Quando eu perdoei D’us 
"O Rei está no campo." Esta é a frase que descreve o mês de Elul, o mês que antecede as Grandes Festas. O Rei está no campo. Ok, nós sabemos que o rei se refere a D’us. E quanto ao resto? O que é o campo? O que significa que D’us está no campo? E o que eu devo fazer a respeito disso, se é que devo fazer algo?
Para começar a entender, precisamos voltar alguns meses. Lembra-se de Shavuot? Lembra-se de ficar a noite toda estudando Torá? A antecipação levando até Shavuot enquanto contávamos os dias 49 do Omer. Aquele fabuloso cheesecake que comemos demais (bem, talvez fosse apenas eu...). Em Shavuot comemoramos o recebimento da Torá. Antes mesmo que D’us nos dissesse o que constava na Torah, dissemos na'aseh v'nishma, faremos e ouviremos. Este foi o nosso casamento. Formamos uma aliança eterna com D’us, ligando-nos a Ele e à Sua Torá para todos os tempos.
Parece que é isso. Não há mais nada, este casamento acabou
Então, em Shavuot ficamos acordados a noite toda estudando Torá, assim como na nossa noite de núpcias. Estamos muito animados para dormir e, além disso, exatamente como nos sentimos sobre quem estamos prestes a desposas, dizemos: queremos saber tudo sobre você, D’us. Assim, estudamos a Sua Torá, que é a melhor maneira de aprender sobre D’us.
Nós vivemos neste estado de lua-de-mel por um tempo. Mas um mês e meio mais tarde, as coisas começam a mudar. Nós temos nosso primeiro bate-boca. No dia 17 de Tamuz jejuamos. É um dia de luto. Neste dia os muros de Jerusalém foram rompidos em 69 E.C. Neste dia, percebemos que D’us não iria permitir que a nossa infidelidade passasse despercebida e não estava nos protegendo incondicionalmente como esperávamos. Neste dia, vimos que as coisas não eram perfeitas. A lua-de-mel, definitivamente, acabou. Durante três semanas, continuamos a estar de luto.
Mas em vez de fazer teshuvah e se arrepender e corrigir nosso sagrado casamento, voltamo-nos uns contra os outros. No dia 9 de Av, nosso Templo Sagrado, a casa que construímos para que Ele habitasse entre nós, foi destruído. A razão que nossos sábios nos dão é ódio infundado contra o outro. Foi um ponto muito baixo para todos nós e ainda é. E parece que é isso. Nossa casa foi destruída, não sobrou nada, este casamento acabou.
Mas então vem o mês de Elul. E nós ouvimos as palavras: "o Rei está no campo." No velho mundo, onde reis governavam e camponeses trabalhavam a terra, havia muito pouca interação entre os dois. O rei governava de seu palácio murado e os camponeses ficavam nos campos. Mas agora é Elul. E nós somos verdadeiramente camponeses. Nós trabalhamos duro em nossos campos, mal levantamos nossas cabeças da sujeira deste mundo material. Mas se o fizermos, se arriscarmos tirar um momento de nossa rotina diária e só olhar "para cima", vamos ver lá, no campo, o Rei. O Rei do mundo acima, aqui em nosso mundo, o Rei pronto para ouvir, perdoar, amar.
Esta é a nossa chance de reparar o nosso casamento desfeito. E, de fato, a primeira coisa que um cônjuge precisa dizer é: "Eu sinto muito". Mas para aqueles de vocês que são casados, vocês sabem que o “sentir muito” por si só nunca é suficiente. Porque a próxima pergunta é sempre: "Sente muito o quê?" E para isso que serve o mês de Elul: 29 dias de conversas com o Rei, passando por cima de toda a mágoa, dor e mal-entendido. E podemos nos colocar no campo de nosso ente querido. Ir para os nossos cônjuges, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos, nossos filhos, nós mesmos. Fazemos tudo isso para que quando cheguemos diante de D’us nos Solenes Dias de Julgamento ‑ quando deixamos para trás o materialismo do campo e entramos no mundo espiritual do Palácio ‑, quando dissermos que sentimos muito, não somente nós saberemos o que lamentamos, mas D’us poderá sorrir e responder: "Eu sei."
Num Yom Kipur eu estava orando sozinha, sentindo nada. Exausta, faminta, decepcionada e, para ser realmente honesta, irritada
De um ponto de vista pessoal, o perdão pode ser muito mais abrangente do que sabemos. Num Yom Kipur, eu estava orando sozinha, sentindo nada. Sem lágrimas, sem desculpas sinceras e sem verdadeiro perdão em meu coração. Sentei-me exausta, faminta, decepcionada e para ser realmente honesta, irritada. Então, eu comecei a me sentir culpada por sentir tudo isso, o que me fez sentir ainda mais culpa, e o ciclo continuou. Comecei a falar com D’us como se Ele estivesse na sala me ouvindo. E eu disse tudo. Eu disse a D’us que eu estava com fome. Eu disse a Ele que eu estava cansada. Eu disse que se Ele queria que eu fosse uma pessoa mais espiritual, então Ele deveria ter me feito assim. Eu disse a D’us que se Ele queria que eu fosse alguém diferente do que eu era, então a culpa era d’Ele. Ele criou-me como eu sou. Então eu disse a coisa que eu tinha mais medo de dizer. "D’us, eu estou com raiva de Você. Você me fez com tantas falhas. Você me deu tanta dor. Você tem levado embora pessoas que eu amo. Você quebrou meu coração". Mas então, uma vez que eu disse isso, eu não estava mais com raiva. Na verdade, um sentimento tomou conta de mim sem que eu tivesse qualquer intenção dele. E antes que eu pudesse pensar sobre isso, as palavras saíram da minha boca: " D’us, eu te perdoo".
Eu sei que, logicamente, D’us não precisa do meu perdão. Na verdade, eu realmente acredito que tudo D’us faz para mim é tudo uma bênção, mesmo que eu não possa vê-lo. Não era D’us que precisava que eu sentisse perdão em meu coração, era eu mesma. Com aquelas palavras eu fui capaz de chegar a todas as áreas da minha vida e encontrar o perdão para aqueles em minha vida que eu nem sabia que eu precisava perdoar. Perdoei meu filho de 2 anos e meio por toda a dor que ele me causou durante a gravidez e nascimento, pelas noites em claro e choro interminável. Perdoei os meus pais por não serem perfeitos como eu percebia que deveriam ter sido. Perdoei meu marido por não ser o homem exato que eu queria que ele fosse. E eu me perdoei por ser profundamente falha, cometer erros, e não viver de acordo com as minhas próprias expectativas.
Tenha um Elul belo e abençoado!
