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A Contagem das Pragas

Quinta-feira, 14 Abril, 2016 - 9:29

 

A Contagem das Pragas

...e como os seres humanos afetam seu ambiente

Por Tzvi Freeman

 

http://w3.chabad.org/media/images/637/Setf6375550.jpgAcabamos de contar a história do Êxodo, estamos prestes a cantar "Dayenu" e partir para a comida, e aqui estão Rabi Eliezer e Rabi Akiva discutindo sobre estatísticas. Para ser mais preciso, sobre a contagem das pragas no Egito:

Rabi Eliezer: 10 x 4 = 40.

Rabi Akiva: 10 × 5 = 50.

Conte as pragas como elas ocorrem na história, e há dez delas. O que será que esses rabinos estão discutindo? E a verdadeira questão: Que diferença isso faz?

A diferença é grande. Realmente grande. Porque a discussão é profunda. O debate é sobre o quão profundamente o estado humano pode afetar nosso ambiente.

Não, eu não estou falando sobre despejar produtos químicos nocivos nos oceanos ou carbono na atmosfera. Eu estou falando sobre agir injustamente, obedecendo nossos hormônios em vez de nossos cérebros, o dólar ao invés de nossas almas, e, de forma geral, abandonar nosso propósito e papel como seres humanos. Isso também polui o ar que respiramos e os alimentos que nos nutrem,— com maior toxicidade do que qualquer outro veneno.

Palavras afetam o meio ambiente. As paredes de uma casa onde há raiva reverberam com palavras de raiva.

As paredes de uma casa onde há raiva reverberam com palavras de raiva. O dinheiro ganho por meios ilícitos está contaminado e é nocivo para aquele que o detém. O ar de um escritório onde fofocas e difamação se espalham torna-se pútrido e sufocante.

O mundo é a sua câmara de ressonância

Mas como é que isso funciona? Como pode a moral humana afetar a natureza dos objetos que nos rodeiam? O que tem a ver o meu cálido mundo interior pessoal com o mundo exterior frio em torno de mim?

Tudo. Porque todo o mundo fora de você foi concebido como o palco para o mundo dentro de você. E o mundo dentro de você foi projetado para transformar o mundo fora de você. Os dois nasceram em um único pensamento de seu Criador. E assim, os dois estão intimamente ligados.

O ser humano, escreveu o rabino Yehuda Moscato, um Cabalista do Renascimento italiano, é o solista de um grande concerto. Ele interpreta sua parte, e depois a orquestra toca de volta para ele — mais alto, maior, mais rico. Se ele se confundiu e tocou com dissonância, essa feia acritude vem num crescendo de volta para ele, amplificada por ordens de magnitude. Se ele toca como um verdadeiro músico, trazendo a beleza de cada nota da vida, ele faz todo o cosmos tocar isso de volta em harmonia magnífica.

Os antigos egípcios que nos escravizaram tocaram mal e feio. Por mais que estivéssemos  prisioneiros de seu chicote, muito mais estavámos presos pelo ambiente pútrido que eles criaram. Nós não poderíamos sair de lá sem que aquele ambiente fosse sendo limpado. É por isso que tinha que haver dez pragas. Dez ciclos de lavagem e enxaguamento para limpar o material que a Torá chama tum'ah — a atmosfera escura, pútrida, do Egito.

A água se transformou em sangue. A terra transformou-se em piolhos. O céu tornou-se bolas de fogo e gelo. Como uma lavagem de limpeza profunda, as pragas trouxeram os venenos malignos das entranhas do ambiente que eles tinham poluído, para a superfície, onde eles serviram a um propósito— e em seguida, desapareceram.

Lave profundo para a libertação

Quão profundo essa lavagem tem que ir?

Rabi Eliezer sabia que tinha que ir muito mais profundo do que a superfície. Mais profunda do que a água, uma vez que é água. Ela tinha que ir até a natureza fundamental da água.

A natureza de cada coisa surge de seu balanço particular de quatro naturezas fundamentais. Os antigos chamavam-nas fogo, vento, água e terra. Podemos chamá-las de positivo, negativo, matéria e antimatéria. Palavras diferentes, mesma ideia.

Os egípcios, por exemplo, adoravam o Nilo. A água do Nilo tornou-se poluída por pensamentos humanos, palavras e ações. Não apenas a água, mas os elementos da natureza que dão origem à água. Uma praga tinha que transformar isso, para chegar até a natureza fundamental daquela água e limpar a contaminação em sua fonte.

Rabi Akiva foi ainda mais profundo. No centro de cada coisa existente encontra-se uma centelha de seu Criador. A quintessência  — eles chamam-na "quinta essência". Não tem nenhuma substância ou forma, nenhuma natureza ou massa ou tamanho ou dimensões absolutamente, de modo que tudo o que se pode dizer sobre ela é que ela não não existe. A quintessência é onde Criador sopra vida dentro da criação.

E isso também, o ser humano tinha corrompido por seus atos. Ela também tinha que ser purificada, extirpada e enxaguada.

Isso explica muita coisa. Isso explica por que, imediatamente após dizer-nos como muitas centenas de pragas se abateram sobre os egípcios (250, para ser exato), Rabi Akiva exclama: "Se é assim, então quantos níveis sobre níveis de favores Ele fez por nós!" e explode em canção, cantando: "Dai-dayenu, dai-dayenu!"

Se Ele queria fazer-nos um favor, D'us poderia ter simplesmente nos arrancado de lá e nos despejado na Terra Prometida. O que é tão maravilhoso e bonito sobre pragas, a ponto de cantamos e agradecemos ao Criador por enviá-las para destruir Suas criações?

Mas agora entendemos: As pragas nos libertaram. Eles não apenas limparam o palco para que pudéssemos fazer a nossa saída. Eles transformaram o mundo em um lugar em que a liberdade era possível, e a Torá poderia agora entrar.

Hoje não precisamos de pragas. Temos melhores dispositivos.

Hoje não precisamos de pragas para fazer isso. Hoje precisamos apenas palavras faladas da Torá e belas, brilhantes mitsvot. Onde quer que vamos, quando dizemos palavras de Torá, as ondas de som que criamos limpam a atmosfera; e quando fazemos mitsvot, transformamos a própria natureza das coisas ao nosso redor. Até que, possa ser muito em breve, teremos limpado e purificado o mundo inteiro.

Por tal poder de transformação, por tal instrumento de libertação, precisamos cantar e dar graças toda noite e dia.

POR  TZVI FREEMAN

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