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Por Que A Matsá É Tão Insossa?

Quarta-feira, 27 Abril, 2016 - 16:31

 

Por Que A Matsá É Tão Insossa?

Por Yehuda Shurpin

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Pergunta

Rabino, deixe-me ir direto ao ponto. Por que a matsá tem que ser tão insossa? Ela não poderia ter alguns outros ingredientes além de farinha e água?

Resposta

A resposta curta e simples é que um outro nome para Matsá é lechem oni -— "pão do homem pobre" ou "pão da pobreza." Um homem pobre só pode pagar os dois ingredientes mais simples -— farinha e água. Podemos apenas imaginar que nossos ancestrais comiam "pão do homem pobre" enquanto escravizados no Egito.1

De fato, um dos comentaristas bíblicos clássicos, o rabino Abraham ibn Ezra (1089-1167), que esteve preso na Índia, relata que os prisioneiros e escravos eram alimentados com uma comida tipa matsá, uma vez que é barata e enche o estômago.2 Todos os anos, em Pessach, comemoramos nossa escravidão e o êxodo posterior comendo o "pão da pobreza."

(Observe também que alguns ingredientes adicionados poderiam acelerar o processo de fermentação, o que poderia produzir chametz. Você pode ler tudo sobre isso aqui)

Essa é a resposta clássica, mas vamos cavar mais fundo.

Ter gosto ou não ter gosto?

Quando se trata do sabor de matsá, encontramos duas leis aparentemente contraditórias. Mesmo se você realmente não provar a matsá (por exemplo, se você moê-la e, em seguida, engoli-la sem mastigar), você cumpriu a mitsvá de comer matsá.3 Por outro lado, a matsá precisa manter seu sabor único. Se o gosto da matsá for alterado ou suprimido (seja por misturá-la com outros alimentos ou cozinhá-la), então não é válida para usar para a mitsvá de comer matsá.4

Rabi Shneur Zalman de Liadi resume a lei, dizendo: "Embora não seja preciso provar a matsá em sua boca, a matsá deve possuir o gosto próprio da matsá." 5

Espere! Por Que Nós Comemos Matsá Em Pessach?

Embora possa ser verdade que os nossos antepassados comeram esse pão da pobreza no Egito, se olharmos para um dos textos centrais da Hagadah, nós estamos dando uma razão muito diferente para trituração de matsá no Seder:

Esta matsá que comemos, por que razão? Porque a massa de nossos pais não teve tempo para se tornar levedada antes que o Rei dos reis, o Santo, bendito seja Ele, revelasse-Se a eles e os redimisse.

Assim, é dito: "Eles cozinharam bolos de matsá da massa que tinham trazido do Egito, porque ela não se tinha levedado, porquanto tinham sido expulsos do Egito e não podiam se atrasar, e eles também não tinham preparado quaisquer [outras] provisões."

Em outras palavras, fomos ordenados a comer matsá em Pessach para comemorar o fato de que os nossos antepassados saíram com pressa — não porque eles eram pobres escravos.

Pobreza, Fé e Pressa

Nossos Sábios explicam que nossos antepassados não estavam apenas empobrecidos fisicamente, mas também espiritualmente. Na verdade, era devido ao seu mau estado espiritual que eles precisavam deixar o Egito com tanta pressa. Eles haviam se tornado tão impregnados com a depravação espiritual do Egito, que tivessem permanecido lá apenas mais um momento, poderia não restar mais nação a ser redimida.6

Não havia tempo para afastar-se gradualmente, dos incapacitantes 'confortos' da escravidão, não havia tempo para parar e pensar sobre o significado do Êxodo. Tudo o que eles tinham era uma fé urgente. D'us havia inflamado esta fé com uma revelação impressionante do Seu poder e verdade, explodindo as amarras físicas e espirituais das almas dos antigos escravos. Foi esta fé, e somente esta fé, que os levou para fora do Egito e os pôs a caminho de receber a Torá no Monte Sinai.

E isso nos leva à razão tanto para o gosto como para a ausência de gosto da matsá.

A Saborosa Insossidade

Os místicos chamam matsá o "alimento da fé."7 A composição esparsa da matsá reflete a fé simples de alguém que foi despertado por um flash da verdade Divina para seguir D'us deserto a dentro. Ele ainda não compreendeu totalmente o que acabou de acontecer. Não há riqueza de gosto intelectual. Tudo o que ele "sente" é o temor do D'us que recém o redimiu, e sua firme resolução de servi-Lo como um simples servo.

Ao mesmo tempo, a matsá tem um gosto. Matsá tem o sabor distinto de pura fé, o gosto de abnegação e compromisso consistente. Se você não aprecia ou saboreia a matsá, tudo bem; nossos antepassados, também não. Ainda espiritualmente não refinados e empobrecidos, eles eram incapazes de digerir totalmente ou deliciar-se com as revelações impressionantes que eles experimentaram.

No entanto, a matsá deve ter seu próprio sabor único. Pois esta firme vontade de servir D'us com a fé de um servo simples, contém em si as sementes para uma relação profunda e satisfatória com D'us — não menos satisfatória do que o elegante vinho que bebemos nesta noite, que representa as delícias da mente e coração.8

Notas de Rodapé

1. Deuteronômio 16:3.

2. Veja Orchot Hachaim na Hagadá, Hei Lachmo Anya.

3. Shulchan Aruch, Orach Chaim 473:3.

4. Shulchan Aruch, Orach Chaim 461:4, e Magen Avraham, seif katan 7.

5. Shulchan Aruch Harav, Orach Chaim 461:12.

6. Veja Mechilta em Exôdo 12:41; Zohar Chadash, início de Yitro; Tzror Hamor citado por Shalah na Hagadá Avadim Hayinu; Haggadah Im Likkutei Taamim Minhagim u'Biurim, p. 30 (Matzah Zu).

7. Zohar, Raya Meheimna Bo 41a.

8. Com base em Likutei Sichot, vol. 21, p. 43-48.

POR YEHUDA SHURPIN

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