A Festa
Nissan 18, 5776 • 26 de abril de 2016
Por Tuvia Bolton
Nota do editor: Esta é uma velha história/anedota/metáfora judaica. Versões não faltam. A minha favorita é a do Tuvia Bolton:
Havia uma vez dois mendigos que costumavam perambular mendigando juntos. Um era judeu e o outro, um gentio. À medida que a noite de Pessach se aproximava, o mendigo judeu ofereceu-se para ajudar o amigo não-judeu a ser convidado para um seder (a refeição festiva de Pessach acompanhada por muitos mandamentos e rituais) e obter uma boa refeição. "Basta colocar algumas roupas judaicas e vir comigo para a sinagoga. Todo mundo traz para casa convidados pobres para o seder. É fácil, você vai ver."
O mendigo não-judeu concordou alegremente. Na primeira noite da Pessach, eles foram para a sinagoga, e, realmente, tanto um como outro foram convidados ‑ para casas diferentes ‑ para a cerimônia festiva.
Horas mais tarde, eles se encontraram em um lugar pré-determinado no parque local. Mas, para a surpresa do mendigo judeu, seu amigo estava loucamente irado.
"O que você fez comigo?", ele gritou. "Você chama aquilo de uma refeição? Era uma tortura!! Foi um inferno! Eu vou lhe dar o troco por isso ‑ não perca por esperar..."
"O que você quer dizer? O que aconteceu?", o judeu perguntou.
"O que aconteceu? Como se você não soubesse? Você judeus são loucos ‑ foi isso que aconteceu. Primeiro, bebemos um copo de vinho. Gosto de vinho, mas com o estômago vazio... Minha cabeça começou a girar um pouco, mas eu imaginei que a qualquer momento iria começar a refeição. O cheiro da comida que vinha da cozinha era ótimo. Então, nós comemos um pouquinho de salsa. E aí eles começaram a falar e falar e falar. Em hebraico. O tempo todo, eu estou sorrindo e balançando a cabeça como se eu estivesse entendo o que eles estão dizendo ‑ como você me disse ‑ mas minha cabeça está realmente girando e se ressentindo do vinho e eu estou morrendo de fome.
"O cheiro da comida da cozinha está me deixando louco, mas eles não a trazem para fora. Durante duas horas, não trazem nada para a mesa! Somente falam e falam. Então, tudo o que eu precisava... um outro copo de vinho! Aí, nos levantamos, lavamos as mãos, sentamo-nos e comemos esse wafer grande chamado de matsá que tem gosto de jornal, inclinando-se para a esquerda (não me pergunte porquê...). Eu comecei a engasgar, quase vomitei. E então, finalmente, dão-me esse alface, eu dei uma grande mordida e tcham! Minha boca estava em fogo. Minha garganta! Havia raiz forte dentro! Nada para comer, exceto raiz forte! Vocês são loucos...
"Bem, aí eu simplesmente me levantei e saí. Chega, basta!"
"Ah, eu deveria te ter dito." respondeu o judeu. "Que pena! Depois das ervas amargas, segue-se uma refeição gloriosa. Você já tinha aguentado tanto tempo! Você deveria apenas esperar mais alguns minutos...!"
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O editor de novo: a História Judaica é um seder. Nós tivemos nosso apetite estimulado com pequenos momentos de triunfo. Mas, principalmente, nós tivemos o "pão da fé", que os nossos paladares podem realmente não apreciar. E generosas porções de "ervas amargas".
A lição? Dois pensamentos vêm à mente. Você precisa de paciência para ser um judeu. E uma vez que já engolimos o maror, podemos muito bem aguentar mais um minuto e teremos a festa...
