Qual é o propósito de um antissemita? Só isso: lembrar os judeus que eles são
judeus!
Por Shimon Posner
Ele já foi chamado de "o ódio mais antigo do mundo." Ele continua a erguer sua feia cabeça em todos os países e continentes. Se ele se manifesta no fanatismo bruto da massas ignorantes ou as sutilezas sarcásticas da nata superior, o antissemitismo é um fato da vida.
Claro, todos nós desejamos que fosse finalmente embora. Tínhamos até razão para esperar que depois de Auschwitz, ele realmente o faria. Quem de nós não quer se sentir aceito e apreciado? Mas há um argumento forte para sugerir que, de uma forma perversa, o antissemitismo tem sido bom para os judeus. O filósofo francês Jean-Paul Sartre destacou este parodoxo em seu livro “Reflexões sobre a Questão Judaica”. Sem os lembretes constantes e ameaças à nossa existência, nós, judeus, teríamos sido induzidos a um estado de paz e de amnésia nacional passiva. Seguros em nossas zonas de conforto, poderíamos ter perdido grande parte da nossa identidade única.
A história registra que, sob regimes que nos perseguiram, permanecemos firmemente judaicos, enquanto que, sob as formas mais liberais de governo, nós gradualmente abraçamos a cultura dominante que nos dá boas-vindas, mas perdendo muito da nossa própria.
Nos anos 70, quando eu estava trabalhando com estudantes universitários judeus, estávamos lutando para quebrar através de uma parede de indiferença gelada em direção ao Judaísmo. Foi tão frustrante que meus colegas e eu mesmo até consideramos a possibilidade de na calada da noite entrar no campus,para pintar algumas suásticas no prédio da União dos Estudantes, na esperança de que isso iria sacudi-los fora de sua apatia. É claro, nós nunca realmente fizemos isso, mas confesso que fiquei muito tentado.
Fomos instruídos a lembrar o ataque não provocado pela nação de Amalek contra os israelitas quando saíram do Egito, na parashá Zachor. O comando vem na forma da palavra-zachor —“recordar”—, no início da seção. As palavras finais são “lo tishkach” —“não se deve esquecer”. Mas por que a necessidade de ambas expressões? E qual é a diferença entre "lembrar" e "não esquecimento"? Certamente uma delas parece supérflua, não?
Comentários sugerem que "recordar" é um comando para o povo judeu, enquanto que "não se esquecer" parece ser mais uma previsão, ou seja, eles não vão deixar você esquecer! Se você nunca cair em uma falsa sensação de segurança e esquecer o seu judaísmo, os anti-semitas do mundo vão estar lá para lembrá-lo quem você é, "um povo que habita só" (Números 23:9).
Tudo tem um propósito na criação. Não há nada de supérfluo no mundo que o Eterno criou. Então, qual é o propósito de um antissemita? Só isso: lembrar os judeus que eles são judeus!
Quando os judeus são alvos
Mas por que esperar pelos amalequitas deste mundo para que venham nos lembrar? Será que queremos ou precisamos de sua provocação? Em vez disso, sejamos judeus proativos, positivamente judaicos e judaicamente positivos. Você pode cantar a velha canção iídiche de duas maneiras. Ou é “Oy, es iz gut tzu zein a yid...” ("Oh, é bom ser um judeu...") ou “Oy, es iz shver tzu zein a yid” ("Oy, é difícil ser um judeu..."). Há um milhão de bons motivos, razões positivas, para ser orgulhosamente judeu. Se 70 anos atrás ser judeu carregava uma sentença de morte, hoje é uma sentença de vida, prometendo uma vida significativa e abençoada. E quando decidimos viver vidas de judeus orgulhosos e comprometidos, fazemos uma descoberta fascinante: quando respeitamos a nós mesmos, o mundo também nos respeita. E isso se aplica em toda escala, desde o indivíduo judeu à comunidade judaica coletiva.
O judaísmo é uma bênção, não um fardo. Devemos ser leais à nossa herança. É uma insígnia de honra para vestir com orgulho nobre. Se você não sabe o porquê, vá e estude, mas isso é outro sermão.
