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O acidente de moto do Rabino

Terça-feira, 07 Janeiro, 2014 - 20:54

O Acidente de moto do RabinonwEo7912590.jpg

PorHershy Drukman

 

É sexta à tarde no centro de Paris.

 O Shabat está próximo, portanto, eu pego minha moto e me dirijo para casa.

Eu moro na França, servindo como um emissário Chabad em S.-Maur-des-Fossés, uma pequena cidade ao sul de Paris.

Está chovendo muito, e a pista está escorregadia. Eu diminuo a velocidade, ajustando meu capacete.

De repente, eu noto um carro esportivo entrando na intersecção. O motorista não me percebeu aproximando-me em alta velocidade.

A situação é perigosa, e meu coração dispara. O que fazer? Freiar numa pista molhada a 80 km/h? Há risco de capotamento. Continuar? Uma colisão seria inevitável.

Eu freio rapidamente. A moto derrapa, e eu caio no chão. Estou esperando os carros que se aproximavam. São estes os meus últimos momentos?

Silêncio. Um carro para e bloqueia a estrada. Eu mesmo verifico se há lesões. Obrigado Hashem, eu estou bem. Eu tento sair da rua.

Uma mulher corre em minha direção. "Você está bem?", ela pergunta em francês. "Posso ajudar?"

"Eu acho que estou bem", respondo, retirando meu capacete. Ela parece surpresa, talvez não esperasse um homem barbudo. Não há muitos em Paris.

"Está tudo bem?", ela insiste, desta vez em hebraico. Agora eu é que estou surpreso.

Ela se apresenta como Madame Katia Dahaan. "Eu moro perto, e estava passando", diz ela. "Eu não esperava ver um judeu, muito menos um rabino."

" E o hebraico?", pergunto.

"Ah, isso é de viagens para Israel, anos atrás", diz ela.

Katia quer falar, mas eu peço desculpas e explico: "É quase Shabat e eu preciso ir."

Katia fica surpresa ao ouvir “que o Shabat está chegando”. Sua reação me intriga. Quase 400 mil judeus vivem naquele bairro, não é difícil saber que hoje é erev Shabat.

"Você acende velas de Shabat?”, pergunto.

Katia me dá outro olhar estranho. Ela resmunga: "Não, eu não”.

"Posso convidá-lo para passar Shabat em nossa casa?”, ofereço.

"Qual Shabat?", ela pergunta com surpresa.

"Hoje à noite”, respondo.

Um sorriso surge. “Eu não acho que eu posso ir nesta noite, mas ficaria feliz em poder ir em outro Shabat ", diz ela. Trocamos números de telefone, e parti.

Katia não veio naquela noite, nem no próximo Shabat. E eu não consegui encontrar o seu número, embora tenha tentado de tudo para localizá-lo.

Quatro meses se passam. Certa manhã, recebi uma mensagem de texto de um número desconhecido.

Momentos depois, meu telefone tocou.

"Rabino? É Katia Dahaan. Você se lembra de mim?"

"Claro! Nós ainda estamos esperando você para o Shabat".

"Quando eu posso ir?"

"Por favor, no próximo Shabat!"

Naquela sexta-feira à noite, Katia foi uma de nossos convidados. Ela estava muito emocionada o tempo todo.

Perguntaram-me quem era ela. Eu disse a eles a história sobre o acidente. E concluí: "Você pode dizer que ela foi um mensageiro de Cima para me ajudar durante os momentos de terror".

Katia olhou para nós com um sorriso e disse: "Eu acho que é hora de você ouvir a minha versão...

“Eu tenho 45 anos e moro sozinha. Tenho uma irmã e mãe, mas não tenho falado com elas há mais de vinte anos.

 "É difícil ser sozinha, especialmente para uma mulher judia. Meus pais eram tradicionais, fazíamos kidush, comemorávamos feriados e jejuávamos no Yom Kipur. Mas desde que fui morar sozinha, parei de observar.

"Quando você mora sozinho, é difícil de fazer kidush, porque não há nenhum familiar para se unir na refeição. É difícil ir à sinagoga sozinha. Eu nem sequer tenho amigas judias.

"Cerca de dois anos atrás, depois de anos de estar desconectada do judaísmo, eu queria voltar para a minha religião. Eu decidi encontrar um emprego em um ambiente judaico. Desta forma, eu ia fazer amigos, e talvez ser convidada para o Shabat e festas.

"Eu encontrei um emprego em uma loja de sapatos no Pletzel. Todos os trabalhadores locais eram judeus, e eu fiz amigos.

"Mas havia um problema com o Shabat. Às sextas-feiras eles se desejavam 'Gut Shabes' uns para os outros, e às segundas-feiras, contavam uns aos outros como tinha sido o Shabat. Ninguém prestava atenção em mim. Toda semana eu esperava por um convite, mas a cada semana era mais uma decepção.

"Quase um ano se passou... ‘Será que os judeus não me aceitam mais?’, perguntei a mim mesma. 'Como eles podem ser tão sem consideração?"

A voz de Katia ficou embargada pela emoção. “Eu fiquei muito irritada com os judeus e o Judaísmo. Eu decidi que não era para mim. Deixei aquela loja e encontrei outro emprego.

"Mas ainda havia o problema do Shabat. Toda sexta-feira eu me lembrava do Shabat da minha infância, as velas, kidush. Eu pensei: ‘Como posso parar essas memórias?’.

"Eu decidi encontrar algo para fazer nas noites de sexta. Eu encontrei um anúncio de um coro da igreja à procura de cantores nas noites de sexta-feira”.

O silêncio prevaleceu ao redor da mesa. "Eu fui aceita no coro, e faz um ano que eu estou cantando na igreja nas noites de sexta. Com um sorriso triste, ela acrescentou, "eu chego em casa tão cansada que não tenho tempo para pensar a respeito do Shabat”.

"Tudo correu bem até aquela sexta-feira", continuou Katia, “quando vi a moto caindo na estrada. Corri para ajudar o piloto e fiquei chocada quando ele me lembrou que era véspera de Shabat e me convidou! E ele nem mesmo me conhecia!

"Você acha que eu fui enviada para você?" concluiu Katia. "Eu acho que foi você que foi enviado para trazer de volta a minha alma".

Katia não canta mais na igreja. Ela passa toda sexta à noite com a gente ou outras famílias Chabad.

Assim, depois de tudo isso, aquilo não foi apenas um acidente de moto.

Comentários sobre: O acidente de moto do Rabino
1/8/2014

Nessim Dayan escreveu…

Isto é Hashgaha Pratit do ceu!!!!