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Quão científica é a Torá?

Quinta-feira, 05 Junho, 2014 - 21:55


Quão científica é a Torá?

Por Tzvi Freeman

Pergunta:

Então, ouvimos o tempo todo sobre como a Torá e ciência realmente não se contradizem. Mas você poderia me dar pelo menos um ou dois exemplos onde elas realmente coincidem?

Resposta:

·      O exemplo mais marcante: Por milênios, fomos ridicularizados por acreditar que o mundo começou . Apenas na segunda metade do século 20 é que a evidência virou esmagadoramente para o nosso lado. Como escreve o Dr. Arno Penzias (um dos três que receberam o Prêmio Nobel por identificar a "radiação de fundo", que se tornou um dos pilares da atual cosmologia do Big Bang): "a ciência finalmente confirmou Moisés e Maimônides acima de Aristóteles."[1]

·      Abraão era um dissidente por acreditar que todas as forças do cosmos são realmente uma força única. Este tem sido o principal esforço da física nos últimos 100 anos e a força motriz por trás da busca pela Teoria do Campo Unificado.[2]

·      O relato da Torá sobre a Criação e de eventos que desafiam as leis da física — e até mesmo desafiam a lógica — implica que as leis da lógica não são absolutas — ou seja, não é impossível que aquelas leis foram criadas de outra forma, e mesmo agora, o Criador poderia ajustá-las ou superá-las ao seu capricho. Uma alusão a esse tipo de pensamento abriu caminho para a matemática moderna, rompendo com a visão euclidiana de que os axiomas da geometria são "verdades auto-evidentes" e preparando o terreno para a relatividade de Einstein. Na verdade, tentativas mais recentes de demonstrar que a matemática é baseada na lógica falharam. Pensadores atuais questionam o absolutismo da lógica em si. [3]

·      A Torá, ao apresentar o conceito de Divina Providência dentro da natureza, exige um universo que é apenas vagamente linear, rejeitando o conceito determinista de que causa e efeito estão inerentemente ligados. Este é um resultado do Princípio da Incerteza, primeiro enunciado por Heisenberg em 1928.[4] Nos últimos 30 anos, experimentos confirmaram repetidamente este conceito.

·      A Torá não fala em termos de matéria como uma substância auto-suficiente, mas como um evento, uma 'palavra'. Atualmente entendemos a matéria como simplesmente uma dinâmica de energia concentrada, como na conhecida fórmula E = mc2. Ou, na definição do físico DavidBohm, "Aquilo que se desdobra, qualquer que seja o meio."[5]

·      A Torá confia em testemunhas e na observação acima da intuição. Hoje chamamos isso de empirismo objetivo. É o que distingue o cientista do filósofo helenista ou medieval.

·      A Torá reconhece o papel da consciência humana como um participante ativo, não passivo, na formação de realidade.[6] Este resultado do modelo padrão da mecânica quântica foi primeiro enunciado por John von Neumann em 1932. [7]

·      A Torá consistentemente baseia-se no conceito de sinergia: O todo é maior do que a soma das suas partes. Isto tornou-se um princípio essencial em muitas disciplinas modernas, da sociologia à química.

·      A Torá, em muitas aplicações haláchicas, confia no "quantum" — os menores incrementos possíveis de mudança dentro do espaço e do tempo. Este era o postulado de Max Planck que abriu o campo da mecânica quântica.

·      A Torá descreve toda a humanidade como descendendo de um único homem e — antes — de uma única mulher [8] A esmagadora evidência genética coincide, embora a data ainda esteja um pouco distorcida. Eles ainda estão chegando lá.

·      A Torá entende a psique humana como sendo multi-camadas e multifacetada — não há apenas uma pessoa lá dentro. Bem-vindo à psicologia moderna.

·      A Torá descreve o planeta Terra e todo o cosmos em termos holísticos. A ciência hoje está se movendo depressa nesta direção, nas ciências da vida, da física e da cosmologia.

·      A Torá provê inferências a muitos dos costumes, crenças, política, tecnologia, etc, de tempos antigos que os historiadores já recusaram e que apenas recentemente os arqueólogos confirmaram.

·      A Torá apresenta e desenvolve rigorosamente a chazakah: Um evento deve ocorrer repetidamente sob condições idênticas para ser considerado o resultado mais provável no futuro (como é o caso do boi que ataca muitas vezes). Esta é a base do método científico.[9]

·      A Torá prescreve a educação pública, a participação popular e o governo constitucional. Os sociólogos descrevem como esses elementos geram estabilidade e produtividade em uma sociedade.

·      A Torá prescreve um uso responsável do meio ambiente. Hoje está demonstrado que essa abordagem é a única possível para a vida sustentável no planeta.

Muitos destes exemplos podem parecer óbvios, porém nenhum deles foi aceito como tal até recentemente. Eu tenho certeza que existem mais — se você lembrar de algum, por favor, pode falar.


 


[1] Veja seu “Creation is Supported by All the Data So Far”, pg 78 em Margenau and Varghese, Cosmos, Bios, Theos, Open Court, 1992

[2] Como o Lubavitcher Rebe uma vez colocou diante de um grupo de cientistas, "Então, vamos dizer que nós já sabemos que há uma Teoria do Campo Unificado e nós a chamamos de D-us."

[3] Veja Tzvi Saks, On the Nature of Truth in Mathematics, em B'Or HaTorah vol 9, pp. 95-103. No estilo inimitável de George Burns (D-us diria), "Matemática! Mais um de meus erros!"

[4] Para uma exposição inteligente deste conceito para o restante de nós, veja John Gribbin, In Search of Schrodinger's Cat, Bantam, 1979. Gribbin descarta o falso conceito comum de que Heisenberg et al estão falando sobre nossa inabilidade de mensurar precisamente. Antes, isto é uma característica inerente do universo, que não há estados discretos perfeitamente conhecidos. Como Heisenberg himself colocou para os filósofos de seu tempo: Sem causas discretas, não há efeitos pré-determinados — e o determinismo está fora de cena.

[5] Em Wholeness and the Implicate Order, Routledge & Kegan Paul, 1980

[6] Veja Tzvi Freeman, Knowledge and Reality, Chabad.org., 2001

[7] Em Mathematical Foundations of Quantum Mechanics. Eugene Wigner mais tarde tornou-se o maior proponente desta idea, sendo a única concorrência coerente o "Multiple Worlds Model". Isto tampouco é original.

[8] Homens (cromosomo Y) de Noé. Mulheres (DNA mitocondrial) de Eva. The women on the ark were from various families, while the men were from a single father and mother.

[9] Veja a responsum de Rabenu Asher ("O Rosh" 1250-1328 ) 68:23 para uma exposição muito moderna deste conceito.


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