OLHANDO ADIANTE
Por Michoel Gourarie
Tishá b'Av (o nono dia de Av) é o dia em que lamentamos a destruição dos primeiro e segundo Templos. É também um momento em que nos lembramos do sofrimento e tragédias que afetaram a nação judaica nos últimos dois mil anos de exílio.
O Talmud relata que o grande Rabi Akiva e alguns de seus colegas visitaram o Monte do Templo logo após a sua destruição. Quando eles chegaram, um animal estava saindo do local que antes era a área mais sagrada. Vendo esta visão dolorosa, os rabinos começaram a chorar. Exceto Rabi Akiva. Ele começou a rir.
Confusos, os outros questionaram a causa da alegria do Rabi Akiva. Em resposta, ele deu a seguinte explicação: "Nos escritos dos profetas, lemos duas profecias — uma de destruição e outra de esperança e redenção final. Ao testemunhar aqui o cumprimento da primeira previsão, estou confiante de que segunda também será realizada." (Para a história completa, ver O Riso de Rabi Akiva)
Dentre as muitas explicações sobre esse episódio, há uma que nos dá uma perspectiva sobre como abordar experiências dolorosas e difíceis.
Pessoas, infelizmente, enfrentam desafios em muitos níveis — pequenos retrocessos, rompimento de relacionamentos, doença, perda de entes queridos ou sofrimento significativo. Seja qual for a experiência, esta história talmúdica ensina que existem dois componentes críticos para o processo de cura. Por um lado, podemos e devemos chorar, afligirmo-nos e lamentarmos. A indiferença ao desafio ou ao sofrimento reflete insensibilidade. Suprimir nossas emoções é muito insalubre. Devemos ser sensíveis à nossa própria dor e à dor de outros, e implorar a D'us que traga a salvação. Por outro lado, Rabi Akiva ensinou que nós possuímos a capacidade de seguir em frente, deixar-se ir e olhar para o futuro com esperança, força e otimismo. Depois de se lamentar ou chorar, deixamos o mundo de tristeza e movemo-nos para o mundo da ação, fazendo o que for possível para criar um amanhã melhor. O Riso de Rabi Akiva não foi uma visão ingênua da destruição ao seu redor — ele também sentiu a dor. Mas foi também uma declaração de esperança, superação, fé e sentimento de certeza que haverá um futuro melhor.
Cada Tishá b'Av estamos de luto pelo longo exílio e pela nossa história de opressão e perseguição. Mas no dia seguinte, o período de luto chega ao fim e nos concentramos no futuro com esperança e crença de que em breve Tishá b'Av será transformado em um dia de felicidade, com a Redenção Final — possa ela ocorrer em breve.
