por: Bracha Goetz
Eu não faço isso muitas vezes, mas uma noite na semana passada, depois de
escovar os dentes, eu parei e olhei incrédula para a imagem no espelho do armário de remédios sobre a minha pia do banheiro.
Era difícil acreditar que havia tantas pequenas linhas ao redor dos meus olhos, rugas de expressão, eu acho que você poderia defini-las. E havia uma mulher lá cujo cabelo estava ficando quase todo cinza e eu simplesmente não conseguia descobrir como ela poderia ser eu.
Quando eu fui para a cama, ainda estava pensando sobre isso, e então, de repente, ocorreu-me que havia uma boa razão para me sentir desconectada da minha imagem de envelhecimento. E isso não tem a ver com vaidade —, realmente.
É realmente uma razão maravilhosamente libertadora. Como pareceu ressoar no coração de uma colega de trabalho com quem eu compartilhei, aqui vai: Por que existe um sentido espantoso de desconexão quando se olha no espelho? Embora nossos corpos estejam mostrando cada vez mais os sinais da idade, as nossas almas não estão. Elas são estão vibrantes como estavam no dia em que nascemos, porque elas não têm idade.
Isso significa que é perfeitamente natural nos sentirmos desconectados de nossas imagens de envelhecimento. O que nos torna verdadeiramente quem somos, a nossa essência, não envelhece — nunca. Nossos corpos declinam com o tempo, mas as nossas almas não se alteram. Elas são a parte de nós que é uma parte de D’us —, por isso não há desgaste.
É fato, o declínio normal dos nossos corpos, na verdade, parece maravilhosamente projetado para deixar progressivamente mais claro para nós o que somos: almas — e não os corpos que vestem nossas almas.
No dia seguinte ao que tive essa revelação, por conta de me sentir muito, muito mais jovem do que a imagem que eu vi refletida no espelho na noite anterior, essa ideia deve ter ficado ainda perambulando no fundo de minha mente. Foi quando Karen, uma amiga e colega de trabalho da minha idade, parou no meu escritório no final da tarde para se despedir. Ela pôs a cabeça para dentro da sala para dizer que estava ansiosa por voltar a desfrutar do clima de primavera, o que de alguma forma me fez lembrar de novo dessa ideia sobre o envelhecimento dos nossos corpos, mas não das nossas almas.
Isso tocou numa tecla dentro da Karen, que mesmo que ela estivesse ansiosa para sair e mergulhar em um novo calor, — e apesar de ela já ter batido seu cartão de ponto —, ela ficou por aqui para compartilhar comigo um monte de exemplos de como isso fez sentido para ela também. Karen disse que à medida que envelhecemos, temos tanta alegria de se dar aos outros, como fazíamos quando éramos mais jovens, ou talvez até ainda mais.
Ela continuou animadamente dizendo que à medida que envelhecemos, temos tanto prazer em músicas, aromas e paisagens maravilhosas que entram em nossas almas e animam os nossos espíritos como sempre fizemos, ou talvez mais. E, como o nosso corpo muito lentamente — ousamos dizer —, se deteriora, a nossa paixão pelo calor do amor significativo, e pelo calor do sol, não parece diminuir absolutamente, parece até mesmo aumentar.
Nossas almas — e o que as faz brilhar com eterna energia — parecem feitas para tornar-se cada vez mais evidentes à medida que o tempo passa.
Espelho, espelho, na parede,
O que você tem para nos dizer?
Somos almas, mas para que não esqueçamos,
os sinais da idade nos ajudam a refletir.
BY BRACHA GOETZ
Bracha Goetz is the Harvard-educated author of several children’s books, including Remarkable Park, What Do You See in Your Neighborhood? andThe Invisible Book. You can contact Bracha for presentations or questionshere.
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