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Por que Acendemos Uma Vela Memorial no Yurtsait?

Quarta-feira, 19 Agosto, 2015 - 7:13

 

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Por Yehuda Shurpin

 

Nós, judeus acendemos um monte de velas para os mortos. Já vi velas acesas em uma casa de shivá de luto, no yurtsait (aniversário do falecimento), e até mesmo durante todo o primeiro ano de luto. Qual é a razão por trás da vela, e quando é que o costume começou?

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Há evidências de judeus acendendo velas para homenagear os falecidos já no período Mishnaico, cerca de 2.000 anos atrás: a Mishná afirma que não se pode usar o "fogo dos mortos" para a bênção da havdalá no sábado à noite, porque ele foi aceso não para os vivos, mas para honrar os mortos.[1]

Além disso, há a referência do rabino Yehudá, o Príncipe, que na verdade foi o compilador da Mishná, que ordenou à sua família antes de seu falecimento "para deixar uma lâmpada acesa  no seu lugar."[2] Embora esta frase seja geralmente entendida como se referindo às velas de Shabat, alguns consideram-na como um indicativo do acendimento de uma vela pela alma dos que partiram.[3]

Mas por quê?

Diz o versículo, "A alma do homem é a vela de D'us..."[4]  Como tal, a vela serve como uma lembrança da alma que partiu. Além disso, com base nesta comparação alma-vela, há muitas razões dadas para acender uma vela, várias das quais vamos abordar aqui.

Preenchendo um vazio

Quando uma alma deixa este mundo, ela deixa para trás um vazio escuro. A vela memorial serve para repor esta luz.[5]

Trazendo alegria para a alma

Rabino Bechaye ben Asher (1255-1340) explica que a alma deriva alegria da luz da vela. Como diz o versículo: "A luz dos justos se alegrará..."[6] Como pode ser? A alma é composta de luz divina, e é natural para ela deliciar-se com algo que é de uma composição semelhante. Este é o caso, mesmo que a vela produza mera luz física, enquanto que a luz da alma é espiritual.[7]

Expiação para a alma

No que se refere ao costume de acender uma vela memorial antes do Yom Kipur, o rabino Asher ben Yechiel (1250 [?]-1327) explica que podemos acender uma vela para expiar os almas dos defuntos. Diz o versículo: "Pois as luzes honram o Eterno..."[8] Quando acendemos uma vela para honrar D'us no mérito do falecido, D'us promete perdoar e vigiar suas almas.[9]

Pavio e Fogo: Corpo e Alma

Em um nível mais místico, uma vela representa a ligação de uma pessoa com o Divino. A vela, incluindo o pavio, representa o corpo, e a chama representa a alma divina. Quando uma vela é acesa, tanto a mecha como o combustível queimam em uma chama de luz, que se contorce acima. Através do estudo da Torá e da prática das mitsvot, o corpo é subsumido pela alma e se torna energia espiritual.[10]

Uma chama tem três componentes: Há a parte interior azul (ou escura) da chama, que abraça o pavio e consome o óleo. Depois, há o corpo luminoso da chama, o que fornece a luz. Por fim, há o terceiro nível, a aura sutil que envolve a chama. Essas três partes correspondem aos três componentes da alma que estão mais estreitamente associados com o corpo físico: nefesh, ruach e neshamá.[11] [12]

(Alguns, incluindo Chabad, têm o costume de acender 5 velas durante as orações ao longo dos 11 meses em que o Kadish é recitado, bem como durante as orações no yurtsait,[13] correspondentes a todos os cinco níveis da alma: nefesh, ruach, neshamá, chayá e yechidá.[14])

Quando acender uma vela?

Nós acendemos uma vela quando a alma está mais presente em nosso mundo.

Como a alma começa sua jornada para cima de forma gradual (semelhante a um aroma que se dissipa lentamente), desenvolveu-se o costume de acender a vela durante a primeira semana de shivá, quando a alma está mais presente.[15] E como a ascensão da alma não é concluída senão ao final do primeiro ano, Chabad e outros mantêm a vela acesa até que o ano termine.[16] [17]

Durante os momentos em que estamos a lembrar o falecido, acendemos uma vela em memória da alma.

Nestes dias ‑ yurtsait e quando Yizkor é recitado ‑ a alma tem permissão para viajar de volta para este mundo que deixou para trás, por isso acendemos uma vela para seu deleite e memória.[18] Alguns, incluindo Chabad, têm o costume de não acender uma vela nos dias em que Yizkor é recitado, com exceção de Yom Kipur (quando então, como explicado acima, as almas são julgadas e acendemos velas em seus méritos[19]) [20]

O costume é acender a vela depois do pôr do sol na véspera do yurtsait.[21] Se o yurtsait é no Shabat, a vela é acesa antes de acender as velas de Shabat. A vela deve queimar pelo menos até após anoitecer no dia seguinte (isto é, o fim do yurtsait) e deve ser deixada a queimar até se extinguir.[22]

Se o yurtsait é no domingo, então a vela deve ser acesa após as orações da noite e havdalá.

Que tipo de vela?

Por razões místicas, alguns têm o costume de usar especificamente uma lamparina de óleo para a vela memorial.[23] Outros, incluindo Chabad, tentam usar ‑ apenas no caso de ser facilmente obtenível[24] ‑ uma vela feita de cera de abelha. A razão para isso é que a palavra hebraica para cera de abelha é sha'avá (שעוה), que é um acrônimo (embora rearranjado) para "הקיצו ורננו שוכני עפר"‑ "Acordem e cantem, vocês que habitam no pó..."[25] [26] Este verso é uma alusão ao tempo da ressurreição, quando todos seremos reunidos com aqueles que já faleceram.

Quando até mesmo uma vela comum não está disponível, pode-se também utilizar uma lâmpada elétrica.[27]

Velas são, sim, importantes, mas lembre-se de que há algo ainda mais benéfico para a alma. A alma, depois que sobe ao céu, já não pode executar nenhuma das mitsvot. No entanto, quando nós, especialmente os descendentes daquela pessoa, aprendem Torá, fazem mitsvot ou dão caridade no mérito da alma que partiu, estamos dando o maior presente e honra aos que partiram. O mérito dessas boas ações beneficia tanto a alma que partiu, como aqueles aqui embaixo neste mundo fazendo as mitsvot.

Notas de Rodapé

 


 

[1] Brachot 51b, 53a.

 

 

[2] Talmud Ketubot 103a.

 

 

[3] Gesher Hachaim 1:20.

 

 

[4] Provérbios 20:27.

 

 

[5] Responsa, Betzel Hachachmah 4:29.

 

 

[6] Provérbios 13:9.

 

 

[7] Veja o comentário de Exôdo 25:31

 

 

[8] Isaías 24:15.

 

 

[9] Rosh, citado em Orchot Chaim, Hilchot Erev Yom Kipur.

 

 

[10] Ver Likutei Sichot, vol. 5, p. 445.

 

 

[11] Os dois mais profundos (chayá e yechidá) comungam com D'us de uma forma que transcende o mundo. Consulte Níveis de Consciência da Alma.

 

 

[12] Ver Ma’aver Yabok, Sfat Emet 15.

 

 

[13] Isto é, além da vela acesa durante o período de duração do yursait. Veja Sefer Haminhagim Chabad, p. 79.

 

 

[14] Veja Igrot Kodesh, vol. 16, p. 12, e Torat Menachem, vol. 2, p. 125.

 

 

[15] Ver responsum Btzel Hachachma 4:29.

 

 

[16] A alma é julgada e limpa durante o primeiro ano após a sua passagem. Como tal, o prazer derivado das velas acesas é particularmente apreciado.

 

 

[17] Ma’aver Yabok, Sfat Emet 15.

 

 

[18] Mateh Efraim Shaar 3.

 

 

[19] Veja Shulchan Aruch, Orech Chaim 610: 4, e Shulchan Aruch Harav 610: 5; ver também responsa Mahari Veil 191.

 

 

[20] Ver Otzar Minhagei Chabad, Elul-Tishrei, p. 224. Ver, no entanto, Luach Kolel Chabad, que parece indicar que este era costume Chabad.

 

 

[21] Ver Sefer Haminhagim Chabad, p. 79. Aliás, algumas citações erroneamente afirmam que o costume Chabad é acender antes de o sol se pôr.

 

 

[22] Gesher Hachaim 32: 4.

 

 

[23] Ver Gesher Hachaim, cap. 20, citando o Tikunei Zohar, tikun 19.

 

 

[24] Ver Igrot Kodesh, vol. 4, p. 142.

 

 

[25] Isaías 26:19.

 

 

[26] Ver Igrot Kodesh, vol. 4, p. 142, e Sefer Minhagim, p. 95. Veja também Sefer Hadrat Kodesh, carta nº 40.

 

 

[27] Ver Gesher Hachaim cap. 20.

 

 

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