Fazendo a diferença: O momento em que Reconheci o Propósito de Minha Vida
Por Yetta Krinsky

Eu cresci perdida e confusa. Não por culpa de meus pais amorosos, mas a vida me desferiu um golpe precoce, que rapidamente cortou qualquer senso de significado ou propósito que poderia ter evoluído naturalmente.
Levou muitos anos, 38 para ser mais precisa, antes de o processo (e toda a minha visão de mundo) ser totalmente reinicializado de uma forma que eu nunca teria esperado — tudo no espaço de apenas alguns momentos.
O Baal Shem Tov, fundador do movimento chassídico, ensinou que tudo que vemos ou ouvimos tem uma mensagem especial para nós sobre a nossa missão única e como devemos estar no mundo. De certa forma, eu sabia disso muitos anos antes de eu ter o privilégio de explorar minha herança judaica. Deixe-me levá-lo de volta 20 anos ou mais.
Eu tinha 38 anos, uma psiquiatra trabalhando com povos autóctones que sofreram grandes traumas culturais, comunitários e individuais, e com mulheres que tinham sofrido abusos sexuais quando crianças (como eu própria tinha sofrido na idade de 3).
Vi pessoas se curando de coisas que eu teria pensado ser impossível de se curar. Eu sabia que isso estava vindo de algo profundo dentro delas, não de qualquer coisa que tivesse aprendido na minha formação. Se elas estavam a salvo em suas vidas externas e na terapia comigo, é porque havia um processo organizador central acontecendo, um impulso interno de cura, de dar sentido às coisas, encontrar significado e seguir em frente. Assim como quando sofremos um corte, não temos de pensar em cada passo do processo de coagulação que para o sangramento, nem sobre a proliferação de tecido conjuntivo que cura o ferimento, assim também eu encontrei um processo de cura ocorrendo nos mundos internos dos meus pacientes.
Eu tinha encontrado o livro de Victor Frankl Em Busca de Sentido (Man’s Search for Meaning) em uma feira de ofertas de um sebo, e comecei a me fazer algumas perguntas profundas, mas ainda não tinha encontrado nenhuma resposta que me falasse sobre o mistério com que tinha me deparado.
Tudo isso mudou num lanche durante uma visita ao recém-criado Memorial de Bebês criado no antigo cemitério West Terrace em Adelaide, no sul da Austrália.
Um grupo de mulheres que haviam perdido seus bebês no parto ao longo dos últimos 50 anos tinha sido encaminhado a mim para terapia do luto. Tinha sido recentemente exposto na mídia que seus bebês haviam sido enterrados em sepulturas sem identificação em uma área gramada no antigo cemitério, e as mulheres se reuniram para reivindicar do governo algum tipo de memorial que lhes permitisse externar sua tristeza.
Uma vez que eu estava encorajando as mulheres a visitar o memorial recém-projetado, achei que o melhor a fazer era ir lá e dar uma olhada. Uma dia, na hora do almoço, a caminho entre meu consultório particular e o Serviço de Saúde Aborígene, sanduíche na mão, eu parei no cemitério para uma visita de 20 minutos.
O memorial em si era muito bonito e compreendia uma área fechada, semelhante a um útero, para as mulheres se sentarem particularmente e refletirem sobre sua perda, sua dor, e, em seguida, uma grande área plana em forma de uma lagoa, onde havia mais de 500 placas de cobre em forma de almofadas de lírio. Cada uma fora gravada com o nome do bebê natimorto; o dia, mês e ano em que o bebê morreu; e o nome do hospital.
A lagoa era de forma oval, sem começo nem fim. Aleatoriamente, parei no meio para olhar para uma folha, uma menina nascida em 2 de julho de 1956, no Memorial Hospital. Uma bebê nascida no mesmo dia que eu, no mesmo hospital!
Eu sinto até hoje a reverberação do tremor que passou por mim naquele momento. O que aconteceu naquele dia? Foi-me dada uma vida, àquele bebê, não. Devo estar aqui por uma razão!
Esta foi a minha primeira lição do pensamento chassídico, muito antes que eu tivesse a chance de explorar minha herança judaica e começar a aprender o Tanya. Mais tarde, eu aprendi, e agora ensino aos outros, que o nosso corpo e alma vêm em uma combinação perfeita, escolhidos por nosso Criador. Que nenhuma alma em um corpo que jamais houve ou haverá tem a missão especial da nossa alma em nosso corpo. Cada um de nós temos nossa própria parte única, insubstituível, na cura do mundo.

Rosa Tilde Menaei escreveu…