O mito do self-made Man 
A América gerou muitos mitos maravilhosos. O mito de que qualquer homem ou mulher, não importa qual o seu ponto de partida na vida, pode, por uma combinação de trabalho duro, dedicação e fé no sistema, "fazer acontecer" no mundo. O mito de que todos os cidadãos, independentemente de raça, credo, cor ou sexo, podem não apenas esperar, mas também receber, justiça e fair play da sociedade. O mito de que milhões de eleitores, impulsionados quase que exclusivamente pelo interesse próprio, elegendo políticos ainda mais egoístas do que eles, podem criar um sistema de governo que não só funciona, mas, na verdade, trabalha para o bem comum. O mito de que os mocinhos sempre ganham no final.
A coisa mais maravilhosa sobre esses mitos é que eles podem ser — e muitas vezes são — realidade.
Há, no entanto, um mito americano que é muito perigoso, especialmente para nós, judeus: o mito do self-made man.
Eis aqui Moisés, advertindo os filhos de Israel quase 3.300 anos atrás: "Cuidado...para que você não coma e fique saciado, e construa boas casas e habite nelas, e seus rebanhos e manadas se multipliquem, e sua prata e ouro aumentem, e tudo o que você possui aumente, e seu coração se torne arrogante... e você diga para si mesmo: 'É minha própria força e o poder da minha mão, que acumularam essa riqueza para mim' "(Deuteronômio 8: 11-17). Tal atitude, Moisés continua, inevitavelmente, conduz à idolatria e suicídio nacional.
Por esse duplo padrão? Por que é bom para João, Cristina e Tiago poderem pular alegremente ao longo de suas "self-made" vidas, mas para Shena e Chaim uma atitude de "self made" embute catástrofe?
Esse é o preço que se paga por ser um povo milagroso. Por milhares de anos temos protagonizado milagres, transformando o mundo em que vivemos. Mas ser um povo milagroso tem um outro lado — também significa que a nossa própria existência é um milagre. Por todas as leis da história e da natureza, nós deveríamos ter desaparecido há muito tempo. Para nós, sobreviver um único dia neste mundo, quanto mais prosperar, requer intervenção divina constante.
Nossos sábios nos dizem que uma das leis internas da criação é que "na medida em que uma pessoa dá, assim é dado a ela." Em Português claro, isto significa que nós decidimos os critérios pelos quais nossas vidas são vividas. Se dissermos: "Eu sou um self-made man," D‑us diz: "Ok, faça você mesmo. As leis da natureza, que são o fundamento a partir do qual o ser humano deriva, vão determinar o que acontece com você. "E é muito perigoso para um judeu encontrar-se nessa situação.
Será que rejeitar o credo de auto-realização significa que não tenho que trabalhar tão duro quanto o outro sujeito? Infelizmente, não. A diferença entre o self‑made man e do G‑d made man (o homem feito por D‑us) não é que este último não precisa pegar o trem para o trabalho pela manhã. Pois conquanto o G‑d made man reconhece que tudo o que ele ou ela tem é uma concessão de Cima, ele ou ela ainda são obrigados a formar os "vasos" com os quais vão receber as bênçãos divinas. Você pode encontrar petróleo, mas a menos que você construa as tubulações, navios e refinarias para contê-lo, transportá-lo e processá-lo, não vai ser muito útil para você ou para qualquer outra pessoa. Bênçãos divinas funcionam da mesma maneira. É por isso que você ainda precisa pegar o trem da manhã.
Ainda assim, existe uma diferença. Você pode trabalhar tão duro, mas não tão obsessivamente. E embora possa ser divertido ficar no topo de um pedestal de sua própria criação e proclamar "minha força, e o poder da minha mão acumularam essa riqueza para mim", este é também um lugar muito solitário e assustador para ficar. Venha pensar sobre isso, uma parceria com Quem escreveu as regras e comanda o show pode ser uma experiência muito emocionante também. E se você sentir a necessidade de ter medo, você sempre pode assistir a um filme de terror.

David Cohen Nissan escreveu…