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Você

Terça-feira, 28 Junho, 2016 - 12:39

Você

Por Jay Litvin                                                                                       

 

https://lh3.googleusercontent.com/Kfg0AtHhSezzuWdeigY2dI5R_iN45WoLVVvE7M5J9dbZ6oayaBkcVNckLkCn18Pz7p1hgr2cxZw0IJmA0DqLs6xQY1mRZeHWUn8bPWtsXKXLZcAFgbm4DiJ2aT4AS4vdQuem é Você? Quero dizer exatamente, quem é Você?

Quão grande é Você? Onde Você mora?

Sim, sim, eu já sei. Você é onipresente e onipotente. Mas isso não me ajuda. Isso não responde à minha pergunta.

Quem é Você?

Quero dizer, quem é Você quando eu rezo para Você? Quão grande é Você, quanto espaço Você preenche? Onde posso encontrar Você? Onde posso imaginar que Você está quando eu Lhe ofereço minhas preces?

 

Sim, sim, eu sei que Você circunda e permeia tudo. Eu sei que Você preenche todo o espaço e abrange tudo que existe. Eu sei que Você não tem forma nem rosto. Mas eu já Lhe disse: isso não me ajuda. Isso tudo são conceitos abstratos, palavras vazias, exercícios intelectuais. E quando eu preciso de Você (e eu realmente preciso de Você), eu preciso saber quem Você é, onde posso encontrá-Lo, o local exato para onde eu possa voltar-me para oferecer-Lhe minhas preces.

 

Você.

 

Por que estou questionando? Você pergunta. Isso não é chutzpah (ousadia desaforada)? Você desafia.

 

Eu não me importo. Preciso das respostas. Ao longo do nosso relacionamento, chegou o momento em que eu preciso saber.

 

Ok, Sejamos 100% honestos aqui. Quero dizer, deixe-me ser 100% honesto. Você sempre é honesto. Pelo menos é o que eles dizem sobre Você.

 

Você.

 

Você não respondeu a todas as minhas preces. Mais importante ainda, Você não cumpriu Seu dever em algumas das áreas mais importantes da minha vida. Não me leve a mal. Você não Se saiu tão mal. Há muita coisa boa acontecendo na minha vida, e como uma pessoa que permanece em estado de alerta para os milagres, eu posso ver a Sua Mão em grande parte, se não em todo o bem que transpira na minha vida. Então, eu não quero tirar isso de Você. Na verdade, deixe-me parar aqui mesmo para Lhe dizer obrigado. Realmente, eu quero dizer isso. Obrigado. Eu Lhe sou muito grato.

 

Mas, há algumas coisas grandes esperando lá fora, nas quais eu não consigo, mas preciso ver a Sua Bondade. Eu preciso de algum tachlis/resultado – alguma misericórdia franca, bondade, salvação, o que maisVocê tiver. E logo.

 

Sim, sim eu sei que Você muitas vezes age de forma oculta. Eu sei que a Sua Bondade, como Você, está em toda parte, mas muitas vezes não podemos vê-la. Pelo menos é o que eles dizem sobre Você.

 

Mas, Você vai me perdoar (eu espero): eu quero vê-La. Eu quero o bem aqui mesmo na minha vida, na vida da minha família, e eu quero vê-lo e senti-lo e saber que é bom.

 

Eu quero bondade revelada aqui no meu próprio nível.

 

Para ser claro, eu quero que Você responda às minhas preces.

 

Você.

 

E assim, uma noite, deitado na cama, neste estado de espírito, comecei a me perguntar: quem é Você? A Quem exatamente eu estou orando? Quem não está respondendo minhas preces?

 

Às vezes, eu rezo e é como se Você estivesse sentado do outro lado da mesa diante de mim. Somos só eu e Você. Eu estou pedindo. Você está ouvindo. Eu estou falando, Você está concordando, mas não está fazendo compromissos. Mas eu sinto que se eu for suficientemente urgente, convincente o bastante, Você vai responder às minhas preces. Talvez não justo agora. Mas em breve. Amanhã, talvez, quando eu acordar. Talvez no dia seguinte. Mas em breve.

 

Às vezes, eu fecho meus olhos e imagino um ponto dentro da minha cabeça e foco toda a minha concentração e rezo para este ponto. Minha atenção é como extremidade maior de um cone, e tento concentrar-me e comprimir tudo que sou para o vértice na extremidade estreita, onde parece, eu imagino, Você reside.

 

Você está aí?

 

Realmente, não é que eu ache que Você está lá, mas sim que, se eu puder concentrar meu ser neste ponto, sem distrações, minhas preces vão chegar melhor a Você, e que Você vai ouvi-las com mais atenção por causa da sinceridade e pureza de meus pensamentos.

 

(Eles dizem que Você é um D-us ciumento, e assim, eu acho, que se eu oferecer-lhe a plenitude pura de quem eu sou com concentração total, Você vai gostar mais assim. Pelo menos é o que eu penso sobre o que eles dizem sobre Você.)

 

Mas, ainda assim, embora eu não ache que Você resida neste ponto, eu entretanto, reduzi Você para um tamanho razoável, a um ponto de foco, a um ser individual isolado, existindo em algum lugar lá fora, ouvindo, afetado por minha concentração, meu desespero, meu desejo, minha paixão.

 

Isso é verdade?

 

Eu não comecei a rezar desta forma por causa dessas razões. Mas eu descobri que rezo dessa forma depois que iniciei a perguntar: quem é Você? Onde Você mora? Quão grande é Você? Para onde me viro para encontrá-Lo?

 

Parece que, perguntando eu aprendi mais sobre mim do que eu aprendi sobre Você.

 

Você.

 

No começo eu não descobri a resposta à minha pergunta. Não de imediato, de qualquer maneira. Mas eu de fato aprendi como eu oro. Descobri alguns pressupostos inconscientes por trás das minhas preces. Mas, não, minha pergunta ainda permanecia. Quem é Você? Parece que, perguntando eu aprendi mais sobre mim do que eu aprendi sobre Você.

 

Você. Bendito seja Você. (Ou pelo menos é o que eles dizem). Rei do Universo.

 

Esse questionamento seguiu por muitas noites. Em vez de pedir o que queria, em vez de oferecer os meus agradecimentos e minhas queixas, eu simplesmente continuei a perguntar: quem é Você? Onde Você mora? Quão grande é Você e quanto espaço Você preenche?

 

Eu não sei como foi isso para Você. Você perdeu minhas preces antigas? Você me achou ridículo? Ou Você simplesmente ficou curioso, perguntando onde isso levaria, ou esperando por mim para voltar para os meus sentidos?

 

Às vezes, eu apenas repetia a palavra Você, tantas e tantas vezes. Você. Você. Você. E às vezes, profundas emoções surgiriam. Nem sempre agradáveis, mas profundas. Às vezes eu nem mais questionava sobre quem Você era, mas simplesmente chamava Você: Você! Você! Você!

 

E algumas vezes eu somente diria: Você. Bendito seja Você. E ficava me indagando o que isso significa. E divagando como poderia eu estar abençoando Você quando o que eu queria era ser abençoado por Você.

 

Bendito seja Você, Rei do Universo. (Assim eles dizem.)

 

Ou deveria dizer: Bendito seja esse ponto de concentração. Bendito seja este Ser do outro lado da mesa, do quarto, da cama, de mim, escutando.

 

Abençoado Você, Abençoa-me. Por favor!

 

E de repente, uma noite, não me pergunte como ou por que, o ponto se alargou. Você não estava do outro lado da mesa, do quarto, da cama. Não era a minha concentração que Você procurava. Nem a minha paixão e desespero. Nem meus pedidos e reclamações.

 

De repente Você estava por toda parte, muitos lugares para eu atingir de uma vez, para eu conter. De repente eu era o ponto do cone e Você, a extremidade mais ampla, cuja largura não tinha fim (ou assim parecia).

 

Rei, que governa de lei implantada dentro de cada ser vivo

 

E, nessa consciência, alucinação, descoberta, em vez de focalizar meus pensamentos com concentração e desespero, abri meus braços, pois não havia nenhum lugar em que Você não estava e assim, apenas abrindo meus braços, oferecendo-me enquanto eu rodava, lentamente, em volta, lentamente, de lado a lado, para trás e para frente, eu poderia esperar encontrá-Lo.

 

Ou assim parecia, ou assim que sonhei.

 

E eu entendi por que as árvores têm tantos ramos, e gostaria de ter mais braços para levantar e abri-los. Eu entendi por que as flores têm pétalas macias à sua volta, alcançado acima e além em louvor a Você, e eu desejei tal habilidade para chegar acima e além, em e dentro, para encontrar Você, para Lhe louvar. Para ser uma parte de Você.

 

Você. Bendito seja Você.

 

Rei, que governa de lei implantada dentro de cada ser vivo. Para quem a lealdade é o simples ato de ser o mais profundo de si mesmo em contato com a lei que nos guia e ao mundo.

 

Você. Bem-aventurado seja Você, que é todas as coisas que são abençoadas cada vez que eu digo, Bendito seja Você, Criador desta árvore. Bendito seja Você, Criador deste fruto. Bendito seja Você, que tira o sono de minhas pálpebras. Bendito seja Você que criou e colocou-Se dentro de cada criação para ser sempre encontrado por aqueles que buscam e, sim, questionam.

 

E neste momento, quando o meu ego e todos os seus pedidos e necessidades, reclamações e elogios, dissolveram-se na vastidão de quem Você é, voltei a deitar na minha cama, orando por minha saúde e a da minha família, para o bem-estar e paz de espírito, para todas as coisas grandes e pequenas. E eu não queria menos as minhas preces atendidas do que antes.

 

Mas eu vi, esta noite, que esta era a resposta às minhas preces: para ser uma parte de tudo isso, para ser um deste Um. Que o próprio ato de oração poderia ser a resposta à oração. E que a única questão real é: quem é Você?

 

Você.

 

Você.

 

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