Por que temos medo de ser feliz?
Por Lieba Rudolph | 24 de janeiro de 2015 22:33
Fui com a minha filha Mushkie para uma ultra-sonografia pouco antes de seu bebê nascer. A técnica coordenou o procedimento com destreza, manobrando o scanner, digitando no teclado, pressionando o pedal, direcionando a seta na tela para indicar partes de um rosto. Ela circulou
claramente um nariz e, em seguida, uma órbita ocular.
Mas eu não podia ver o que ela queria dizer; tudo o que eu vi foi um borrão de preto no branco, ou talvez fosse branco no preto, definitivamente não era um rosto.
Tudo o que eu vi foi um borrão de preto no branco
"Ele está olhando para nós ou está olhando para cima?" perguntei na minha última tentativa inútil para ver o que ela tinha visto. Eu queria apenas dizer que eu o vira, mas eu não podia. Minha mente simplesmente não tinha percebido qualquer aparência de um rosto de bebê.
"Tudo parece bom", ela pronunciou.
"Obrigado D'us", eu respondi, confiando que ela sabia o que estava falando.
A Redenção tão longamente aguardada, a promessa de D'us para toda a nação judaica, tem sido comparada a um nascimento. Mas até esse momento chegar, o mundo parece com aquela ecografia. Tudo está se encaixando perfeitamente, mas pode ser um desafio enxergar isso agora.
Um judeu cuja própria vida pulsa com a Divindade da Torá é como aquela técnica; tal pessoa sabe exatamente o que fazer e como reconhecer tudo. Depois, há aqueles que querem apreciar o que está acontecendo, mesmo que às vezes seja difícil obter a imagem. E, claro, há muitas pessoas que nem mesmo estão no quarto. Alguns não sabem que o "bebê" está prestes a chegar, e outros não parecem se importar.
E há pessoas que dizem que não há bebê nenhum. Para essas pessoas, a vida é apenas uma confusão, que não vale a pena decifrar, não levando a nada.
Minha pergunta é: como essas pessoas podem ser felizes?
Uma pesquisa recente da Fox News mostrou que a felicidade das pessoas tem diminuído ao longo da última década. É irônico que vivemos melhor do que jamais a humanidade viveu no planeta, mas isso não parece fazer diferença . Alguns diriam que é precisamente o nosso bem-estar material que está causando o nosso mal-estar espiritual: todos somos consumidos com nós mesmos. Em termos judaicos, sofremos de yeshut, uma preocupação com o nosso próprio ego.
Como essas pessoas podem ser felizes?
O Judaísmo diz que a felicidade é alcançada da maneira exatamente oposta. A verdadeira felicidade, simchá, vem de bitul, uma dedicação total para fazer o que D'us quer, de tal forma que o ego é totalmente anulado. Quanto mais nos aproximamos deste modo de viver, mais felizes somos. Se a minha vida é toda centrada em mim, no final do dia, eu sou finito. E isso é o suficiente para fazer-me triste.
Eu não tenho vergonha de dizer que me tornei observante, porque eu queria ser mais feliz. Eu não percebi quanto trabalho seria necessário, mas eu sou muito mais feliz acreditando que eu estou aqui para os propósitos de D'us, em vez de para os meus próprios.
E o que me faz mais feliz que todos são os sinais claros de que Mashiach está chegando em breve. É verdade, o mundo é confuso e o mal é excessivo, mas ontem, quando o motorista do caminhão de lixo saiu da cabine para me orientar como passar meu carro, a fim de que eu pudesse seguir, fiquei de bom humor durante toda a manhã. Um pouco de bondade vai muito longe. Como aquela técnica, eu estou tentando me treinar para saber o que fazer e o que procurar.
Por que esses judeus "infelizes" têm medo de dar um passo mais para perto de D'us, ou mesmo reconhecer que eles gostariam que Mashiach viesse?
Eu acho que é porque os próprios termos "Messias" e "Redenção" — mesmo "D'us" — têm fortes conotações não-judaicas, que enchem os judeus de escrúpulos. Não importa para essas pessoas que a crença na vinda de Mashiach é um princípio básico da fé judaica. Estamos acostumados a ouvir sobre como apenas algumas pessoas serão "salvas" pelo Messias, e essas pessoas nunca incluem os judeus. Agravado justamente pelo fato de que um mundo perfeito parece bom demais para ser verdade, a crença em Mashiach não tem a menor chance.
Isso poderia, em parte, explicar por que alguns amigos me disseram que nunca vão acreditar no conceito de Mashiach.
Mas o verdadeiro especialista, o Rebe, Rabi Menachem Mendel Schneerson, de abençoada memória, viu um bebê perfeito pronto para nascer. "Para dar à luz", tudo o que precisamos fazer é aumentar em atos de bondade e gentileza. Sim, a "ultrassonografia" judaica é uma figura misteriosa preenchida com triunfos milagrosos e dor indizível, mas tudo isso é secundário para o trabalho à mão: dar à luz o bebê.
Um pouco de bondade vai muito longe
Ao contrário da crença popular, não há nada a temer, não há razão para esperar que a Torá esteja errada neste Princípio.
Talvez a nossa geração não mereça inteiramente Mashiach, certamente não quando você pensa que nossos antepassados se sacrificaram tanto por D-us e pela Torá. Mas aqui na terra do lattes, um pouco de sacrifício de mim mesma por D'us, vai muito longe — porque é tão fácil ficarmos preocupados com nós mesmos.
D'us aprecia tudo o que fazemos por Ele. Mesmo se nós fazemos isso porque queremos ser felizes.
Mas se realmente queremos ser felizes, todos e cada um de nós pode pedir a D'us que traga Mashiach agora.
De que é que temos medo?
