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Como a minha mitsvá ajuda um soldado em Gaza?

Quarta-feira, 23 Julho, 2014 - 13:01

wyWv8343928.jpgCaro Rabino


Meu Rabino visitou minha clínica hoje e me pediu para colocar tefilin. Ele disse que era para os nossos garotos em Gaza. Então eu coloquei. 


Na sexta-feira minha esposa acendeu velas de Shabat — o que ela nem sempre faz. Ela disse que era para os nossos garotos em Gaza. De alguma forma isso fazia sentido para ela. E para mim. 


Mas agora eu comecei a pensar. Eu sou um homem instruido, um médico, e eu tento ver sentido nas coisas. Mas uma vez que eu estou pensando, eu não tenho uma explicação. Como isso funciona? Qual é o mecanismo — a causa e efeito? E por que faz sentido antes de pensar?


— Judeu Perplexo


Caro Judeu Perplexo


Sim, um quebra-cabeça é um bom exemplo. Um quebra-cabeça onde todas as peças se conectam para fazer um único todo. A mesma coisa com os judeus e mitsvot. Todo o nosso povo e todas as nossas mitsvot se encaixam para formar um todo único e integral. E cada peça é necessária. 


Mas deixe-me dar-lhe uma metáfora melhor, algo que você, como um médico pode certamente se relacionar. Pense no povo judeu como um único organismo vivo, e, em seguida, tudo faz sentido. 


Um ser vivo, tenho certeza que você percebe, não é como uma máquina desajustada. Por um lado, as máquinas são feitas colocando peças juntas que originalmente não tinham nada a ver uma com a outra. Mesmo depois de construida, uma máquina ainda é um amontoado de peças. Mas um organismo vivo começa como uma única célula que, em seguida, desdobra-se em toda uma criatura — e de tal modo que mesmo uma 

vez totalmente desenvolvido e em funcionamento, continua a ser uma singularidade.

 

Em outras palavras, ao contrário de uma máquina, um ser vivo é um ser único. 


E em um ser único, localidade é secundário. O que acontece em uma parte de um ser vivo muda imediatamente todo o organismo. Que é a forma como o povo judeu funciona também.


Ok, aqui está um exemplo, com o qual você provavelmente está familiarizado: Caenorhabditis elegans. Eu aposto que você estudou um pouco C. elegans na faculdade de medicina — pois ela detém a distinção de ser a criatura mais exaustivamente estudada e exposta no mundo. 


C. elegans é um verme de um milímetro de comprimento, transparente com exatamente 959 células (apenas para comparação, o organismo humano têm cerca de 75 trilhões de células). Os pesquisadores esperavam que, começando com este paradigma simples, finalmente todos os processos e regras que regem a vida poderiam ser explicados. E assim, em 1980, o destino de cada uma dessas células desde o ovo até o adulto já havia sido mapeado. 


Mas esses pesquisadores nunca conseguiram o que esperavam. Em 2002, Sydney Brenner recebeu um prêmio Nobel por todo o tempo que passou com aquele pequeno verme. Os Críticos rejeitaram . Alegaram Brenner não explicara coisa alguma — tudo que ele tinha feito foi descrever o que se passa dentro da pequena criatura. E Brenner teve de reconhecer que eles estavam certos. "Não é um processo sequencial puro", explicou." É tudo acontecendo ao mesmo tempo... dificilmente há um caminho mais curto de dar uma regra para o que se passa do que apenas descrever o que existe ". (grifo meu) 


Chame isso de uma singularidade irredutível. Algo cuja única descrição é ela própria. O que significa que se uma parte estivesse faltando, ela não seria o que é. E sempre que uma parte muda, a totalidade muda instantaneamente. 


Algo como uma sinfonia: Você não pode me fornecer uma equação matemática que irá produzir a Pastoral de Beethoven. A única descrição que posso ter é ouvindo-a. E se uma parte é alterada — uma doce nota foi azedada, ou uma tríade de trovão tocada suavemente — a experiência de toda a sinfonia muda. 


Agora aplique isso para o povo judeu. Nós somos um — essencialmente e integralmente um. Temos um D'us, uma Torá, uma história para contar e um destino em que vamos chegar. Cada um de nós tem sua parte integral para tocar. E assim, tudo o que qualquer um de nós faz imediatamente redefine o estado de todo o nosso povo. 


Localidade não tem sentido — não é uma situação de causa e efeito. Não é preciso tempo para o sinal viajar, nem ele precisa de nenhum meio para se propagar, e ele não diminui ao longo do tempo ou espaço. Nosso povo inteiro espalhado por todo o globo, desde Avraham até você e eu — somos todos uma singularidade irredutível. Um judeu fez uma mitsvá —  todo o povo é imediatamente enriquecido, e este enriquecimento é sentido em cada indivíduo. 


Leve isso mais adiante: Se você de alguma forma se conectar com outro judeu que está lutando com algum desafio ético na vida, encontrar esse mesmo desafio dentro de si mesmo, conserte-o —  e você descobrirá que este outro judeu agora terá mais facilidade de superar essa luta. Isso é o quão profundamente estamos ligados. 


Isso também responde à sua última questão: Por que fez sentido antes de pensar? Coisa estranha: Eu também pedi para muitos judeus colocar tefilin ou acender velas de Shabat ou fazer alguma outra mitsvá "para nossos garotos em Gaza.". Todos judeus a quem pedi responderam. "É claro, é uma mitsvá!". 


Porque um judeu sente o efeito da mitsvá. E um judeu sabe que somos um povo acima do tempo e espaço. 


Nós somos um. Todo o resto é comentário. Agora vá fazer outra mitsvá para nossos garotos em Gaza.

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