Descobrindo porquê cobrir...
Certa ocasião, um grande Rabino estava passando um Shabat fora de sua cidade, num local onde não o conheciam. Após a reza da noite, como de costume, um dos membros da sinagoga, indivíduo muito religioso, perguntou ao Rabino visitante se poderia lhe dar a honra de ser seu convidado para Shabat e o Rabino aceitou.
“Shabat Shalom! Shabat Shalom!”, cumprimentavam-se todos, a medida que o anfitrião, seus filhos e o Rabino foram entrando em casa. Atento, o Rabino logo percebeu que a esposa de seu anfitrião havia esquecido de cobrir a chalá com o tradicional paninho, mas não disse nada. Porém, assim que o anfitrião percebeu, sentiu-se envergonhado diante da visita e criticou severamente a sua esposa pelo desleixo: “...e você foi esquecer justo quando temos o privilégio de ter uma visita tão importante!?”
O Rabino virou-se delicadamente ao anfitrião e lhe perguntou, em voz baixa: “E para que precisa cobrir? Por que não se pode deixar assim, como está?”
Ao que o anfitrião lhe disse, surpreso: “O sr. que é Rabino não sabe que tem que cobrir?”
“Sim, mas por quê?”, insistiu o Rabino. Vendo que o homem não sabia ou não se lembrava, o Rabino lhe explicou:
“Devemos cobrir a chalá durante o kidush, pois faremos a brachá do vinho antes da brachá da chalá, apesar da chalá ser mais importante e ter precedência. Por isso, para não envergonhar a chalá, nós a cobrimos e ‘escondemos’ até depois do kidush. Mas, cá entre nós, a chalá nós não podemos envergonhar diante do vinho, mas a esposa nós podemos envergonhar diante dos outros?....”
