Luzes de Chanucá
Por Karen Rapaport
Ah , Chanucá! Chanucá não é o cheiro de latkes frescos, as menorot, os sevivons. Existe a festa, a fantasia, a magia. Mas isso, também, não é a luz.
A luz a que me refiro não é aproveitada através da tecnologia moderna, nem emitida através de lâmpadas de halogêneo. É uma luz espiritual.
De acordo com nossos sábios, a luz que foi concebida no primeiro dia da Criação ficará oculta até a vinda de Mashiach. Enquanto isso, D‑us tem ocultado essa luz em quatro lugares, um dos quais são as 36 velas de Chanucá (total dos 8 dias).
Como você pode imaginar essa luz, uma luz intocada, absolutamente pura?
Você não pode.
Mas, apesar de não podermos entender D‑us em sua totalidade, na sua integralidade , nós, os seres humanos, fomos abençoados com faculdades para compreender um pouco do incompreensível. E só esse pouco, mesmo que seja apenas uma quantidade infinitesimal, é todo-poderoso. Ele reconstrói, restaura, salva. Então, você pode imaginar se tivéssemos acesso a mais dessa luz? Bem, isto é o que temos em Chanucá.
O Talmud descreve esta luz especialíssima desta forma: "Com a luz que o Santo, Bendito seja Ele, criou no primeiro dia, Adão olhou e foi capaz de ver de uma extremidade do mundo até a outra."[1]
Não é a mais bela metáfora?
O que o Talmud quer dizer quando se refere à capacidade de ver de um lado do mundo até o outro? Talvez signifique ver a imagem grande, ter uma compreensão mais completa do denominador comum que liga eventos em nossas vidas e em nosso mundo[2]. Talvez, quando reconhecemos estes links, nos aproximamos mais de nosso lugar único dentro da imagem maior. Afinal de contas, ninguém pode cumprir a nossa missão pessoal, ninguém pode substituir a nossa peça particular no mosaico que chamamos vida.
O que significa para você “ver de uma extremidade do mundo à outra”?
Estou evoluindo e me movendo em direção a algo?
Talvez isso signifique uma mudança de ponto de vista, a capacidade de ver para fora de nós mesmos. Talvez isso signifique questionar, mas nem sempre obter as respostas imediatas: Estarei evoluindo e me movendo em direção a algo? Estou crescendo gradativamente? Estou em paz comigo mesmo quanto a semear sementes que possivelmente não sejam colhidas senão até mais tarde — talvez nesta vida e talvez, não? O meu escopo é de grande alcance? A minha visão é ampla e larga? Estarei atolado nos detalhes da vida, ou iluminado por seus desafios?
A minha visão está me levando em direção a um lugar mais elevado, mais exaltado, um lugar que seja apropriado para a filha ou o filho do Rei? Afinal, o universo não poderia estar completo sem a minha contribuição.
A luz oculta na Criação está prestes a ser revelada. Ela vai recuar depois de Chanucá . Será que vamos honrar sua aparição em nossas vidas?
Como podemos levar a bom termo a plena potencialidade deste momento, este tempo que é Chanucá? O que seria mais parecido com "luz em nossas vidas”? Mais bondade, mais aceitação, mais doação? Tempo com a nossa família, tempo na sinagoga, tempo conversando com o Todo-Poderoso?
A lista é tão infinita quanto à luz e, graças a D‑us, assim também são as recompensas eternas.
[1] Chagigah 12a.
[2] Pinchas Winston, The Physics of Kabbalah.
