Beit Lubavitch Rio
Como posso te ajudar?
Impresso deBeitLubavitchRio.org
ב"ה

Como amar quando o amor está morrendo

Quinta-feira, 21 Novembro, 2013 - 21:40

 

Há dois tipos de amor.shyh7800516.jpg

Há o amor desde o ventre. Um pai, por natureza, ama um filho. Irmãos, desde o nascimento, são ligados um ao outro. O amor veio antes, as condições reais são apenas uma reflexão tardia.

Na verdade, a chama pode queimar calmamente. Eles próprios podem até mesmo não reconhecer seu amor um pelo outro. Mas ele queima certamente, ininterruptamente. A chama pode tremular, mesmo se esconder dentro das brasas, mas ela está lá, sempre.

É por isso que você não pode se divorciar de seus pais, ou de seus irmãos, ou do seu próprio filho. Porque com este amor você foi concebido, e com ele, você nasceu. Portanto, não está em suas mãos o poder de extingui-lo.

Por outro lado, há o amor entre marido e mulher. Ele nasceu muito tempo depois que este homem e esta mulher nasceram. E, portanto, não importa quão brilhante seja sua chama ou intenso o seu calor, há condições em que ela pode ser arrancada de seu pavio e desaparecer como se nunca tivesse existido.

É por isso que a Torá nos fala primeiramente sobre o casamento no contexto do divórcio. A Torá não nos diz: "Esta é a forma como vocês devem se casar e se, for preciso, é assim que se procede o divórcio". Pelo contrário, ela diz: "Se você se casar, mas, em seguida, tiver que se divorciar, é assim que deve ser feito”. No Talmud, também, o tratado sobre o divórcio precede o tratado sobre o casamento.

Porque, para manter um casamento, você precisa saber que, mesmo se a chama está bem conectada ao pavio hoje, e dá saltos e estalos, amanhã ela pode desatar seu vínculo e desaparecer. A cada novo dia, essa ligação deve ser reforçada, e a chama deve ser alimentada, arejada e valorizada.

Sim, há momentos em que você deve fugir do amor, quando até mesmo a Torá diz que esta mecha deve ser quebrada, este vínculo de casamento, cortado.

Mas, enquanto essas condições extremas não são atingidas, segure firme esta chama. Mesmo se você não consegue mais sentir o seu calor, você ainda tem a memória daquele amor. Aja com amor, fale com amor, reflita sobre como aquele amor nasceu, e reviva esse amor. Proteja-o de cada tempestade, mantenha-o queimando, mesmo quando o óleo for apenas uma fina película no fundo do lampião. Então, com certeza, aos poucos, a chama vai queimar fundo até atingir a sua própria alma. E lá vai despertar um outro amor, um amor que nunca morreu, tão permanente como o de um irmão e uma irmã, mas com a intensidade do fogo de marido e mulher.

E assim Abraão disse a Sarah: "Diga que você é minha irmã". Assim eles se uniram em um vínculo essencial, uma ligação de almas que não pode ser quebrada.

Suas almas são irmão e irmã — talvez mais próximas ainda. Se eles podem retornar a esse ponto de unidade, um novo tipo de amor irá surgir. Um amor incondicional.

Porque, na verdade, as almas de marido e mulher são irmão e irmã — talvez mais próximas ainda. Antes de entrarem neste mundo, elas eram um só ser. Apenas enquanto desciam para investir-se dentro de um corpo é que se dividiram. Se o casal persistir em sua jornada até retornar ao ponto de unidade, um novo tipo de amor irá surgir. Um amor incondicional.

O que é o amor incondicional? Isso não significa que não há limites, que tudo está bem e nada deve ser resolvido. O amor requer combustível, o amor requer um refúgio do vento e da tempestade para que ele possa queimar. O amor incondicional simplesmente significa que não importa o que, tudo pode ser resolvido. Isso significa que se no núcleo ainda somos um, então agora sejamos um na periferia também.

Como águas paradas espelham o rosto que olha acima delas, assim o coração de uma pessoa reflete o coração do outro. Mostre amor incondicional e, eventualmente, você vai receber o mesmo.


Comentários sobre: Como amar quando o amor está morrendo
Não há comentários.