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A Estrada Para Casa

Sexta-feira, 28 Agosto, 2015 - 10:42

 

A Estrada Para Casa

9 de Elul, 5775 ‑ 24/ago/15

Por Sarah Zadok

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Tinha sido um longo dia. Eu estava completamente exausta. Eu me sentia perdida, vulnerável, com medo, e eu não sabia para onde ir. Então, pulei na minha caminhonete sem destino específico em mente e decidi deixar a estrada me levar ao seu final.

Apenas deixei a caminhonete dirigir-se. Eu não me lembro exatamente o que se passava pela minha mente naquele momento. A verdade é que eu estava tão confusa sobre muitas partes da minha pequena vida de 18 anos de idade; as pressões sociais, as intrigas proibidas, coisas de família, as expectativas, ansiedade por desempenho.Text Box: Eu não era exatamente o tipo de "dar uma passada" no escritório do Rabino.

O que eu me lembro é aonde a estrada levou-me naquele dia: ... ao escritório do Rabino. Só para se ter um pouco de perspectiva aqui, eu não era exatamente o tipo de pessoa que iria "dar uma passada" no escritório do Rabino. Eu estava mais para o tipo de menina Zen cursando a Arte da Manutenção de Motocicletas no 5º período da Faculdade. Não que eu tivesse alguma coisa contra rabinos propriamente, eu era apenas jovem e mais interessada em esculpir a minha própria marca de espiritualidade. Mas, lá estava eu, tão por baixo como eu nunca tinha me sentido, batendo suavemente na proverbial "porta do céu".

Ele abriu a porta e me recebeu com um sorriso tão acolhedor e amoroso que rasgou através de mim. Eu estava tão vulnerável, tão fora do curso que naquele breve momento de sua presença totalmente genuína e aceitadora, deixei cair cada defesa que tinha tão cuidadosamente projetado para mim mesma. Eu chorava e soluçava. Não pequenos soluços, mas grandes soluços embaraçosos, daqueles em que você tem que recuperar o fôlego três vezes seguidas.

Text Box: Eu uso a religião só como uma muleta.Eele foi tão paciente comigo. Deixou-me sentar e chorar por um bom tempo, não tentou me fazer parar de chorar ou dizer-lhe o que estava errado. Simplesmente deixou-me derramar minha lágrimas para fora. Finalmente, me recompus e fui capaz de organizar algumas frases coesas. Eu disse a ele tudo o que estava pesando tão duramente sobre mim e foi muito bom colocar toda aquela emoção em palavras.

Então, quando eu estava prestes a terminar, eu disse a ele: "Rabino, eu sinto muito por estar aqui assim. Se eu estivesse me sentindo bem, nem teria parado para dar um "Olá". Mas, eu me sinto tão quebrada. Eu estou tão perdida. É por isso que eu vim para cá, eu uso a religião só como uma muleta."

Esperei a confirmação dele. Eu imaginei que ele iria concordar que eu era na verdade um total perdedora e prosseguiria me dizendo quão horrível eu tinha sido e que não havia essa coisa de 'conserto-rápido' com D'us. Mas ele não disse isso, absolutamente. Ele se inclinou para trás em sua cadeira, coçou a barba grisalha e me fez uma pergunta como rabinos costumam fazer.

"Sarah'leh, quando um homem quebra a perna, o que você diz para ele fazer? Correr uma maratona? Não! Você lhe dá uma muleta até que ele possa levantar-se em seus pés novamente. É para isso que serve, para usá-la."

Então, ergui-me um pouco do fundo daquele fosso. Disse a ele honestamente: "Mas estou com medo, Rabino. Eu vi você e sua bonita família e eu comi em sua mesa de Shabat. Eu vi as velas e o vinho e senti a doçura de toda a cena, e estou com medo de que se eu começar a usar essa muleta, eu posso começar a gostar dela e vir a depender dela. E então, bem, eu poderia ser como você ... e eu gosto de você, mas, com todo o respeito, eu não quero ser como você."

Ele nem sequer pestanejou, apenas sorriu francamente e olhou dentro dos meus olhos e disse: "Sarah'leh, você conhece a história sobre o paraquedista Moshe'leh?"

"Não tenho a menor ideia, Rabino".

"Bem, eu vou te contar. Moshe'leh se inscreveu para se tornar uma paraquedista. Ele passou por todo o treinamento e, finalmente, o seu grande dia chegou. O piloto gritou para os caras que esperavam para saltar: "Shmulik, pula!". E ele pulou. "Yossel, pula!". E Yossel saltou. "Moshe'leh, salta!". Mas Moshe'leh não conseguia fazê-lo, ele apenas balançava a cabeça e dizia: "Eu não consigo fazer isso, eu estou com medo". "Não tem problema Moshe, talvez da próxima vez".

"Moshe subiu mais alguns vezes e cada vez, todos os seus amigos saltavam, mas Moshe'leh não conseguia pular. Então, um dia, o piloto decidiu perguntar a ele sobre isso.

"Moshe'leh, eu entendo que você está com medo de saltar, e isso está OK, eu não vou obrigá-lo a saltar. Eu estou apenas curioso. Se você tem tanto medo de saltar, por que você se inscreveu para ser um paraquedista?"Text Box: Eu gosto de você, mas, com todo o respeito, eu não quero ser como você.

Moshe respondeu simplesmente: "Bem, eu nunca quis ser um soldado paraquedista, eu só gosto muito de ficar com eles".

O Rabino olhou-me fixamente e disse: "Sarah'leh, você pode tentar ser como eu tanto quanto quiser, você nunca será como eu. E eu posso tentar tanto quanto quiser ser como você, mas eu nunca vou ser como você. Basta dar um passo de cada vez, você vai encontrar o seu caminho."

Muitos dias de debates, de aprendizado, de comer, de tomar conta de bebê, se seguiram. Mas, acho que foi naquele dia no escritório do Rabino, que uma estrada terminou e outra começou.

Eu ainda não saltei de um avião ou qualquer coisa assim. Minha jornada tem sido um processo gradual. Eu fui abençoada para encontrar-me em bons lugares, com boas pessoas e com professores amáveis ao longo de todo caminho. Estou muito orgulhosa do ponto onde cheguei e estou ansiosa para encontrar o que está à frente. Eu escolhi ficar com pessoas como o meu Rabino e sua família. É uma escolha que eu faço todos os dias. E graças a D'us, eu não passei mais por aquele tipo de sentimentos que me trouxeram em lágrimas a seu escritório naquele dia.

Mas, de vez em quando, D'us me lembra, com um metafórico tropeço em meu caminho. E então, eu humildemente lembro, como é que se sente ao precisarmos d'Ele. E por estas vezes, eu sou muito grata.

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