de metal ou de vidro. (Se for copo de plástico descartável, use dois).
  • O copo cheio deve conter, pelo menos cerca de 86 ml de vinho.
  •  O copo deve estar: perfeito (sem estar rachado ou lascado), lavado e enxaguado (por dentro e por fora) e seco — antes do Kidush, mesmo se já estiver limpo.

 

KIDUSH — PASSO A PASSO:

  1. Coloque o copo sobre um pequeno prato e encha-o completamente de vinho (de preferência, até transbordar um pouco — sinal de fartura).
  2. Antes de recitar o Kidush, erga o copo com a mão direita e passe-o para a esquerda.
  3. Em seguida, pouse-o sobre a palma da mão direita, que deve formar um “recipiente côncavo” para o copo, assim: Erga os quatro dedos em volta do copo e mantenha o polegar deitado, ao lado (veja a ilustração abaixo).
  4. Durante o Kidush, mantenha o copo uns três palmos (pelo menos uns 24 cm) acima da mesa.
  5. Segurando o copo com a mão direita, diga o Kidush de pé, em voz alta. Todos devem ouvir o Kidush atentamente, sem interromper ou desviar a atenção e responder “Amén” após as bênçãos. (O canhoto segura com sua mão esquerda).
  6. Após o Kidush, quem fez o Kidush deve beber, sentado, pelo menos cerca de 50 ml.
  7. É costume distribuir um pouco do vinho para todos os presentes beber. Se conversou após dizer Amen ao Kidush e antes de receber o vinho do Kidush, diga a benção (“bore peri haguefen”) antes de beber o vinho.

 

OBSERVAÇÕES importantes:

·                    No Kidush do dia, alguns costumam ficar de pé e outros costumam sentar-se.

·                    Procedimento para quem não pode fazer Kidush com vinho, suco de uva ou cerveja — Kidush com Chalá: 1) lavam-se as mãos (vertendo água de um copo três vezes sobre a mão direita e três sobre a esquerda) antes do Kidush. 2) recita-se a benção “Al Netilát Yadayím” 3) sem qualquer interrupção por conversa, recita-se o Kidush em seguida.

·                    É necessário comer uma refeição logo após o Kidush, no local em que ele foi feito. Deve-se comer no mínimo cerca de 28g de chalá, pão ou de mezonot (biscoitos, bolos, confeitados), ou toma-se mais um copo de vinho (pelo menos 86ml).

·               Não só a Chalá como também os mezonot (biscoitos, bolos, confeitados) que estiverem na mesa, para serem ingeridos durante a refeição, devem estar cobertos durante a recitação do Kidush.

 

Após o Kidush:

A Netilát Yadayim e a Chalá - (Clique aqui e veja a ilustração da Netilát Yadayim.)

 

Perguntas Freqüentes (FAQ)

 

P. Por que usamos duas Chalót para Shabat?

R. Isto nos lembra o milagre da porção dupla do maná que D’us mandava para os judeus no deserto, toda sexta-feira, para o Shabat. Deve-se usar duas Chalót (ou pães) inteiros, que são chamados de Lechem Mishne (“pão duplo”).

 

P. Por que costumamos comer justo Chalá, pão trançado?

R. Tanto no Mishcan (Tabernáculo portátil) no deserto quanto mais tarde, no Templo Sagrado, havia uma mesa especial com doze prateleiras abertas, cada qual representando uma das doze tribos de Israel. Às sextas-feiras, os Cohanim (Sacerdotes) assavam doze pães especiais e no Shabat trocavam esses pães por aqueles assados na semana anterior. Apesar de decorridos sete dias, os pães permaneciam frescos e quentes, tal como novos, e eram comidos pelos Cohanim no Shabat. O número de tranças de cada Chalá (seis; duas chalót = doze) nos lembra este milagre dos 12 pães no Templo. Muitos sefaradim também usam, no lugar de Chalá, 12 pães-árabes (pita), no Shabat, pelo mesmo motivo (vide a obra sefaradi “Ben Ish Chai”).

Curiosidade: Deduz-se da descrição bíblica, que o Maná tinha a aparência de sementes (brancas). É por isso que muitos costumam espalhar sobre a Chalá sementes de papoula ou de gergelim.

 

P. Minhas mãos estão limpas, então por que devo lavá-las antes de comer Chalá ou pão?

R. A lavagem das mãos (Netilat Yadayim) é uma extensão e continuação da lavagem ritual que os cohanim (sacerdotes) realizavam no Templo antes de consumir porções de alimentos dos sacrifícios e de Terumá.

 

P. Por que não se pode falar após a lavagem das mãos, antes de comer a chalá?

R. Para não fazer uma interrupção entre a benção e a realização da mitsvá.

 

P. Por que devemos segurar as Chalót com as duas mãos durante a berachá (benção)?

 

R. Na hora da berachá colocamos os DEZ dedos sobre as Chalót para lembrarmos que, para se chegar a comer o pão, é preciso, primeiro, fazer DEZ tipos de trabalhos diferentes (arar a terra, semear, ceifar o trigo, debulha-lo, moe-lo etc.), que envolvem DEZ mitsvót (uma em cada estágio do trabalho) — e é por isso, também, que a berachá do pão (“hamotsi”) tem DEZ palavras...

 

P. Por que mergulhamos o pedaço da Chalá no sal, antes de comer?

R. Para nos lembrar que nossa mesa deve ser tão sagrada quanto um altar, no qual se oferecia sal junto com todo sacrifício.

Curiosidade: Lechem (לחם — pão) e Melach (מלח —sal) tem as mesmas letras, em hebraico, e o mesmo valor numérico (78). Pela Cabalá, costuma-se mergulhar a chalá três vezes no sal, antes de se comer, pois assim lembramos que setenta e oito equivale a três vezes vinte seis, que é o valor numérico do Inefável Tetragrama (nome Divino de quatro letras, Yud-Kei-Vav-Kei).

 

 

Lembre-se:

·   A Netilá não deve ser feita dentro do banheiro.

·   Antes da Netilá, as mãos devem estar meticulosamente limpas e secas.

·   Verifique bem as mãos: certifique-se que as unhas estejam limpas e que não há sujeira, tinta ou qualquer coisa aderida à pele ou sobre ela.

·   Retire (e guarde!) anéis, alianças etc. dos dedos, antes da Netilá ( — a não ser que não saiam de jeito nenhum...)

·   Use um recipiente (copo, caneca) que possa conter pelo menos cerca de 86 ml de água. Ao segura-lo, certifique-se de que as alças estão secas, ou segure-os com uma toalha.

·   Um recipiente maior é melhor...Um grande sábio do Talmud dizia: “Sempre usei uma quantidade abundante de água para fazer a Netilát Yadayim e D’us meu deu uma quantidade abundante de bençãos...” Por isso, use bastante água, de forma que possa atingir toda a superfície dos dedos e das mãos, até o pulso.

 

Como fazer a Netilát Yadayim — passo a passo:

  1. Ao jogar a água sobre as mãos, tome o cuidado de despejar a água sobre toda a mão, até o pulso, inclusive entre os dedos, atingindo também as pontas dos dedos e o verso da mão.
  2. Segure o recipiente (copo ou caneca) com a mão direita. Encha com água. (fig. 1)
  3. Passe-o para a mão esquerda. (fig. 2)
  4. Entorne a água três vezes seguidas sobre toda a mão direita, até o pulso. (fig. 3)
  5. Ao despejar a água sobre a mão, faça um espaço entre os dedos e levante-os e vá virando a mão, de modo que a água cubra os dedos, a palma da mão e também o verso da mão.
  6. Passe o recipiente para a mão direita, e entorne a água três vezes seguidas sobre toda a mão esquerda, até o pulso. (fig. 4)
  7. Recite a berachá (benção) com as mãos erguidas:

 

Baruch Atá Adonai Elohênu Melech haolám, ashér kideshánu bemitsvotáv vetsivánu al netilát yadáyim.

TRADUÇÃO:Bendito és Tu, Senhor, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificou com os Seus mandamentos e nos ordenou sobre o lavar das mãos.

 

  1. Esfregue as mãos uma na outra e enxugue-as muito bem, em silêncio.
  2. Não se fala nada entre a Netilá e a berachá (a benção) sobre o pão ("Hamotsi")

 

Como FAZER A BERACHA (A BENÇÃO) DAS CHALÓT - PASSO A PASSO

  1. Faça uma leve marca, com a faca, sobre a chalá, mas sem cortá-la.
  2. Segure as duas Chalot, uma ao lado da outra, com as duas mãos (obs.: de dia, coloque a chalá da direita um pouco acima da esquerda).
  3. Diga a seguinte benção, antes de comer:

 

Baruch Atá Adonai Elohênu Melech haolám, hamotsí léchem min haárets.

TRADUÇÃO:Bendito és Tu, Senhor, nosso Deus, Rei do universo, que faz sair pão da terra.

 

ATENÇÃO: Após a benção coma a chalá imediatamente! Não converse após a benção antes de engolir o primeiro pedaço da Chalá!

 

4. Corte um pedaço de Chalá, mergulhe-o três vezes no sal e coma.

5. Em seguida, corte e distribua pedaços de Chalá (que também devem ser mergulhados três vezes no sal, antes de ser consumidos) para todos os presentes

6. Os presentes também podem dizer a berachá de “hamotsi”, acima, antes de comer seu pedaço de Chalá.

SHABAT – UMA HISTÓRIA PARA APRECIAR:

 


 

Descobrindo porquê cobrir...

Certa ocasião, um grande Rabino estava passando um Shabat fora de sua cidade, num local onde não o conheciam. Após a reza da noite, como de costume, um dos membros da sinagoga, indivíduo muito religioso, perguntou ao Rabino visitante se poderia lhe dar a honra de ser seu convidado para Shabat e o Rabino aceitou.

“Shabat Shalom! Shabat Shalom!”, cumprimentavam-se todos, a medida que o anfitrião, seus filhos e o Rabino foram entrando em casa. Atento, o Rabino logo percebeu que a esposa de seu anfitrião havia esquecido de cobrir a chalá com o tradicional paninho, mas não disse nada. Porém, assim que o anfitrião percebeu, sentiu-se envergonhado diante da visita e criticou severamente a sua esposa pelo desleixo: “...e você foi esquecer justo quando temos o privilégio de ter uma visita tão importante!?”

O Rabino virou-se delicadamente ao anfitrião e lhe perguntou, em voz baixa: “E para que precisa cobrir? Por que não se pode deixar assim, como está?”

Ao que o anfitrião lhe disse, surpreso: “O sr. que é Rabino não sabe que tem que cobrir?”

“Sim, mas por quê?”, insistiu o Rabino. Vendo que o homem não sabia ou não se lembrava, o Rabino lhe explicou:

“Devemos cobrir a chalá durante o kidush, pois faremos a brachá do vinho antes da brachá da chalá, apesar da chalá ser mais importante e ter precedência. Por isso, para não envergonhar a chalá, nós a cobrimos e ‘escondemos’ até depois do kidush. Mas, cá entre nós, a chalá nós não podemos envergonhar diante do vinho, mas a esposa nós podemos envergonhar diante dos outros?....”

Curiosidades sobre o Shabat

 

SHABAT – CURIOSIDADES PARA DESLUMBRAR

Um pouco da mística do sete no Shabat

Todos os sete são queridos (Midrash)

“Shabat é o dia que traz bênçãos para todos os outros dias da semana” (Zohar)

 

Shabat é o sétimo dia da semana.

            O número sete (e seus múltiplos) está ligado à espiritualidade, à elevação das coisas materiais. O mundo físico e finito é limitado por três dimensões (altura, largura e comprimento), o que significa que a matéria está “confinada” entre seis extremos (direita - esquerda; frente - trás; cima - baixo), que corresponde aos seis dias da semana. Shabat é o sétimo lado, o conteúdo, a espiritualidade que vitaliza e energiza os outros seis dias do trabalho. O sete, o Shabat, une-se aos seis dias mas permanece um elemento central, tal qual a espiritualidade, em torno da qual os seis dias unem-se, envolvidos nela.

Para ilustrar este conceito, basta pegar sete círculos de igual diâmetro (como moedas ou copos). Coloque um círculo no centro e os outros à sua volta de modo que todos encostem uns nos outros e no do meio. Tente agora fazer o mesmo com outro número de copos ou moedas (5, 9, 11, etc). Só o sete (o Shabat) pode ficar no centro cercado pelos outros (seis dias) de modo que todos estejam totalmente interligados — os seis são uma preparação para o Shabat e o Shabat energiza e traz bênçãos para os seis.

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Consta no Midrash: Ensina Rabi Shimon bar Yochai: Quando D’us criou o Shabat sagrado, o Shabat lhe disse: “Todo dia que criaste tem um par, então por quê eu tenho que ser o único dia impar, sem companheiro?”D’us lhe respondeu: “O povo judeu será o seu par!...” Quando todo o povo judeu estava ao pé do Monte Sinai, frente a D’us, ouvindo os Dez Mandamentos, D’us disse:“Lembre o dia de Shabat e santifique-o!” Lembre minha promessa ao Shabat, e santifique-o!”: isto é,consagre a Rainha Shabat e faça dela a sua Noiva!

            Uma curiosa interpretação enfatiza a “matemática” deste Midrash:

“Todo dia que criaste tem um par, então por quê eu tenho que ser o único dia impar, sem companheiro?

Domingo (que em hebraico é dia 1) faria par com sexta-feira (dia 6, em hebraico), o que perfaz 1+6=7. Segunda-feira (dia 2) faria par com quinta-feira (dia 5), o que perfaz: 2+5=7. Terça-feira (dia 3) faria par com quarta-feira (dia 4), o que perfaz 3+4=7. E o Shabat, que já é 7, ficaria só?

Responde D’us: Não, seu parceiro é o povo judeu. Quando ele anula sua vontade para fazer a Minha vontade, quando ele cumpre o Shabat, aí então o povo se une ao Shabat e continua sete, pois 0+7=7!...

 

Curiosamente, praticamente tudo o que devemos ter na mesa de Shabat, tem o valor numérico de sete:

NER (vela de Shabat) נר = (200 + 50) = 250 è2 + 5 + 0 = 7!

YÁYIN (vinho) יין = (50+ 10 + 10) = 70 è7 + 0 = 7!

CHALÁ (pão trançado) חלה= (5+30 + 8) = 43 è4 + 3 = 7!

DÁG (peixe) דג = (3 + 4) = 7!

BASSAR (carne) בשר  = (200+300+2) = 502 è2+3+2=7!

 

(Extraído do livro Shabat Shalom — a venda no Beit Lubavitch)

 

Programação Shabat Mundial - 5775

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