Pergunta:
Um funcionário administrativo elevado em nossa sinagoga desviou uma grande quantia de dinheiro das doações congregacionais. Ele é bem versado em Torá, e certamente sabe a diferença entre certo e errado. Então, como é possível que ele tenha feito uma coisa dessas?
Resposta:
Vou responder com uma história.
Certa feita, Rabino Chaim de Sanz (mestre chassídico polonês, 1793-1876) procurava um homem honesto no mercado.
Primeiro ele parou Yossel e perguntou:
"‑ Yossel! Se você encontrasse uma carteira na rua, o que você faria?”
"‑ Claro, eu a devolveria ao seu dono!", respondeu Yossel.
"‑ Yossel, você é um tolo!", Exclamou o rabino. "‑ Agora, fique aqui."
E o rabino chamou outro homem.
"‑ Feivel, se você encontrasse uma carteira na rua, o que você faria?"
"‑ Rabi, você me conhece", respondeu Feivel. "Eu provavelmente iria mantê-la para mim mesmo. Preciso muito do dinheiro, e eu não sou um judeu tão bom assim!”
"‑ Feivel, você deve se arrepender! Enquanto isso, fique aqui! "
E ele chamou um terceiro homem.
"‑ Leibel, se você encontrasse uma carteira na rua, o que você faria?"
Leibel começou a tremer.
"‑ Responda-me, Leibel, o que você faria?"
"‑ Rabi", Leibel falou com os olhos no chão, "Eu realmente não sei o que eu faria! Eu não sei quem ganharia dentro de mim, meu yetzer tov (boa inclinação) ou o meu yetzer hará (má inclinação)!”
"‑ Leibel", o rabino respondeu: "você é um homem honesto!”.
Essa é a natureza humana: quando a tentação encara alguém de frente, ninguém pode garantir o que ele vai fazer. Especialmente se a tentação está ali dia após dia.
Mesmo quando o Templo Sagrado estava em Jerusalém, quando um sacerdote entrava na sala do tesouro, ele tinha que entrar com dois de seus colegas.
Então, é isso que a Torá nos ensina: Não seja tão rápido em condenar seu companheiro por desonestidade. Você mesmo nunca pode ter certeza do que você faria em seu lugar, nas mesmas circunstâncias.
A Torá nos ensina que o homem deve pagar a sua pena e perder seu posto. Mas também ensina que todos devemos reconhecer que qualquer um de nós poderia ter feito a mesma coisa em sua situação.
Há uma lei que um homem muito velho não pode ter assento em um beit din (Tribunal Judaico). O motivo? Porque ele esqueceu os problemas de ter que trabalhar para sustentar uma família, e ele não será capaz de simpatizar com o pequeno criminoso.
A Torá é uma harmonia de muitos opostos.
Rabi Tzvi Freeman para Chabad.org
