Fiquei honrado ao receber o convite para comentar minhas experiências e meus encontros com a extraordinária personalidade que foi o Rebbe.
Tive a benção de estar com ele, várias vezes e, no livro dos Salmos, uma das minhas leituras diárias, tenho várias páginas marcadas com os dólares que ele me deu.
Recebi dele bons conselhos para missões que o destino me concedeu.
Tive ainda a benção especial, durante a minha vida, de ter tido orientadores,
professores e aconselhamentos preciosos de alguns sábios iluminados e que me orientaram, dirigiram meus passos, me ensinaram e dos quais eu auferi orientação para os meus caminhos.
Entre as pessoas mais importantes da minha vida e que me aproximaram do Rebbe estão: a minha esposa, Lea, que foi a primeira da família a receber o dólar das suas mãos, bem como o Adin Steinsaltz, meu querido amigo, guru, professor e iluminada criatura, cuja dedicação ao Rebbe gerou um livro, cujo nome tudo esclarece: “My Rebbe”.
Diz Adin sobre o Rebbe no seu prefácio: “O Rebbe era um grande homem,
certamente o maior homem que eu jamais encontrei. Alguém que eu admiro
profundamente”. Dizia ele ainda: “Ele procurava nada menos do que transformar nossa realidade num mundo melhor”.
No entanto, o Rebbe era um homem e não um mito. Ele nos falava de forma humana e era incisivo, mas ao mesmo tempo paternal.
Dois encontros meus com o Rebbe tiveram maior significado para a minha vida. O primeiro foi quando eu, debaixo de pressão, tinha que tomar decisões sobre aceitar ou não uma missão para a qual eu achava que não estava preparado. Fui procurar resposta 2 no encontro com o Rebbe, (tenho o testemunho do Rabino Goldman, que estava ao meu lado). Ao explicar para ele as razões das minhas indecisões, ele instrui-me a aceitar o desafio e procurar as respostas para as dificuldades que adviessem dessa aceitação no tehilim.
De forma prática e precisa ele me endereçou a uma livraria próxima a sinagoga no Brooklyn. Guardo esse Livro de Salmos com grande carinho e obviamente com as páginas marcadas pelos dólares que o Rebbe me deu.
Outro momento importante na minha relação, já aí transcendente, com o Rebbe, foi quando eu, visitando Al Matti no Uzbesquistão, fui levado pelo jovem rabino do Chabad que cuidava daquela distante comunidade, para visitar o túmulo do pai do Rebbe. Infelizmente, o túmulo estava mal cuidado e o regime político daquele país tinha proibido que o nome do pai do Rebbe
3 figurasse na lápide e muito menos a sua missão como rabino.
Tive a possibilidade de poder encontrar os meios para naquele momento ajudar a reconstruir o tumulo do pai do Rebbe e dessa forma honrá-lo e ligá-lo à sua posteridade.
Figuras humildes e figuras poderosas ou aqueles que necessitavam de uma palavra ou apoio, ou mesmo aqueles que necessitavam de um conselho e, sobretudo, pessoas influentes ou poderosos de várias nacionalidades e profissões, todos procuravam o Rebbe. Lembro-me bem da iluminação com a qual saíam depois de receberem sua palavra.
Fui com o Adin Steinsaltz entregar um dos volumes do Talmud que ele tinha acabado de terminar e da benção especial com a qual ele nos recebeu.
4 São todos esses momentos inesquecíveis que nos unem aqui nesse momento em memória de um grande homem e cuja importância para o nosso povo continua a nos abrir caminhos para o futuro.
O Rebbe era, acima de tudo, um homem que olhava para o mundo com um projeto de paz.
Em todos os seus conselhos e orientações caminhava para um mundo de paz e entendimento. Ao lembrar-me disso, cito aqui a profecia de Isaias, que era também a visão do Rebbe sobre o futuro da humanida: “Ele orientará as causas entre as nações e estabelecerá suas decisões entre muitos povos. Converterão então suas espadas em arados e suas lanças em foices. E cada nação não levantará contra outra sua espada e não mais aprenderão a arte da guerra”.
