Beit Lubavitch Rio
Como posso te ajudar?
Impresso deBeitLubavitchRio.org
ב"ה

LIBERDADE D'ALMA

Quarta-feira, 01 Abril, 2015 - 22:07

 images.jpg

LIBERDADE D'ALMA

Querer o que você faz, ou fazer o que você quer?

Um violinista hábil fez uma grande multidão de pedestres bater palmas e bater seus pés enquanto ele tocava músicas animadas no centro da praça da cidade. Incapaz de ouvir a música, um transeunte surdo parou para observar o estranho espetáculo. Enquanto observava as pessoas a saltar e rodopiar no meio da praça, ele perguntou a si mesmo: "O que deu nessas pessoas, porque elas estão agindo desse modo estranho?"

No décimo quinto dia do mês hebraico de Nissan mais de 3.000 anos atrás, os filhos de Israel foram libertados da escravidão prolongada pela poderosa mão de D‑us. Uma série incessante de ocorrências estilo de choque e pavor tinham finalmente enfraquecido a determinação de ferro do ímpio Faraó e dos cruéis atormentadores egípcios, levando-os a deixar o povo partir. O evento serviu como pedra angular e nascimento da nação e da religião judaica.

Ao longo da história, os judeus têm observado o comando de D‑us para comemorar este evento com a celebração de Pessach ‑ uma das festividades mais momentosas do Judaísmo. O Seder ‑ com seus rituais e tradições exóticas ‑ é realmente um componente central do credo e da cultura judaica. Mas qual é a mensagem interior por trás dos simbolismos desta importante festividade?

Nossos sábios declaram: "Em cada geração, cada um deve ver a si mesmo como se ele próprio tivesse saído do Egito." Esta passagem talmúdica foi, de fato, incluída como parte do texto da narrativa da Hagadá que somos obrigados a recitar durante o Seder de Pessach.

Nossos sábios estavam certamente cientes de que nenhum de nós jamais fomos escravizados no Egito, por que então eles nos fizeram proclamar uma declaração tão absurda? A explicação chassídica é que a palavra hebraica para Egito, "Mitzraim", significa "Restrições". Realmente, não temos a experiência da escravidão egípcia per si; no entanto, cada um de nós temos nossos mitzrayim pessoais ‑ restrições e limitações, devido a ambos os fenômenos externos e internos.

A mensagem essencial da Pessach é, portanto, sobre a liberdade pessoal. Mas o que significa a liberdade pessoal?

O Talmud diz: "Uma pessoa não pode ser considerada 'livre', a menos que esteja envolvida com o estudo da Torá". Mas como isso deve ser entendido? O que Torá tem a ver com a liberdade? Pelo contrário, a Torá está repleta do que muitos denominariam de restrições ‑ tu farás e tu não farás. Como podem os rabinos honestamente chamar isso de liberdade? A ideia da Torá sobre liberdade é, obviamente, muito diferente da definição secular e coloquial.

A definição secular de liberdade é "fazer o que quiser." Fazer o que você quer é fácil, não requer nenhum pensamento ou autodisciplina; é o caminho da menor resistência. Contudo, ao mesmo tempo que é fácil de fazer o que você quer, as recompensas são bastante breves, como diz o ditado "O caminho de menor resistência é o caminho todo ladeira abaixo."

Isso quer dizer que, embora a curto prazo seja bom fazer o que queremos, após o impulso imediato e gratificação terem passado, geralmente não se sente nem proximamente tão bem. Mais frequentemente do que não, acabamos lamentando ter sucumbido aos nossos desejos e impulsos materiais, como diz a letra de uma música que remonta aos anos 70: "Eu me odeio por te amar."

Em contraste, a definição de liberdade da Torá é "querer o que você faz." Querer o que você faz é se sentir bem sobre as escolhas e as coisas que fazemos a longo prazo, bem depois de o prazer inicial ter se esgotado. Significa estar confortável com quem somos e com a vida que levamos.

Esta última definição exige uma medida de autodisciplina. Ela também exige a sabedoria e orientação de um código moral mais elevado, portanto, daí decorre a afirmação que "Não se pode ser 'livre', a menos que se esteja envolvido com o estudo da Torá." A definição de liberdade da Torá não é apenas a liberdade de nossos corpos, mas a liberdade da alma também.

A razão por que é tão importante conseguir a liberdade da alma é porque a nossa expressão como seres humanos transcende o âmbito da existência animal. Porque o homem é mais do que uma entidade física, ele deve cuidar mais do que o seu próprio físico.

A busca da espiritualidade e de propósito maior não é uma questão de luxo ‑ não é apenas um exercício para aqueles que são naturalmente inclinados a refletir sobre a realidade mais profunda das coisas. É, sim, uma necessidade humana. Esta noção é retratada através de uma analogia oferecida pelo Rebe:

A liberdade é claramente um fenômeno subjetivo que varia de acordo com as necessidades de cada entidade particular. A planta, por exemplo, deriva seu contentamento através de condições que são mais propícias ao crescimento orgânico, tal como a água, ar e luz. As plantas não têm necessidade ou desejo por coisas tais como mobilidade e afins.

Para o animal, no entanto, o nível de liberdade e conforto da planta não é nada satisfatório. Um animal não pode se contentar com a apenas água e o ar, enquanto restrito a um certo local. Um animal exige a independência da mobilidade. Liberdade, a seus olhos, deve incluir a capacidade de andar livremente de lugar para lugar.

Da mesma forma, o que poderia ser considerado como condições ótimas para o animal, pode ser muito restritivo para o ser humano. Se, por exemplo, fossem providas ao homem todas as suas necessidades materiais, mas negado qualquer tipo de alimento intelectual, ele, sem dúvida, consideraria a situação altamente repressiva. Como uma criatura intelectual, liberdade aos olhos do homem deve incluir a capacidade de estímulo e desenvolvimento intelectual.

O mesmo é verdade, embora de forma menos visível, em relação à necessidade do homem por um propósito espiritual mais elevado. Isso equivale a dizer que mesmo toda a matéria não-espiritual do mundo é incapaz de satisfazer os desejos da alma do homem. A dimensão espiritual mais elevada dentro do homem somente atinge satisfação quando suas aspirações espirituais são nutridas.

Em resumo, um componente essencial da composição humana é a sua consciência espiritual. Esta consciência tem seu próprio conjunto de necessidades. Ignorar nossa dimensão espiritual não é diferente do que ignorar as necessidades corporais por alimentos e água ou do que negligenciar a necessidade humana por estimulação intelectual. O homem nunca pode ser verdadeiramente livre se ele não cuidar de sua mais elevada essência ‑ sua alma.

A lição de Pessach é que, em cada geração, todos e cada um de nós devemos fazer a viagem para fora do Egito ‑ restrição. Devemos adquirir a liberdade não só do corpo, mas da alma também. Pessach é um momento altamente pertinente e auspicioso para este esforço.

Possamos todos nós experimentar a verdadeira liberdade, física e espiritualmente. Que possamos merecer a redenção final, que terá lugar com a vinda do justo Mashiach.

Comentários sobre: LIBERDADE D'ALMA
Não há comentários.