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Hospitalidade

Quarta-feira, 24 Abril, 2013 - 12:40

nFcP4211298.gif Hospitalidade em Lag BaOmer

por: By Yerachmiel Tilles 

 

 

 

Cerca de dois séculos e meio atrás, vivia em Kosov um rico comerciante de tecidos chamado Reb Moshe. Ele morava no melhor ponto da cidade, em uma mansão de luxo em uma enorme propriedade, na qual gramados, jardins e pomares de árvores frutíferas floresciam. Basicamente, uma pessoa simples, a sua humildade inata parecia permanecer inalterada, mesmo quando a sua riqueza crescia de ano a ano. Mas então, um dia, uma idéia incomum entrou em sua mente e tomou posse de seu coração. Moshe tornou-se possuído pelo desejo de experimentar uma revelação do profeta Eliahu.

Não que ele estivesse sob a ilusão de que por causa de sua riqueza tivesse direito, no momento, de ver o profeta Eliahu. Ele sabia bem que não se tratava disso. Assim, para tornar-se "digno" de alcançar seu objetivo, ele realizou uma série de jejuns e outras formas de privações, esperando que assim, essas auto-aflições lhe permitiriam alcançar o seu desejo.

Mas não adiantou.

Ele começou a se manter na companhia de chassidim e de outras pessoas estritamente religiosas na comunidade, imitando seus caminhos. Ele esperava que suas realizações espirituais superiores de alguma forma passassem para ele, e que a elevação daí resultante lhe permitisse alcançar seu objetivo.

Isso também não funcionou.

Sua tarefa é executar atos de bondade e caridade. . .

Inseguro sobre o que fazer em sua próxima tentativa, ele decidiu consultar o tzaddik local, Rabino Baruch de Kosov. O Rebe ouviu atentamente, mas para espanto de Moshe então disse: "Reb Moshe, por que você está tentando perseguir esses assuntos elevados? Sua tarefa é executar atos de bondade e caridade, que é o que a sua alma necessita para a sua retificação."

Moshe deixou a sala do Rebe frustrado. Ele ainda tinha certeza de que ele próprio sabia o que realmente precisava.

Daquele dia em diante, o comportamento de Moshe, o comerciante, mudou radicalmente. Ele abandonava o seu negócio por horas a fim de estar no Beit Midrash. Ele passou a não prestar muita atenção à sua aparência pessoal ou a manutenção de sua propriedade, abandonando quase completamente o estilo de vida aristocrático que adotara ao longo dos anos.

Depois de algum tempo, ele foi visitar o tzaddik novamente. Olhos baixos, a sombra escura da depressão no rosto, ficou claro que ele estava profundamente perturbado. Seu desejo de ver o profeta não lhe deixara nenhuma paz. Enquanto falava ao Rebe de suas frustrações, ele involuntariamente emitiu um profundo suspiro.

O Rebe repetiu o conselho que o caminho adequado para Moshe era o de bondade e boas ações. Desta vez, porém, ele pareceu aceitar a sinceridade de Moshe, e aconselhou-o a aumentar significativamente sua distribuição de tzedakah. Então, depois de uma pausa, o Rebe acrescentou misteriosamente: "Se um homem pobre aproximar-se de você e pedir até mil peças de ouro, não abstenha-se de conceder o pedido."

Um homem pobre patético aparência tinha batido na porta da casa, implorando por ajuda. . .

Moshe, mais uma vez, sentiu-se menosprezado pela resposta do Rebe. No entanto, ele decidiu aderir firmemente ao seu conselho. Qualquer pessoa pobre que cruzasse o caminho de Moshe era imediatamente dotada de uma generosa contribuição, sem qualquer demora para verificar o merecimento do destinatário. Durante vários anos, Moshe se comportou desta maneira, mas ainda não houve a revelação do profeta Eliahu. Sua frustração não lhe dava descanso.

Um dia, enquanto ele estava ocupado no trabalho, atendendo vários clientes, um mensageiro chegou de sua casa, dizendo-lhe que, um homem pobre de aparência patética tinha batido na porta da casa, implorando por ajuda. O pobre, no entanto, se recusou a aceitar a comida que um funcionário havia trazido. Em vez disso, o pobre tinha insistido para que fosse convidado a entrar na sala de jantar para se sentar e comer lá. A esposa de Reb Moshe não tinha certeza de como lidar com a situação, de modo que ela tinha enviado o mensageiro para se aconselhar com seu marido.

A primeira reação de Moshe foi de indignação com a ousadia do homem carente. Mas então, lembrando o conselho do Rebe, ele instruiu o mensageiro para simplesmente dizer a sua esposa que ele iria voltar para casa o mais rápido que podia, e que, entrementes, ela deveria cumprir o pedido incomum do estranho e convidá-lo para dentro da mansão. Quando ele chegou, cerca de uma hora depois, ele encontrou a sua esposa andando de um lado para outro perto da entrada, exasperada, impacientemente esperando por ele. Assim que o viu, ela explodiu com amargura, "Nem mesmo sentar na nossa sala de jantar satisfaz esse mendigo! Ele pediu para tirar uma soneca no nosso quarto!"

"Que tal um pouco de doação?"

Moshe correu pelas escadas para o quarto principal. Ele mal podia acreditar na visão com que se deparou: uma pessoa de aparência rudimentar e desgrenhada, vestindo o que pareciam ser mais trapos e remendos que uma roupa de verdade, esparramado na cama, com as manchas e restos de sua refeição espalhados por ele próprio — e nos lençóis até então impecavelmente limpos. Enquanto Moshe estava lá com os olhos esbugalhados e a boca escancarada, o "convidado" olhou para ele e disse com voz arrastada, "Nu? Então, que tal uma pequena doação? Uma modesta e insignificante soma — apenas mil míseras peças de ouro. "

Moshe hesitou entre explodir de raiva ou cair na gargalhada. Ficou tão surpreso, que se sentiu impotente para se mover ou falar. Ele só podia ficar lá num silêncio atordoado.

"Se você não me der agora mil florins em dinheiro, eu não vou partir!", anunciou o estranho mendigo em tom de desafio.

Moshe se acalmou um pouco do choque inicial. Decidido a ignorar o insulto à sua honra, ele simplesmente ofereceu ao homem uma quantia menor. "Cinquenta..., cem..., cento e cinquenta...”. Finalmente, ele ofereceu-lhe 200 florins, uma soma nada pequena.

Era como se o homem em sua cama tivesse selado seus ouvidos. Manteve-se arrogantemente afirmando que levaria 1.000 florins, mas nem um centavo a menos. Moshe finalmente perdeu toda a paciência com este rude cafajeste, e sinalizou a seus servos para remover o descarado de sua presença. Mas o alvo era muito rápido. Antes que pudessem colocar a mão nele, ele subiu para fora da janela e desapareceu.

Elias aparece para as pessoas de acordo com a raiz das suas almas eo nível das suas obras. . .

Tudo isso ocorreu apenas algumas horas antes de Lag BaOmer. Naquela noite, todos os chassidim se reuniram na mesa do tzaddik ' em honra da ocasião. Moshe estava entre eles. Rabino Baruch falou sobre as revelações divinas que se manifestam neste dia especial, mas que nem todo mundo tem o mérito de reconhecê-las. Moshe decidiu que este devia ser certamente um momento auspicioso para mencionar o seu desejo ardente.

A resposta do rabino chocou-o como uma mão gelada apertando seu coração: "Mas você já não encontrou uma pessoa pobre que lhe pediu mil peças de ouro?"

Moshe falou rapidamente ao tzaddik sobre o mendigo insolente que tão crudemente abrira caminho para sua casa no início do dia.

"Ach. Que pena! "O rabino suspirou baixinho. "Você viu o profeta Eliahu, mas não o reconheceu."

"Esse vagabundo era Eliahu, o profeta?!" Moshe gritou em desespero.

"Sim", explicou o rabino. "Ele aparece para as pessoas de acordo com a raiz de suas almas e o nível de suas obras."

Moshe estava verdadeiramente de coração partido. Ele e sua esposa decidiram se mudar para a Terra Santa. Eles se estabeleceram na cidade sagrada de Sfat, onde uma mudança atingiu-o quase que imediatamente. Ele deixou de procurar grandeza ou revelações extraordinárias. Servia a D’us de forma simples e de todo coração.

Antes de Lag BaOmer, ele ia a Meron e dedicava-se a servir os milhares de participantes que se aglomeravam na área do túmulo dia e noite. Ele corria ombro a ombro com as massas de judeus simples que vinham homenagear Rabi Shimon bar Yochai, tendo verdadeiro prazer na sua companhia e ajudando a cuidar de suas necessidades.

Vários anos mais tarde, em Meron em Lag BaOmer, quando Moshe estava correndo para lá e para cá para ajudar a servir os muitos convidados, de repente ele viu na frente dele uma face que estava gravada a quente em sua memória: era o "mendigo" que havia aparecido em sua casa há tantos anos!

Moshe congelou no seu caminho. Ele olhou com espanto para a pessoa à sua frente. Desta vez, os olhos que o encaravam já não estavam indignados ou desafiadores, eram olhos brilhantes e radiantes num rosto sorridente...

 


 

Traduzido e adaptado de Sichat HaShavua # 487.

Notas biográficas: 
Rabino Baruch de Kosov [? -13 Cheshvan 1782], um importante discípulo do Maguid de Mezeritch e do rabino Menachem Mendel de Vitebsk, trabalhou ativamente para propagar e divulgar as formas e os ensinamentos do Chassidismo. Ele é o autor de Yesod HaEmunah e Amud HaAvodah.

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Comentários sobre: Hospitalidade
4/26/2013

JANETE NIGRI COHEN escreveu…

ADOREI ESTA LINDA E EMOCIONANTE HISTÓRIA.
7/30/2013

Samua de Brito Paiva escreveu…

Esta história me inspirou a pensar que, quem busca, encontra a resposta dos céus para seus anseios.