Beit Lubavitch Rio
Como posso te ajudar?
Impresso deBeitLubavitchRio.org
ב"ה

Um buquê de Rosas

Quinta-feira, 25 Julho, 2013 - 18:50

Um buquê de rosas 3684.jpg

Por Chana Weisberg

 

O meu favorito é uma dúzia ou mais de rosas vermelhas de hastes longas, recém-cortadas. Mas um belo buquê sortido qualquer – se de orquídeas, petúnias ou estrelícias –, sempre trará um sorriso ao meu rosto.

 

Meu marido sabe dessa minha fraqueza. Ele a usa a seu favor sempre que quer ganhar meu coração ou obter perdão para qualquer um dos erros tão característicos dos maridos.

 

Outra noite, quando meu marido estava saindo pela porta da frente, eu o lembrei de sua promessa de estar de volta pontualmente às 07:30. Eu estava dando uma aula às 8 horas, e tinha algumas tarefas a tratar de antemão. Eu enfatizei a ele a necessidade de eu partir a tempo, pedindo-lhe para não perder de vista o seu relógio nem se desviar.

 

Exatamente às 07:31, fiquei esperando impacientemente na porta da frente, olhando fixamente para o quarteirão abaixo procurando por nossa van cinza. Às 7:45 eu estava andando freneticamente para cima e para baixo no meu hall de entrada, olhando nervosamente para o relógio, e às 07:53, quando meu marido finalmente cruzou os degraus da frente, eu mal podia me conter.

 

Empurrando um buquê requintado em meus braços, ele anunciou que tinha passado por um quiosque vendendo flores especialmente belas. Orgulhosamente ele explicou que, sabendo o quanto eu amo flores, ele decidiu parar e ficou "um pouco" atrasado nesse processo.

 

Se eu não estivesse tão apressada como estava, eu teria encontrado a minha língua e, ao contrário da percepção do meu marido, teria expressado o quão furiosa estava. Em vez disso, eu silenciosamente peguei as chaves, joguei as flores e saí pela porta.

 

Engavetando os meus planos para todas as tarefas e cruzando correndo alguns sinais de “Pare” ao longo do caminho, consegui chegar à minha palestra, com os nervos devastados, bem em cima da hora.

 

Depois de alguns momentos, me acalmei e realmente pude ensinar. As inúmeras participantes eram, como sempre, mulheres de uma ampla variedade de origens explorando sua espiritualidade através dos ensinamentos da Torá e Chassidut.

 

Quando a aula chegou à sua conclusão, uma aluna, Diane, perguntou por que a religião organizada era tão vital. "Por que não sentir D’us em nossos corações? Afinal, qual é a necessidade de todos os “faça” e “não faça” do judaísmo?"

 

Eu pensei por um momento. De repente, a analogia me atingiu.

 

Eu retransmiti para as mulheres os eventos anteriores à minha chegada à aula naquela noite. Eu perguntei se eles achavam que eu tinha razão em estar chateada com a compra do meu marido.

 

Como mulheres-irmãs, eu tinha certeza de sua resposta. Claro, elas pensaram que tal comportamento era completamente desnecessário.

 

"Mas por quê?" Eu questionei. "O que estava errado com ele fazendo algo que ele pensara que eu gostaria?"

 

"Você disse que você precisava dele em casa a tempo, e ele desconsiderou isso totalmente. Ele era muito egocêntrico para entender o seu ponto de vista, a sua necessidade de chegar na hora certa. Ele simplesmente não entende isso." Diane articulou o que algumas das outras estavam pensando.

 

"Sim, mas ele chegou tarde a fim de me comprar um presente. Isso não prova o seu amor? "Eu estava fazendo o papel do advogado do diabo.

 

Diane foi insistente. "Na verdade, ele queria agradá-la. Mas, em seus termos, não nos seus. Ele estava desrespeitando sua vontade explícita e sua necessidade, a fim de fazer algo que ele imaginava que você iria gostar."

 

"Eu acho que isso é tudo o que a Torá é" eu disse. “D’us diz-nos Seus termos —, o que Ele quer do nosso relacionamento. Claro, podemos ignorar Seus desejos, e até mesmo fazer algo maravilhoso e benevolente. Podemos até tê-Lo em mente. Mas, afinal de contas, isso não seria agir em nossos próprios termos, desconsiderando os Seus? Nós nem sempre podemos compreender as Suas necessidades ou desejos. Mas a Torá é a comunicação explícita do Eterno com a gente, dizendo: 'Isto é o que Eu preciso, é o que é importante para Mim. Isto é o que você pode fazer para ter um relacionamento Comigo. Talvez isso não faça sentido para você. Talvez você entenda, talvez não, mas é isso que Eu quero que você faça’".

 

Quando cheguei em casa mais tarde naquela noite, as rosas estavam habilmente dispostas em um vaso de cristal sobre a mesa da cozinha. Ao pé do vaso havia um pequeno cartão.

 

Era um sincero pedido de desculpas.

 

Eu acho que até mesmo os maridos às vezes conseguem entender.

Comentários sobre: Um buquê de Rosas
7/30/2013

Samua de Brito Paiva escreveu…

Brilhante texto, como tudo que é simples.