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O Gentil Nobre e os Charlatães

Quinta-feira, 16 Junho, 2016 - 22:13

 

O Gentil Nobre e os Charlatães

Sivan 10, 5776 · 16 de junho de 2016

Por Menachem Posner

 

 

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Um mendigo estava caminhando ao longo da estrada, abatido e triste. Fazia anos que sua esposa não sorria mais. D'us lhes tinha abençoado com uma casa cheia de meninas, bonitas, sábias e habilidosas — cada uma delas uma joia. Quando sua filha mais velha chegou à idade de casar, casamenteiros começaram a bater em sua porta com sugestões de bons jovens homens, estudiosos da Torá.

Mas, infelizmente, quando sabiam que não havia dinheiro para um dote, eles lhes davam as costas. "Suas filhas são maravilhosas", eles diziam, "mas como podemos esperar que um jovem se junte a uma família que não pode nem mesmo contribuir com algumas moedas para a festa de casamento, nem ajudar o jovem casal a se estabelecer em uma nova casa?"

Como último recurso, ele partiu para mendigar, na esperança de que seus companheiros judeus — "misericordiosos, filhos de misericordiosos" —, iriam ter piedade de sua família e ajudá-lo em seu tempo de necessidade.

Mas ele estava enganado. Não que eles fossem mesquinhos ou indiferentes. Era só que eles também estavam atingidos pela pobreza e tinham apenas o suficiente para sustentar suas próprias famílias. E aqueles que tinham um pouco mais estavam sobrecarregados, atendendo aos pedidos de longe e de perto para dar assistência.

Agora, a caminho de casa, sua mente estava em seu bolso vazio e na decepção iminente de sua esposa. Mal notando seus arredores, ele encostou-se numa grande árvore, massageando as costas contra seu amplo tronco.

"Ei, você!", ele ouviu. "O que está fazendo aqui? Você não sabe que isto aqui é propriedade privada?"

Olhando para cima, de repente ele percebeu que tinha, aparentemente, adentrado os jardins de uma grande mansão, e que ele estava cara a cara com o Poritz, o senhor feudal que tinha poder quase ilimitado em seu reino.

"Eu sinto muito, Vossa Excelência", ele foi rápido em dizer. "Eu estava simplesmente vagueando pela estrada, sentindo-me tão sozinho e abatido pelo meu triste estado de coisas, que parei para confortar minha dor nas costas contra a sua árvore. Por favor, perdoe-me por tomar esse simples prazer, e já vou de volta ao meu caminho."

"Espere um momento", disse o Poritz, sem maldade. "Você parece um homem que sofreu na vida. Por favor, conte-me mais. Talvez eu possa ajudá-lo..."

"Vossa Excelência é muito gentil", disse o homem deprimido e sem perspectivas. "Eu estava me sentindo tão sozinho. Eu sou um pai de filhas e eu procuro desesperadamente meios com os quais possa ajudá-las a se casar, mas por que você deveria se preocupar com um pobre velho judeu e seus problemas?"

"Caro homem", disse o Poritz, "por favor, tome esta bolsa de moedas, e case suas filhas com alegria. Eu sou um homem velho e tenho todo o dinheiro de que jamais poderei precisar — é a alegria de dar que eu poderia usar em vida. Agora vá em paz".

Ainda duvidando se tudo não tinha sido apenas um sonho, o pobre homem precipitou-se para casa. Não demorou muito antes que a notícia da corrente milagrosa de eventos se espalhasse pela aldeia.

"Que sorte!", disse um homem para outro. "Aqui esta nossa chance de ficar ricos. Vamos para essa mesma propriedade tentar a sorte."

Fazendo o seu caminho pela estrada, eles prontamente localizaram a propriedade e uma árvore bem adequada e começaram a esfregar suas costas nelas com vigor.

Com certeza, o senhor feudal daquela região logo apareceu e veio questioná-los.

"Oh, Senhor," eles disseram, "Por favor, tenha piedade! Estávamos nos sentindo tão tristes, tão sós e tão sem esperança, que decidimos nos encostar em sua árvore por um tempo, aproveitando a oportunidade para massagear as costas".

"Você são charlatães, vocês dois", trovejou o senhor feudal, que tinha sido um general e ainda sabia como bradar uma ordem. "Deem o fora daqui agora!"

Enquanto eles humildemente deixavam o jardim, um deles ainda juntou coragem para questionar o Poritz. "Como é...", ele perguntou, "que quando o nosso amigo esteve aqui, você cumprimentou-o tão gentilmente, mas quando chegamos e dissemos-lhe uma história semelhante, você nos chamou de farsantes?"

"É muito simples. Quando um homem está realmente sozinho e ele precisa coçar as costas, ele não tem escolha, a não ser inclinar-se contra um tronco de árvore. Mas vocês são dois. Vocês poderiam ter esfregado as costas um do outro. Isso foi o que me disse que vocês não eram realmente tão carentes como vocês pretendiam mostrar-se ser."

Ao relatar esta parábola, os chassidim concluiriam: Quando se tem um amigo, nenhuma situação é jamais sem esperança.

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