Beit Lubavitch Rio
Como posso te ajudar?
Impresso deBeitLubavitchRio.org
ב"ה

O dia do nascimento

Terça-feira, 20 Agosto, 2013 - 13:36

 807.JPG

Desde que homens e mulheres têm sido dados à luz, eles têm tido aniversários. Festas de aniversário não são tão antigas assim, mas elas remontam a pelo menos 3500 anos (o livro de Gênesis menciona um banquete em homenagem ao aniversário de um faraó em 1534 aEC). A coisa interessante sobre festas de aniversário é que, por grande parte da nossa história, não eram consideradas um costume muito "judaico".

Isso não quer dizer que não existam fontes na Torá para o conceito de um aniversário. O Talmud fala da excepcionalidade da data de nascimento de uma pessoa, como um tempo de capacitação e oportunidade para ele ou ela. Um dos dias mais importantes do ano judaico é Rosh Hashaná, aniversário de Adão – e da humanidade. Mas, como regra, os judeus não celebravam seus aniversários. De fato, enquanto as datas do passamento (yursait) das grandes figuras da história judaica são registradas e comemoradas, suas datas de nascimento são na sua maioria desconhecidas.

O rei Salomão deu voz a esta atitude quando disse: "Melhor o dia da morte do que o dia do nascimento de alguém" (Eclesiastes 7:1). À vista disto, esta parece ser uma visão bastante negativa da vida. Mas uma contemplação mais profunda da frase de Salomão reconhece nela a atitude clássica judaica que "a ação é a coisa suprema" – que a verdadeira realização, em vez de o conceito, a teoria ou o potencial, é o que é significativo.

O recém-nascido pode ser repleto de genialidade e talento - mas ele ou ela ainda não fez nada com ele. Então, o que há para comemorar? Quem pode saber se o potencial será realizado? Ou que será realizado para bons e divinos objetivos?

No dia do falecimento de uma pessoa, por outro lado, é o ponto culminante de sua missão na vida. Este é o momento quando a soma total de suas conquistas tornou-se realidade, para exercer sua influência combinada em nossas vidas. É por isso que o yursait de uma grande pessoa é uma ocasião tão especial: quando celebramos uma vida, fazemo-lo no momento de seu maior impacto sobre o mundo.

Mas também, se fôssemos atribuir importância ao puro potencial, o aniversário também não seria o momento de comemorar isso. Semanas e meses antes de o feto emergir do útero, tem mãos e pés, um coração pulsante e um cérebro pensante. Se vamos celebrar a criação de um novo potencial, o momento para isso é um ponto antes do aniversário, talvez, o momento da concepção.

Se você está pensando em comemorar seu aniversário, você vai ter que se perguntar: “Sim, eu nasci, mas o que aconteceu?”

 


 

Albert Einstein supostamente declarou: "A ilusão de que estamos separados um do outro é uma ilusão de ótica de nossa consciência." Você olha para si mesmo e você olha para mim, e você vê duas entidades. Mas a matéria não é realmente "sólida" ou ajuntada em corpos, é um vasto amálgama de pontos infinitesimais, cada um exercendo uma complexa teia de forças e reações em seus companheiros. Um "ser humano" não é mais nem menos que uma entidade distinta do que um átomo em seu corpo, do planeta que habita, ou do universo como um todo.

Fisicamente, não há uma divisão real entre o seu corpo e o meu. Mas há uma realidade mais profunda do que a descrita pelas leis da física. No coração da visão de vida da Torá está a ideia de que cada ser humano individual tem uma alma – uma identidade espiritual distinta, e uma missão distinta na vida.

Isto é o que surgiu em seu aniversário. Não sua existência física, não sua vitalidade, e não o seu potencial espiritual. O feto existe, está vivo, pensa e sente. Mas ele é definido pela lei da Torá como "um membro de sua mãe". Não é uma entidade distinta, uma coisa em si mesma. O nascimento marca o ponto em que seu corpo recebeu e se fundiu com a sua alma, o ponto em que você atingiu a sua individualidade.

Nos últimos tempos, o aniversário foi reinstituído como uma ocasião judaicamente e espiritualmente significativa. O Rebe Anterior (Rabino Yossef Yitschac Schneerson, 1880-1950) promoveu a celebração do 18 de Elul, o aniversário de duas grandes figuras do movimento chassídico: Rabino Israel Baal Shem Tov , fundador do Chassidismo, e Rabino Shneur Zalman de Liadi , o fundador do seu ramo Chabad. Hoje, tornou-se costume difundido entre os judeus – especialmente entre os chassidim – comemorar os aniversários de tsadikim e líderes, e designar o próprio aniversário como um momento de introspecção e celebração.

Não é por acaso que o renascimento do aniversário está entrelaçado com o renascimento do Chassidismo. Uma das mensagens centrais do Baal Shem Tov e seus discípulos é a própria mensagem do aniversário:

"Você, como um indivíduo", disseram os mestres chassídicos, "é especial, único e absolutamente indispensável. Nenhuma pessoa viva, nenhuma pessoa que já viveu, e nenhuma pessoa que jamais viverá, pode cumprir o papel específico na Criação de D'us confiado a você".

Comentários sobre: O dia do nascimento
Não há comentários.