Artigo 
A senhora misteriosa
Em homenagem ao Yourtzait de 25 anos da Rebetsin Chaya Mushka.
No ano de 5747 (1987), a Rebetsin já estava com a constituição física fraca, e sofria de um número de doenças. Quase que diariamente, Chêssed a levava a algum lugar aonde pudesse sair de casa e ir para o ar livre, para aspirar o ar fresco e límpido. Ele também fazia isto porque era o que o Rebe queria que fizesse- tentar ao máximo garantir que a Rebetsin estivesse ao ar livre por mais tempo possível.
Um dos lugares favoritos da Rebetsin era um parque em Long Island, à beira do rio. Árvores verdejantes cresciam à volta do rio, e o recanto inteiro emanava uma sensação de paz e tranquilidade, Chêssed levava a Rebetsin lá asiduamente, para sentar-se num dos bancos próximos da orla d´agua. Ela olhava em volta e escutava o chilrear dos pássaros e aproveitava o ar puro e atmosfera de paz.
Certo dia voltando do parque para casa, o carro dele chegou a uma rua pela qual estavam acostumados a passar. Por causa de uma obra, a rua estava fechada e foram forçados a tomar uma rota diferente.
Perto de uma das casas que ficava no trajeto que ora seguiam, havia um carro de polícia estacionado, com as luzes da sirene piscando. Não longe dali, havia um caminhão de mudanças e no quintal havia mobilha e utensílios domésticos prontos para serem transportados para o caminhão.
Chêssed percebeu os fatos da cena, mas continuou a dirigir. Na cidade de Nova York, centenas de pessoas, mudam-se diariamente, por tanto, não havia nada de surpreendente no que via. Chêssed também não levou em conta que também poderia haver uma ligação entre o carro de polícia e o caminhão de mudanças. De qualquer maneira, o incidente todo não lhe dizia respeito, e certamente não havia motivo para parar o carro.
Chêssed continuou a dirigir por mais alguns quarteirões. Repentinamente, a Rebetsin voltou-se para ele e gentilmente pediu-lhe para que voltasse ao lugar onde haviam visto o carro de polícia, o caminhão e a mobília. "Para quê? Por que voltar lá?" perguntou Chêssed, inseguro. A Rebetsin ficou quieta, Chêssed olhou pelo espelho retrovisor e viu que a Rebetsin estava hesitante, escolhendo muito bem as palavras antes de responder-lhe.
Depois de alguns instantes, ela disse: "Meu pai ( o Rebe Rayats) ensinou-me que tudo que acontece neste mundo é 'Hashgachá Peratit', Providência Divina. Isto significa que tudo é meticulosamente planejado por Hashem e tudo está sob Sua proteção. Assim sendo, o caminho que em geral usamos estava fechado. Em consequência, fomos obrigados a pegar um trajeto diferente. E realmente, se nada é coincidência, está claro que não foi à toa que passamos por aquela rua, e presenciamos o que vimos. Voltemos, a fim de descobrir exatamente o que aconteceu ali, e talvez então saibamos o que devemos fazer."
Chêssed manobrou o volante e deu meia-volta. A esta altura, já podiam ver uma pequena multidão de vizinhos e transeuntes curiosos em volta da casa. Chêssed abriu o vidro do carro e perguntou a alguém: "O que aconteceu aqui?" Disseram-lhe que lá morava uma família judia que chegara da Rússia há alguns meses. Os pais não conseguiam achar emprego, e passavam muita dificuldade tentando equilibrar o orçamento e chegar ao final do mês. Não conseguiram pagar o aluguel do apartamento, o senhorio chegara agora acompanhado por um policial com uma ordem judicial de despejo, que obrigava a expulsar a família do prédio à força. Os pais estavam parados a pouca distância da casa, enquanto os filhinhos assustados agarravam-se firmemente aos pais, chorando, por causa de toda comoção à sua volta.
Chêssed estava curioso para saber qual seria o próximo passo da Rebetsin. Presumiu que agora, depois de perceber o quão complicada era a história toda, envolvendo um senhorio enraivecido, uma corte judicial, a polícia e uma considerável soma em dinheiro, ela o mandaria continuar a dirigir. A Rebetsin, não obstante, não o fez. Pediu a Chêssed que se aproximasse do senhorio, que estava no quintal perambulando no meio dos carregadores e das caixas, distribuindo ordens, e lhe perguntasse qual era a soma exata envolvida.
Surpreso, Chêssed fez o que a Rebetsin lhe pedira, e aproximou-se do homem: "Quanto dinheiro a família lhe deve?" perguntou-lhe Chêssed. Primeiro, o senhorio olhou-o desconfiado, imaginando quem poderia ser. Mas, quando ficou claro que Chêssed falava sério, mudou de ideia e determinou a quantia exata de dinheiro, que chegava a alguns milhares de dólares.
Chêssed voltou para o carro e contou à Rebetsin o que o homem lhe dissera. Ela não hesitou um momento sequer. Abriu a bolsa e tirou seu talão de cheques particular. Preencheu-o com a quantia exata do débito e entregou-o a Chêssed: "Vá até o senhorio e entregue-lhe este cheque," disse; e acrescentou rápido: "Por favor, queira fazer isto reservada e discretamente, para que ninguém perceba! Certifique-se de que a família não veja o que você está fazendo. É imperativo que a família não fique constrangida."
Chêssed fez conforme o desejo da Rebetsin. Aproximou-se em silêncio e entregou o cheque nas mãos do homem espantado. O senhorio fitou Chêssed, depois o cheque que estava segurando e novamente olhou para Chêssed sem dizer palavra. Desviou então o olhar para o carro e percebeu dentro desse uma senhora idosa. Acenou com a mão como que demonstrando a compreensão e enfiou o cheque no bolso.
Depois de alguns instantes, o senhorio fez sinal para os carregadores, que imediatamente juntaram-se à sua volta. Cochicharam entre si por alguns segundos e expressões de surpresa surgiram em suas faces. Passou-se um momento, e começaram a descarregar o caminhão e levar tudo de volta para a casa.
A Rebetsin pediu a Chêssed para partir do lugar bem depressa. Pisou no acelerador e o carro saiu com velocidade. Nem a Rebetsin nem Chêssed viram as expressões admiradas nas faces dos pais quando perceberam que seu vultuoso débito acabara de ser pago por uma senhora misteriosa que, através da Providência Divina, chegou à cena, preencheu um cheque e desapareceu tão misteriosamente quanto chegara. Também não viram que as faces marcadas de lágrimas das crianças transformaram-se em sorrisos de alegria.

Janete Nigri Cohen escreveu…
Janete Nigri Cohen escreveu…
Rosa Tilde Menaei escreveu…
Com certeza ela foi a esposa perfeita para se casar com o nosso REBE
esther escreveu…
Samua de Brito Paiva escreveu…