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Combatendo a Ira com Fogo

Quinta-feira, 27 Março, 2014 - 12:07

 

Combatendo a Ira com Fogo

A munição espiritual das velas de Shabat

Por Rochel Holzkenner

 

© James Stock

© James Stock

 

"Grandes mentes discutem ideias; mentes médias discutem eventos; as mentes pequenas discutem pessoas."[1] Talvez, mas ter a mente pequena torna a conversa muito mais fácil. Falar sobre outras pessoas é algo tão natural e convincente, tão viciante e tão catártico. A fofoca é acusada de intriga, mas sente-se inócua no momento. É geralmente depois que a culpa se instala: "Qual foi mesmo o ponto daquela conversa?", " Será que eu violei a privacidade de alguém?", "Será que eu ficaria envergonhado se eles soubessem que eu estava falando sobre eles?"

A fofoca é acusada de intriga

Maimônides diz que "as pessoas que habitualmente fofocam vão acabar negando D'us". A fofoca faz a mente pequena ficar menor ainda. D'us torna-se menos relevante. "O que é D'us tem a ver com isso? Eu me importo com o que ele disse, com o que ela disse."

Nos tempos bíblicos, havia uma doença espiritual chamada tsaraat, a lepra. Um dos gatilhos clássicos para contrair tsaraat era falar lashon hará, fofocar. Uma vez que o erro era corrigido, a tsaraat era curada. Apesar de que a fofoca é um vício humano comum, a consequência de tsaraat era bastante grave. Não somente era o leproso considerado impuro, mas as coisas com que ele entrava em contato também se tornavam impuras.

A Mishná relata o seguinte caso: Se um leproso entra na casa de seu amigo, os vasos da casa tornam-se imediatamente impuros. O Rabino Yehudá diz, porém, que o proprietário da casa tem a oportunidade de pedir ao leproso que saia antes que seus vasos se tornem impuros. E qual é a janela de tempo do proprietário da casa antes que seja tarde demais? O intervalo de tempo que seria necessário para acender uma vela.[2]

Os comentaristas questionam o prazo do Rabino Yehudá. Acender uma vela é uma ação momentânea, e não um período de tempo muito generoso para dar ao infeliz dono da casa. Ele tem que perceber que o leproso entrou pelas suas portas e pedir-lhe para sair, tudo dentro de um intervalo minúsculo de tempo. Os comentaristas concluem que o rabino Yehudá está se referindo ao acendimento não de uma vela comum, mas de uma vela de Shabat. Acender velas de Shabat é um processo concentrado e ininterrupto que pode demorar alguns minutos para ser concluído. Assim, o proprietário tem tempo suficiente para pedir ao leproso que saia antes que seus próprios vasos se tornem impuros.

Para um místico, um ensinamento simples contém camadas de significado. Nada na Torá é simples ou técnico. O místico procura referências ocultas, o código para uma dimensão inteiramente nova de compreensão.

O leproso tem uma consciência esmaecida

O pai do Rebe, Rabino Levi Yitschac Schneerson, era um tal místico. Ele era um brilhante estudioso da Torá e o carismático Rabino-Chefe da cosmopolita cidade de Dnepropetrovsk, na Ucrânia. Para o Rabino Levi Yitschac, o fato de velas de Shabat serem usadas para medir o prazo do dono da casa é mais do que um cálculo técnico. Velas de Shabat, explica ele, são o antídoto perfeito para tsaraat. Enquanto uma pessoa está envolvida com velas de Shabat, ela estará imune à aflição da tsaraat. Aqui está a lógica cabalística por trás disso: Tsaraat é uma consequência da perda de or ha-chochmá, "a iluminação da sabedoria". [3] Em outras palavras, o leproso tem uma consciência esmaecida, a luz de seu intelecto foi retirada. Acender velas de Shabat, por outro lado, atrai a or ha-chochmá, iluminando e expandindo a consciência de quem acende as velas, a sua casa e o universo em geral. Quando uma pessoa está ocupada com o acendimento das velas de Shabat, luzes de maior consciência, ela não vai ser contaminada pela impureza da tsaraat, consciência limitada.

Mitsvot são comparadas a uma vela, e a Torá, à luz.[4] Mitsvot iluminam nossa perspectiva, expondo a mão de D'us por trás do véu do mundano. E de acordo com o Zohar, a mitsvá que é a mais luminosa de todas é a mitsvá das velas de Shabat! [5] Embora todas as mitsvot atraiam para esse mundo material uma consciência mais iluminada, as velas de Shabat fazem isso literalmente. Essa luz física é um display tangível da luz metafísica que vem da mitsvá. Em essência, as velas de Shabat são o símbolo para todo o Judaísmo.

O Talmud descreve a mitsvá de acender uma vela para o Shabat em termos pragmáticos. No Shabat, acender um fogo é proibido, por isso somos ordenados a acender uma vela pouco antes do pôr-do-sol, de modo que ninguém vá tropeçar em pedras ou galhos de árvores. As velas, assim, trazem shalom bait, a paz no lar.[6] Mas por que o Talmud destaca pedras e árvores? Não é suficiente dizer que as velas iluminam a casa para que ninguém tropece?

Idolatria é um desrespeito, porque dá crédito a quem não é devido

O Rebe sente uma mensagem mais profunda: O Talmud não quer que a gente tropece em pedras e madeira, os materiais que foram utilizados para fazer ídolos. Idolatria é um desrespeito porque dá crédito a quem não é devido. E apesar de que hoje não somos tentados a servir ídolos de pedra, somos impressionados com outros ídolos: o dinheiro, intelecto, poder, fama. As coisas que funcionam "sem" a ajuda de D'us. Assim, o Talmud diz que, se você adicionar luz — desenvolver uma consciência iluminada, esclarecida —, você verá que os ídolos são a matriz que D'us usa para orquestrar nossas vidas de uma maneira significativa. E essa consciência é o que vai trazer o verdadeiro shalom bait.

Enquanto você está ocupada acendendo as velas de Shabat, diz o Rabino Yehudá, a impureza da tsaarat não a oprimirá. Ela vai ficar na porta, mas não vai invadir a sua casa. Enquanto você está inundada com consciência de D'us, a consciência da tsaraat não vai conseguir atingi-la. [7]

O Rebe fez campanha para todas as meninas e mulheres judias acenderem velas de Shabat. Ao longo dos anos, eu tive oportunidade de compartilhar a mitsvá de velas de Shabat com mulheres que eu conheci em aviões, em parques, em supermercados e na minha casa. Quando eu me encontro com uma mulher judia e não tenho um folheto de velas de Shabat comigo, penso no slogan da American Express, "Da próxima vez, não saia de casa sem ele!"

Uma mulher de destaque foi em viagem para Israel com cargas de folhetos de velas de Shabat em sua mala. "Yesh lach neshek?" ("Você tem armas?") perguntou o agente de segurança da El Al. Pensando que ele estava se referindo ao acróstico comumente empregado em brochuras de velas de Shabat, NeSheK — para Nerot Shabat Kodesh, velas de Shabat sagrado —, ela respondeu com entusiasmo: "É claro!". Os seguranças foram prontamente acionados e ela foi levada para posterior interrogatório.

O Rebe explica que a sigla NeSheK, que significa literalmente "armas", é uma referência apropriada para velas de Shabat, porque essas velas realmente são as armas de uma mulher judia para proteger sua casa — agregando mais luz e consciência iluminada a cada Sexta-feira.

Notas:

 


 

[1] Esta citação é muitas vezes atribuída a Eleanor Roosevelt.

 

 

[2] Negaim, capítulo 13.

 

 

[3] Veja Likutei Torá, Parashá Metzora.

 

 

[4] Provérbios 6:23

 

 

[5] Zohar 2:166 a

 

 

[6] Talmud, Shabat 23b.

 

 

[7] Likutei Sichot, vol. 17, p. 141.

 

 

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