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Será que estamos derretendo?

Quarta-feira, 18 Dezembro, 2013 - 13:14

jKiH1244730.jpgPor Dovid Zaklikowski

Existe um futuro ?

Muito do que fazemos é baseado na noção de que há um futuro. Ter filhos, por exemplo. Preocupar-se com o efeito a longo prazo de nossas ações. Importar-se com alguma coisa.

Alguns poucos anos atrás, havia basicamente um tipo de pessoa que proclamava a todos ao seu redor que ”o mundo está chegando ao fim". O tipo que recebia um olhar compassivo aflito, e talvez, um trocado para uma xícara de café. Hoje, é uma noção seriamente debatida por cientistas, lobistas e líderes mundiais. Diariamente somos alimentados com uma dieta de notícias alarmantes sobre o acúmulo de gases de efeito estufa, derretimento da Calota Ártica, desaparecimento dos ursos polares e o aumento do nível do mar, juntamente com as previsões de um mundo que em breve será um deserto estéril, submerso sob o oceano, ou ambos.

À medida que as previsões catastróficas começarem a se infiltrar em nossa consciência, uma nuvem de desespero começará a embaçar nossas ações? Será que a nossa fé na certeza da vida começará a vacilar? Será que a determinação e resolução necessárias para enfrentar os desafios da vida começarão a abrandar?

Dúvida no Egito

wrnu1219124.jpgEgito, 1394 aEC. O Faraó decretou que todos os judeus recém-nascidos do sexo masculino fossem atirados ao Nilo. Isso efetivamente faria dos hebreus uma tribo extinta, uma relíquia da história. Sem qualquer futuro, não havia aparentemente qualquer propósito na vida, e certamente nenhum ponto na procriação. Esta foi a linha lógica de raciocínio adotada por Amram e sua mulher Yocheved, que decidiram, portanto, se divorciar. Não havia sentido em ficar casados.

Miriam, sua filha mais nova, advertiu -os a não desistir. Existe um Plano Mestre do qual não estamos inteirados completamente, ela insistiu. Não há motivo para desespero, quando apenas D‑us sabe o que o futuro nos reserva, o que o nosso destino tem reservado para nós.

Eles viram a sabedoria de suas palavras e casaram-se de novo, seus corações cheios de confiança em D‑us. Seu ato de coragem foi recompensado. Moisés nasceu. Houve um futuro, e que futuro brilhante este era!

Kidush em um pedaço de pão


Dovid Henoch Zaklikowski, homônimo do autor, em sua juventude.

Auschwitz. 1945. Meu avô, Reb Henoch como era conhecido antes da guerra, está na fila das infames câmaras de gás de Auschwitz. Seu sorriso habitual tinha desaparecido ao longo dos meses que passara em Auschwitz, substituído agora por uma carranca e olhar deprimido. Ele sabia exatamente para onde a fila se dirigia, não havia segredos. O mundo estava terminando, aqui e agora. Não havia como voltar atrás. Não havia futuro ‑ não para ele, nem para o seu povo.

Era sexta-feira à noite, começava o sagrado Shabat que cuidara da nação judaica desde a sua redenção do Egito. Henoch procurou algo em seu bolso e o achou. Eram os restos de pão duro que ele havia poupado durante toda a semana. Ele tinha racionado a sua porção escassa de pão de cada dia, de modo que no final da semana, poderia santificar o Shabat ao recitar o kidush sobre algumas cascas de pão.

Ele estava determinado a fazer esta mitsvá, mesmo que ela fosse sua última. Para o espanto absoluto daqueles que estavam perto dele na fila, e apesar de seus débeis protestos, ele começou a recitar o kidush como se estivesse de pé à sua mesa de Shabat. Ele comeu uma migalha e dividiu o restante com outros judeus ao seu redor.

Naquela noite, os céus abriram-se para ouvir o kidush do meu avô. E naquele exato momento, o mecanismo que operava a câmara da morte apresentou um defeito. Trinta anos depois, ele ainda estava por aqui para contar a história daquele Shabat crucial em Auschwitz.

Seu Shabat continua vivo em meu filho, quando ele está ao meu lado no momento em que santifico o dia de descanso sobre um copo de vinho à minha mesa de Shabat, no Brooklyn. Henoch não desistiu e havia um futuro.

Nós Derreteremos?

Tal é o caminho do judeu. Nunca desistir. Há sempre um futuro, e um bom futuro! Por isso mesmo, desistir do futuro é em si um duplo fracasso!

A academia vai continuar a debater se o nosso destino está nas mãos da mudança climática. Nós, por nossa parte, continuaremos a fazer o que precisamos fazer, com a intenção de tornar este mundo um lugar melhor, com menos poluição, menos violência e escuridão.

Uma coisa, no entanto, nós nunca duvidamos. Há um futuro!

 

POR MIDOV ZAKLIKOWSKI

Dovid Zaklikowski é o diretor dos Arquivos Lubavitch e está na equipe editorial de Chabad.org. Dovid e sua esposa Chana Raizel são os orgulhosos pais de quatro: Motti, Meir, Shaina & Moshe Binyomin.

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