Beit Lubavitch Rio
Como posso te ajudar?
Impresso deBeitLubavitchRio.org
ב"ה

O Trabalho do Rebe

Quarta-feira, 14 Maio, 2014 - 16:55

 O Trabalho do RebeXuRd5442157.jpg

Em 1963, Professor Velvl Greene, da Universidade de Minnesota era uma estrela em ascensão no firmamento da ciência. Aclamado como um pioneiro em seu campo de bacteriologia, foi convidado pela NASA para participar de uma seleta equipe de cientistas que estudavam os possíveis efeitos das viagens espaciais sobre a vida humana. Os pedidos de docência em vários fóruns e simpósios continuavam chegando, e logo o jovem cientista estava visitando dezenas de universidades em todos os Estados Unidos a cada ano.

1963 foi também o ano em que o Dr. Greene primeiro entrou em contato com o Rabino Moshe Feller, emissário do Rebe em Minneapolis. Até aquele momento, Velvl e sua esposa, como muitos judeus americanos de sua geração, faziam pouco uso de sua herança judaica; observâncias como Shabat, as leis dietéticas da kashrut e tefilin pareciam-lhes antiquadas, se não primitivas, e, certamente, sem relevância para a vida moderna. Mas a sua associação com os Fellers mudou tudo isso. No jovem casal chassídico, os Greenes tiveram uma visão de um estilo de vida vibrante e gratificante, que parecia responder a uma profunda falta em suas próprias vidas bem-sucedidas, mas sem raízes.

Por sugestão do Rabino Feller, Dr. Greene escreveu ao Rebe, e a resposta calorosa e envolvente do Rebe não demorou a chegar. Os dois desenvolveram uma correspondência constante, e o jovem cientista logo foi tomado pela mente fenomenal do Rebe e por uma devoção apaixonada ao seu chamado. A cada nova carta, o professor sentia-se mais encorajado em sua jornada de descoberta espiritual e seu compromisso crescente com um estilo de vida conforme a Torá. Logo, os Greenes estavam estabelecendo uma cozinha casher em sua casa e tateando seu caminho através dos rudimentos da observância do Shabat.

Em uma das discussões de Velvl com o Rabino Feller, a questão do "Criacionismo contra Evolução" veio à tona. Aqui o professor provou seu velho e desdenhoso ego. "Você sabe que eu tenho um grande respeito pela Torá", disse ele. "Seus ensinamentos e observâncias agora preenchem um papel dos mais importantes na minha vida. Mas em relação a este assunto, vocês ainda estão presos na Idade das Trevas. Espanta-me que vocês ainda tomem ao pé da letra, literalmente, a história de uma criação em seis dias, diante de tudo o que a ciência descobriu sobre a idade do universo e como ele se desenvolveu."

"Devo admitir que meu conhecimento científico é limitado", disse o rabino Feller. "Eu certamente não posso discutir isso com você no seu nível. Mas o Rebe escreveu uma longa carta sobre o assunto, no qual ele demonstra como a teoria da evolução é apenas isso, apenas uma teoria, e uma teoria pobre — cheia de contradições e sem qualquer base científica sólida".

O professor estava incrédulo. "A teoria da evolução é aceita por praticamente todos os cientistas sérios vivos! Mas me mostre a carta — eu gostaria de ver o que o Rebe escreve."

Depois de ler a carta, Velvl ainda não estava convencido. Quando ele apresentou suas objeções à tese do Rebe ao Rabino Feller, este último novamente se declarou não qualificado para discutir ciência com um cientista. "Por que você não escreve para o Rebe?", sugeriu.

Isso o Dr. Greene fez, escrevendo uma crítica sem quaisquer barreiras contra os argumentos do Rebe. "Como eu respeitava muito o Rebe", Dr. Greene lembra,"eu dispensei completamente o tom condescendente indulgente que os cientistas geralmente assumem quanto discutem com os leigos, abordando o Rebe como eu faria com um colega cujas ideias eu rejeitara. Eu declarei sem rodeios que ele estava errado, especificando o que eu via como falho e não científico em seus argumentos. Concluí minha carta dizendo que melhor seria o Rebe permanecer dentro de sua área de especialização, a Torá, e deixar a ciência para os cientistas".

A próxima carta do Rebe retomou sua correspondência no ponto em que tinha interrompido originalmente — a busca espiritual de Velvl e sua identidade judaica. Sobre a questão da evolução, nenhuma palavra. O professor assumiu que o Rebe tinha aceito a repreensão e teria admitido que em matéria de "fatos empíricos", a Torá deve deferência ao pensamento científico atual. Com isso, ele considerou o assunto encerrado. Seu progresso no sentido de uma verdadeira vida de Torá continuou e, no decorrer do próximo ano e meio, ele relatou ao Rebe cada um dos marcos que ele e sua família estavam passando em sua jornada: observância do Shabat completo, a observância de pureza familiar, etc. O Rebe respondia com palavras de encorajamento e bênção e, em uma ocasião, um presente de um par de tefilin, que Velvl começou a colocar a cada dia.

Então chegou a carta em que os Greenes disseram ao Rebe que tinham decidido colocar seus filhos em uma yeshivá, uma escola de tempo integral de Torá, que lhes proporcionaria uma educação judaica completa. A resposta do Rebe foi especialmente calorosa e encorajadora, condizente com o ponto de virada na sua vida que tal decisão comportava. Então, ao final de sua carta, o Rebe acrescentou: "A propósito, sobre o que você escreveu-me em relação à narrativa da Torá da criação...," e começou a rebater, ponto por ponto, as objeções do Dr. Greene ao Rebe quanto ao seu "tratamento não-científico" do assunto.

"Você provavelmente está se perguntando, "concluiu o Rebe, "por que eu esperei tanto tempo para responder às suas observações sobre o assunto. Mas o meu trabalho na vida não é ganhar discussões. Meu trabalho é trazer os judeus mais perto da Torá e suas mitsvot."

POR YANKI TAUBER

Comentários sobre: O Trabalho do Rebe
5/21/2014

Helio Rochlin escreveu…

Prezados, gostaria muito de ler a resposta do Rebe à carta do Prof. Greene. Creio que ela já está publicada em algum dos volumes de Igrot do Rebe. Se possível, seria interessante tb ler a carta do Prof. Greene. Grato. Kol tuv! eliahu rochlin