Cara Rachel,
Sou casada e tenho três filhos maravilhosos. Meu marido é uma
pessoa amável, atenciosa, e nós temos tudo o que precisamos financeiramente. Embora na minha mente eu saiba que tenho muito a agradecer, por algum motivo, o meu coração não sente assim. Eu sinto que há algo faltando e não consigo saber o que é exatamente. Me pego olhando a vida dos outros, e, honestamente, fico com ciúmes. Eu fico olhando pessoas que têm mais sucesso e satisfação em suas carreiras do que eu tenho. Eu olho suas casas que são mais bem projetadas do que a minha, e eu vejo suas crianças que são mais obedientes e bem-sucedidas do que as minhas.
Eu me sinto culpada por minha falta de apreço pelo bem que D'us me concedeu, e eu adoraria me sentir mais em paz com o que tenho. Alguma dica?
Invejosa
Cara Invejosa,
Vamos imaginar que a sua vida seja uma pintura. A pintura tem muitas flores e árvores bonitas, e um rio, mas também tem pontos pretos aqui e ali que fazem a imagem parecer completa.
Quando você olha para a imagem da sua vida, você tem muitas coisas bonitas — um marido atencioso, crianças saudáveis e estabilidade financeira. Ao mesmo tempo, também existem "pontos negros" em sua pintura da vida — os sentimentos de que você não é tão bem sucedida quanto suas amigas em termos de sua carreira, o projeto de sua casa e as realizações de seus filhos. Sem querer, você fica focando nas coisas não tão bem sucedidas que você tem em sua vida, em vez de focar nas belas partes da pintura.
O que você está pedindo realmente é a capacidade de se concentrar apenas no positivo em sua vida — somente nas árvores e rio, por assim dizer. Porque se você se concentrar nestes, você não terá tempo ou energia para se concentrar no que os outros têm, por isso, você não vai sentir inveja. Felizmente, apesar de a nossa mente ser tão avançada como é, ela ainda é limitada, e podemos nos concentrar apenas em uma coisa de cada vez.
Para explicar este conceito, vou lhe contar a história de Zlatche, o camponês.
Zlatche vivia uma vida simples longe da cidade grande. Seus amigos sempre falavam com ele sobre os grandes e maravilhosos pontos turísticos da cidade, e ele sempre sonhava com o dia em que seria capaz de se dar ao luxo de comprar um bilhete de trem e ver os "pontos turísticos e as luzes." Ele sabia que naquele dia maravilhoso ele ficaria realmente feliz.
Durante semanas, ele economizou tostão por tostão para a viagem, até que ele juntou a grande soma de dois rublos. Ele pagou metade de um rublo no bilhete do trem, e quando viu a grande cidade, ele realmente ficou impressionado com os grandes edifícios, com as lojas, com todo o movimento das pessoas. Só uma coisa o incomodava: ele não tinha dinheiro suficiente para comprar todas as coisas maravilhosas que ele via nas lojas.
Então, ele se deparou com um campo onde um grande cartaz acenava para ele: “Gaste um rublo e se torne um milionário.” Um milionário!? Ele imaginou todas as coisas que poderia comprar com o dinheiro. Ele se aproximou do dono do campo, que lhe disse que, por um rublo, ele iria correr contra um cavalo. Se ele pudesse agarrar a cauda do cavalo, ele seria pago generosamente.
O camponês concordou com o negócio e entregou o rublo, e o cavalo começou a correr. O cavalo correu, o camponês correu, o cavalo correu mais rápido, o camponês correu ainda mais rápido, o cavalo galopava, e o camponês começou a mancar. Ele tentou agarrar a cauda, mas suas forças estavam lhe faltando... até que ele finalmente desmaiou no chão.
Zlatche acordou para encontrar-se um rublo mais pobre, com apenas metade de um rublo sobrando no bolso. Sentindo-se ainda pior do que antes, depois de ter perdido o seu dinheiro e sem ter nada chamativo das belas lojas para mostrar, ele começou a procurar algo para animá-lo.
Então ele viu um outro cartaz: "Gaste metade de um rublo e dê uma boa risada!" Tão desesperado ele estava para dar uma boa risada depois daquela sua experiência desgastante, que ele entregou o meio-rublo sem pensar duas vezes ou fazer muitas perguntas.
Ele foi levado para uma ponte que dava para o campo, onde ele tinha tido a sua "corrida" contra o cavalo. Dali ele observou o próximo corredor se aproximando do cavalo com a crença de que iria ganhar a corrida.
E aquilo realmente fez Zlatche dar uma risada.
Mas como você acha que Zlatche se sentiu percebendo que ele tinha jogado fora todo o seu dinheiro na esperança de transformar toda a sua vida em uma existência de alegria, euforia e riqueza?
Podemos supor que ele se sentiu tolo, deprimido e derrotado.
Então, como você pode evitar que a mesma coisa aconteça com você?
Até certo ponto, eu estou supondo que você se sente como Zlatche, o camponês. Você tem o "um rublo e meio" em sua vida —, o marido, crianças e estabilidade financeira —, mas em sua busca por uma maior satisfação, você acaba perdendo o bom que você realmente tem em sua vida.
Onde, onde?
Então, onde você pode realmente encontrar o sucesso e satisfação dentro de sua vida e dos presentes que lhe foram dados?
Se não está na sua saúde, na sua conta bancária, no seu casamento, nas suas amizades, nos seus filhos —onde está então? Está bem dentro do seu coração!
Na Parashá Toldot, a Torá nos fala sobre a diferença entre Jacob e Esaú. Jacob era um ish tam yosheiv ohalim, uma pessoa simples que morava na tenda, enquanto Esaú era um ish yodeia tsayid, um caçador.
Tam significa "simples." Jacob estava feliz com as alegrias simples da vida. Esaú, por outro lado, estava sempre em busca de conquistar, para conseguir externamente mais e mais.
Dentro de cada um de nós, há uma parte de Jacob e uma parte de Esaú. "Jacob" representa o nosso desejo de "habitar na tenda" — nossa inclinação positiva que está feliz com as alegrias simples da vida e o bem que temos em nossas próprias casas. "Esaú" representa o nosso desejo de caçar — nossa inclinação para o mal, que busca sempre mais e mais conquistas físicas ou emocionais, que acreditamos nos darão satisfação e alegria.
Conquistas, onde?
Por natureza, buscamos sempre mais. A questão é: nós queremos mais do quê? Vamos nos concentrar em conquistas espirituais ou conquistas físicas? Será que nos concentramos em nossos desejos internos para tornarmo-nos mais amáveis, mais calmos, mais envolvidos em projetos comunitários, ou vamos focar em conquistas externas de sucesso, dinheiro, e no que outras pessoas podem nos dar?
Você mencionou na sua pergunta que não sente satisfação em sua carreira, na mesma medida que suas amigas o fazem. Talvez você possa investir sua energia em um novo projeto que irá ajudá-la a sentir que está usando melhor seus talentos. Não somente você vai se beneficiar de seu foco ser para dentro e não para fora, mas o mundo em geral se beneficiará dos projetos que você vai criar. Talvez você possa investir mais em seu casamento e seus filhos. Quando se trata de nossos relacionamentos, não há limites para o quanto mais produtivos e significativos eles podem se tornar.
Quando você está focada em construir, você não terá tempo para refletir sobre o que aqueles ao seu redor possuem, e você encontrará a felicidade que procura direto dentro de seu coração.
Desejo-lhe muito sucesso e paz interior,
Rachel
