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Uma lição de Chanucá

Quinta-feira, 28 Novembro, 2013 - 21:43

Espiritualidade versus religião

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Por Samantha Barnett

 

O professor universitário escreveu duas palavras no quadro-negro: "espiritualidade" e "religião." Nosso trabalho era o de articular a diferença entre as duas. Foi uma conversa que mudaria minha vida.

Muitas pessoas afirmam ser "espiritualizadas" sem anexar essa espiritualidade a nenhuma religião específica. Para elas, a espiritualidade é um estado de espírito. Elas estão procurando por D-us onde quer que possam encontrá-Lo.

Há algo de belo nessa pesquisa mas, no entanto, sem uma raiz no ritual e sem uma base no divino, aquela centelha pode ser facilmente corrompida e usada para o interesse próprio do homem, em vez de ser usada para o que é bom e santo no mundo.

Mesmo se alguém tem a noção de um poder mais alto, espiritualidade sem ritual é como canalizar a luz divina no mundo, sem qualquer vaso para contê-la. A luz corre o risco de queimar tudo.

No extremo oposto estão aqueles que se rotulam "religiosos." Eles são as pessoas do "ritual". É através das tradições da sua religião que eles se sentem ligados e enraizados em suas comunidades e, idealmente, ao seu Criador.

Mas só porque as pessoas dizem ser "religiosas", não significa necessariamente que elas sejam espiritualizadas, especialmente quando elas fazem a sua religião sobre as regras e não sobre o espírito por trás dessas regras.

Na religião que é movida sem qualquer emoção, está faltando algo. Esse algo é o espírito da lei, toda a razão pela qual estamos fazendo as coisas em primeiro lugar. O quadro geral.

Então, qual foi a nossa conclusão em sala de aula? Espiritualidade e religião não são mutuamente exclusivas. Ambas são missões para encontrar e se conectar com o Eterno.

Essa resposta me alterou profundamente. Precisamos das duas, conclui, para viver uma vida boa e significativa. E quando eu explorei o pensamento judaico, eu achei uma bela simbiose de espírito e ritual.

O judaísmo não é ritual pelo ritual. Judaísmo é elevar o mundo físico a um nível espiritual. Tomamos os prazeres mundanos da vida e elevamo-los a uma dimensão espiritual através do ritual. E enquanto executamos essas mitzvot físicas, nos conectamos com D-us.

Em Chanucá, dedicamos nossas casas para a verdadeira definição de espiritualidade. No judaísmo, a casa é um mini-Templo. Este lugar, o mais mundano dos lugares, onde dormimos, comemos, nos entretemos, é um lugar de espiritualidade. É aí que a chanukiá, o símbolo do feriado, é exibida. O lugar ideal para colocar a nossa chanukiá é do lado de fora da nossa porta, em frente à mezuzá.

As palavras mezuzá e menorá são igualmente escritas, com exceção de três letras. As letras que são diferentes na palavra menorah formam a palavra ner, que em hebraico significa "vela". As letras que são diferentes na palavra mezuzá formam a palavra zuz, que significa "mover-se."

A menorah e a mezuzá representam duas formas de influenciar o mundo. A menorá simboliza luz. Pessoas que iluminam lideram pelo exemplo. Seu espírito emana delas. Elas fazem você querer ser uma pessoa melhor, porque elas vivem uma vida elevada.

A mezuzá representa uma outra forma de influenciar o mundo. A mezuzá representa o movimento. Devemos colocar uma mezuzá em cada porta de nossa casa. Cada quarto tem uma energia diferente conforme o motivo para que ele é usado, de modo que quando você anda através de cada cômodo da casa, você entra em uma energia e sai de outra.

A mezuzá simboliza ritual e ação, ir para fora e realmente mudar o mundo.

O objetivo da Chanuká é divulgar o milagre da verdadeira espiritualidade.

A espiritualidade que é eterna. A que mescla ritual com o espírito.

A história de Chanuká ilustra esse ponto. Os gregos não se importavam com a "espiritualidade" dos judeus. O que realmente os incomodava era os rituais que conectariam aquela espiritualidade com D-us. Eles estavam bem com os judeus tendo uma conexão intelectual e estética com D-us, mas não uma relação emocional.

Os gregos não queriam destruir o Templo sagrado dos judeus. Na verdade, eles o adoraram por sua bela arquitetura. No entanto, eles não se importaram de impurificar o Templo para que os judeus não pudessem mais praticar seus rituais lá.

Os gregos proibiram o Shabat, a circuncisão e Rosh Chodesh. O Shabat santifica o tempo e dá a ele uma dimensão espiritual. No Shabat, paramos nosso trabalho criativo no mundo, a fim de retornar para a essência de quem realmente somos, uma alma. No Shabat, lembramo-nos da nossa Fonte.

A circuncisão aperfeiçoa o corpo masculino através de ritual. Ela também representa o homem controlando seus impulsos. Os gregos não gostavam das ideias de imperfeição ou de restringir o corpo.

Rosh Chodesh é a celebração de um novo mês hebreu; sem ele, os judeus não saberiam quando comemorar seus festivais. Sem festas, os judeus não poderiam realizar os rituais ligados à energia espiritual de cada mês. Além disso, o calendário judaico baseia-se na lua em vez do sol. A luz da lua é um reflexo da luz do sol, que representa a forma como a nossa vida deve ser um reflexo da luz de D-us.

Os gregos definiram espiritualidade pelo caminho errado. Eles definiram pela estética, pelo hedonismo e pelo intelectualismo. Sua espiritualidade estava ligada à beleza física e ao prazer, mas não conectavam-na a um propósito mais profundo e mais alto. Eles não estavam interessados em rituais, porque isso conectaria a "espiritualidade" que eles viam no mundo físico ao Eterno.

A verdadeira espiritualidade requer a utilização do mundo físico para se conectar com o divino. Nosso conhecimento da Torá é destinado não só a ser aprendido como uma disciplina, mas também para ser integrado em nossas vidas através de ritual, a fim de mudar a nós e ao mundo ‑ para melhor.

Precisamos tanto de espírito como de ritual, porque eles são realmente um.

 

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