Beit Lubavitch Rio
Como posso te ajudar?
Impresso deBeitLubavitchRio.org
ב"ה

Em Algum Lugar entre Espiritualidade e Religião

Quinta-feira, 27 Junho, 2013 - 13:32

842.jpg

Existe a Verdade

Por Yanki Tauber

A maioria de nós nestes tempos de busca espiritual professa um "lado espiritual", um "eu religioso", ou seja lá como possamos nos referir a essa parte de nós que está em contato com Algo mais Elevado. Portanto, a questão não é se realmente o temos, mas o que exatamente é isso. É uma coisa de auto-aperfeiçoamento, como uma aula de marcenaria em madeira ou uma sessão de terapia? É um dever, como obedecer a lei do país e ir trabalhar pela manhã? Ou é simplesmente quem você é?

O Talmud, abordando essa questão mais de 1500 anos atrás, coloca-a nos seguintes termos: como você chama o lugar que D-us ocupa na sua vida: uma montanha, um campo ou uma casa?

Era algo distinto para cada um dos três fundadores do Povo Judeu. Há um lugar — o Monte do Templo —, em Jerusalém, que a Torá considera como o ponto focal da presença de D-us em nosso mundo. Quando Abraão estava lá, a chamou de "a montanha da revelação de D-us ". Para Isaac, o lugar era um "campo". Jacob passou uma noite lá e a proclamou "a casa de D-us ".

Os cabalistas descrevem as vidas dos três Patriarcas da seguinte forma: Abraão era a personificação do amor, Isaac personificava a reverência, e Jacob era a essência da verdade.

O problema com amor é que ele pode ir longe demais, desgastando a fronteira entre o eu e o outro, a ponto de se tornar sufocante e decadente. Abraão era a perfeição do amor, mas seu filho Ismael foi um exemplo de amor enlouquecido. O problema com humildade, compromisso e auto-disciplina é que ela pode congelar em crueldade — Esaú é um exemplo de “Isaac” corrompido.

Verdade, por outro lado, é o que é, e não porque ele está procurando por algo ou recuando de algo. A verdade é o amor que respeita os limites, a verdade é o compromisso temperado com paixão. A verdade não é uma montanha, um pedaço de terra distendido tentando ser o céu, nem é um campo, achatando-se para o chão a se submeter ao arado e à enxada. A verdade é uma casa, um lugar que abriga a vida, facilita suas necessidades, que lhe permite ser ela mesma.

Claro, a casa não pode existir sem a montanha e o campo. Verdade sem paixão é morta; verdade sem compromisso é infundada. Para nos tornarmos nós mesmos, devemos escalar nossas montanhas e trabalhar os nossos campos. Mas devemos lembrar que a vida realmente vivida não é alcançar ou se submeter, mas sim habitar nossas realizações e compromissos. Ou como o Midrash o expressa: tornar o mundo um lar para D-us.

 

Comentários sobre: Em Algum Lugar entre Espiritualidade e Religião
6/28/2013

Samua de Brito Paiva escreveu…

A grandeza de uma obra está na riqueza de seus detalhes, alguém já disse. O brilhantismo deste texto está na simplicidade de suas idéias, inteligentemente concatenadas.