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Como um jornalista fez uma descoberta pessoal inestimável

Quarta-feira, 27 Janeiro, 2016 - 20:29

De Auschwitz para Israel, a Saga de uma Pequena Torá há muito dada como perdida

Shevat 15, 5776 · 25 de Janeiro de 2016

Como um jornalista fez uma descoberta pessoal inestimável

Por Shlomo Rizel

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[1] Torá temporariamente emprestados a eles por sinagogas de Jerusalém,os quais elas precisavam de volta”, Maor relata de sua casa em Moshav Hemed. “A menos que possuíssem seus próprios sifrei Torá, os assentamentos iriam esfacelar-se, uma vez que serviços de oração adequados não poderiam ser realizados sem eles.”

O presidente da sinagoga conversou com vários amigos na comunidade judaica de Viena. Eles queriam ajudar também. Maor logo encontrou-se num grande porão em que centenas de rolos da Torá estavam guardados. Pequenas comunidades judaicas, que uma vez pontilhavam a paisagem europeia, e que entraram em colapso quando os seus membros morreram ou emigraram, tinham doado seus rolos de Torá e outros livros sagrados para a maior comunidade de Viena. Ao longo dos anos, centenas de rolos da Torá haviam sido acumulados em um quarto embaixo de uma sinagoga local.

Um pergaminho de pele de cervo

Depois de selecionar as que ele levaria com ele na volta para Israel, Maor se virou para sair. Um de seus acompanhantes o deteve, falando sobre um sefer Torá escrito em pergaminho de pele de cervo que ele deveria ver. (Normalmente, os rolos da Torá são escritos em pergaminhos feito de couro bovino.) A Torá escrita em pergaminho de pele de cervo é valiosa e muito rara, pois é difícil adquirir suficiente pele desse animal para confeccionar pergaminho para todo um sefer Torá.

Maor lembrou que seu avô materno — de quem ele herdara seu nome, o rabino Yaakov Meir Hellman de Munkatch, Hungria (atualmente no oeste da Ucrânia, perto da Eslováquia) —uma vez possuíra um sefer Torá escrito em pergaminho de pele de cervo que tinha sido passado através de gerações em sua família, até que foi perdido em Auschwitz. Ele estava curioso para ver como um tal sefer Torá parecia. Quando ele foi trazido para ele, ele observou seu tamanho muito pequeno.

"Minha mãe, a filha do rabino Yaakov Meir, disse-me que o avô de seu pai era um comerciante judeu rico que viajava muito", lembrou. "Então, ele comprou um pequeno sefer Torá, especialmente escrito em fino pergaminho de pele de cervo, para levar com ele em suas viagens. As chances de que este sefer Torá fosse aquele da minha família eram mínimas, mas uma vez que eu vi o quão pequeno ele era — tão pequeno quanto o sefer que meu avô transportava — eu decidi dar uma olhada.

"O homem responsável pelos sifrei Torá ali reunidos não tinha ideia de como o aquele sefer tinha chegado lá ou qual era sua história, mas ele deixou-me olhar por pistas sobre sua identidade para ver se ele pertencia a meu avô. Eu disse às pessoas ao meu redor que nossa família sempre disse que os atzei chaim (os dois eixos em torno do qual o Sefer Torá é enrolado) não eram feitos de madeira, como é habitual, mas de cobre, e assim as extremidades do sefer Torá tinham sido danificadas pela oxidação, o que fez os rabinos em Auschwitz questionar se o sefer estava ou não casher. Quando rolamos o pergaminho até suas extremidades, onde ele estava anexado aos eixos, ficamos chocados ao ver os danos da oxidação."

'A Mão de D'us'

A respiração de Maor parou quando percebeu que o pergaminho em suas mãos poderia ser a Torá perdida de sua família. Ele pediu permissão para procurar outro sinal. "Minha família sabe que meu avô foi assassinado na semana em que as porções de Tazria e Metzorá são lidas. Por isso, pedi para abrir o livro naquelas porções. Quiçá encontraríamos algumas pistas lá?

"Grandes manchas de sangue foram encontradas naquelas porções da Torá. Era um sinal de que o sefer Torá tinha sido aberto exatamente naquele ponto quando meu avô foi morto pelos nazistas. Era de arrepiar. Eu ainda fico arrepiado quando falo sobre isso ", disse ele, mostrando-me os cabelos em pé em seus braços enquanto sua voz treme com emoção, como se estivesse presenciando a descoberta naquele momento.

"Foi a mão de D'us que me levou ali para que eu pudesse encontrar a Torá do meu avô. Quando nos acalmamos, subimos acima do solo, onde havia uma yeshivá, e recitei kadish em memória de meu avô".

Como ele sabia sobre o sefer e sobre a morte de seu avô?

"Meu avô tinha um amigo de infância que estava com ele em Auschwitz. Os dois foram exilados junto de gueto em gueto e de campo de concentração para campo de concentração. Ele sobreviveu à guerra. Ele tentou emigrar para a Palestina, mas os britânicos prenderam-no e enviaram-no a Chipre, onde se casou com a cunhada de seu falecido amigo, meu avô, Yaakov Meir".

O casal adotou três filhas órfãs de Yaakov Meir, uma das quais se tornou a mãe de Yaakov.

"Este amigo de infância — agora família — contou às suas filhas adotadas que seu pai costurou um bolso secreto em seu casaco, que ele fez a partir da manga de um outro casaco, e no qual ele escondeu o sefer Torá, levando-o com ele onde quer que fosse. Quando chegou a Auschwitz, foi-lhe dito para remover toda a sua roupa. Um dos prisioneiros encarregados de recolher a roupa roubada pelos nazistas era um judeu de Munkatch. Descrevendo o casaco e o momento em que lhe foi tirado, ele implorou ao homem para retirar o sefer Torá de seu esconderijo.

"A Torá foi devolvida a ele três dias depois. Os judeus do campo estudavam-na, e secretamente liam a partir dela no Shabat e festividades. Yaakov Meir conseguiu sobreviver aos horrores de Auschwitz, mas foi morto por um soldado nazista na marcha da morte para a Alemanha nas últimas semanas da guerra.

"O sangue de meu avô, pulverizado sobre sua amada Torá quando ele foi morto, deu testemunho silencioso de sua morte, mas também deu testemunho de sua leitura regular de sua Torá e de viver com ela durante todo esse tempo terrível", contou Maor.

Anos mais tarde, o seu sangue foi cuidadosamente absorvido do pergaminho por voluntários da Zaka e enterrado em Jerusalém.

A Prova Eterna da Fé

Foi concedida a Maor a permissão para levar o sefer Torá consigo para Israel. Todos os anos, na festa de Simchat Torá, ele a retira da arca que construiu especialmente para ela e dança com ela. Para ele, retornar a Torá de seu avô para sua mãe e narrar com emoção a história para cada um de seus muitos netos — é a maior e mais doce vingança possível contra os nazistas.

A família Maor encomendou uma nova capa feita para o sefer Torá. Nela, eles mandaram bordar em grandes letras douradas: "Você deve viver por estas palavras: E foi quando a arca viajou [para] Munkatch, Auschwitz, Viena, Ramat Gan, Kedumim, Hemed."

O sefer Torá vai continuar a acompanhar a família Maor de geração em geração. Apesar de que o livro não está mais casher para leituras da Torá — tornou-se imprópria para o uso no decurso das suas viagens —, ele permanece "prova eterna que passamos, de geração em geração, nossas tradições, fé, conexão e amor pela Torá e percepção da intervenção divina de D'us em nossas vidas."

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Yaakov Maor com a Torá de sua família que entrou clandestinamente em Auschwitz, identificada por suas vergas de cobre incomuns.

 

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Shlomo Rizel é um chassid Chabad que trabalha para a Radio Kol Hai em Israel e representa organizações de caridades.

Traduzida do hebraico para inglês por Esther Rabi.

 

 


 

[1] Plural de sefer, livro, no caso, refere-se a rolos de pergaminho.

 

 

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