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Não sou Chabadnik

Terça-feira, 26 Julho, 2016 - 20:53

Homenagem aos 30 dias da data de falecimento 

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Elie Wiesel foi um grande escritor judeu sobrevivente do holocausto, que recebeu o prêmio Nobel da Paz, pelo conjunto de sua obra de 57 livros, dedicada a resgatar a memória do holocausto e a defender outros grupos vítimas das perseguições. Pouco depois de ser premiado, Wiesel e sua mulher criaram a Fundação Elie Wiesel para a Humanidade.

Wiesel defendeu a causa dos judeus soviéticos, os índios Miskito da Nicarágua, os "desaparecidos" da Argentina, os refugiados do Cambodja, os Curdos, as vítimas do apartheid na África do Sul, as vítimas da fome na África e mais recentemente as vítimas e prisioneiros na antiga Iugoslávia.

Discurso de Aceitação do Prêmio Nobel da Paz por Elie Wiesel:

É com um profundo senso de humildade que aceito a honra que escolheram conceder a mim. Eu sei: sua escolha transcende a minha pessoa. Isto tanto me assusta como agrada. Assusta-me porque eu me pergunto: Tenho o direito de representar as multidões que pereceram? Tenho o direito de aceitar esta grande homenagem em nome deles? Não tenho. Isso seria presunçoso. Ninguém pode falar pelos mortos, ninguém pode interpretar seus sonhos e visões mutiladas.

Sobre seu trabalho, Elie disse:

"Decidi dedicar minha vida a contar a história porque senti que tendo sobrevivido, devo algo aos mortos, e todo aquele que não se lembra os trai mais uma vez."

Shabat Shalom! Beit Lubavitch Rio 

 

Não sou Chabadnik NEWSLETTER_clip_image001.jpg

Por Elie Wiesel

Como se sabe, Chabad significa realizar uma missão. Uma missão de Chabad e uma missão do Rebe, seu líder, missões do Rebe para seus admiradores, de um seguidor para outro seguidor; do emissário para todo público.

Chabad também significa emissários: estes admiráveis jovens homens e mulheres que o Rebe envia para os lugares mais próximos e mais remotos, onde quer que vivam judeus, e onde quer que haja necessidade de espalhar o Judaísmo e de reacender a centelha judaica de fé, esperança e redenção.

Eu gostaria de oferecer a eles uma expressão pública de gratidão e agradecimento. Que o mundo todo saiba que, mesmo em desertos humanos, o povo judeu não está sozinho; que o mundo judaico e chassídico saiba que mesmo nas cidades e aldeias mais abandonadas, nas pequenas e até mesmo nas menores universidades, os Chabadniks estão lá, buscando e se conectando com estudantes judeus, para carinhosamente lhes oferecer orientação e aconselhamento, para expô-los às suas "raízes" e — muito simplesmente — aquecê-los.

Isso não significa que eles sejam os únicos. Há também outras organizações que fazem o que podem e às vezes até o que devem fazer. Há casas Hillel, Centros Comunitários, e várias agências educacionais que se dedicam aos estudantes, proporcionando-lhes uma educação no espírito judaico. No entanto, ainda assim, Chabad é diferente.

Eu estou parecendo um Chabadnik? A fim de que ninguém me acuse de induzir a erro, eu costumo admitir em todas as reuniões Chabad que não sou realmente um Chabadnik, mas, sim, um adepto da chassidut Vishnitz. Eu sou um descendente de Vishnitzer e provavelmente continuarei a ser um admirador de Vishnitz até o fim.

E daí? Também sou próximo da dinastia Gerer; e, francamente, me sinto muito perto do Movimento Chassídico como um todo. No entanto, Chabad ocupa um lugar especial no mundo Chassídico. No campo da divulgação da Torá e Judaísmo entre os estudantes judeus que estavam à deriva, ninguém pode se comparar com Chabad.

Eu testemunhei isso mais de uma vez. Você chega em uma comunidade em algum lugar no Sul, no Centro-Oeste, e você encontra colegas e alunos que falam com grande fervor sobre a sua relação com Chabad. Se não fosse pelos emissários de Chabad, muitos jovens teriam sido enganados e atraídos para vários cultos, dependência de drogas, D'us não o permita.

Graças a esses tranquilos, modestos, mas capazes emissários, muitos jovens encontraram um endereço onde tem abrigo, onde podem encontrar seres humanos com corações afetuosos e lhes falar sobre os seus problemas. Nesses lugares, emissários Chabad são o único contato dos jovens com o povo judeu e com o Judaísmo.

Seattle e Detroit, Madison e Boston, Amherst, Minneapolis e Chicago — ninguém os convidou, ninguém preparou contatos ou apartamentos para eles, e, em alguns casos, ninguém estava ciente da sua vinda. Eles simplesmente apareceram numa manhã brilhante e começaram a procurar judeus.

Após a primeira semana, já tinham um quadro explícito da situação: o que tem de ser feito, onde, e quanto trabalho pessoal é preciso. No mês seguinte, eles já organizaram o seu próprio centro para os estudantes, programas educacionais, etc. Cerca de um ano mais tarde, este pequeno centro se transforma em um enorme edifício de atividades.

Hoje, já temos, graças a D'us, centenas de grandes centros Chabad ramificados pelos Estados Unidos da América. Eles atraem os ricos e os pobres, os religiosos e os não-comprometidos, as crianças e seus pais. Você aprende, você reza, você canta, e organiza encontros alegres e comícios.

Gostaria que outros movimentos chassídicos tivessem inveja deles e também enviassem emissários, construíssem escolas e centros educativos, e, assim também salvariam almas — fosse esse o caso, nossa situação seria diferente.

Como é que os Chabadniks são os únicos neste campo? Podemos (ou estamos autorizados a) dizer que os outros não têm o mesmo auto-sacrifício? D'us não o permita. Talvez a resposta esteja enraizada na abordagem fundamental de Chabad ao Judaísmo com base na educação.

Para Chabad, a educação é um princípio fundamental. Em segundo lugar, a sua dedicação também é atribuída à personalidade do Rebe. Cada emissário sente que ele serve num exército, no qual o Rebe é o seu Comandante em Chefe. Vai-se para onde o Rebe pede que se vá, cumpre-se todas suas solicitações. Quando um emissário, certa vez, expressou sua preocupação ao Rebe, que o seu centro tinha uma grande dívida, o Rebe respondeu: "No próximo ano, desejo-lhe uma dívida ainda maior."

Aconteça o que acontecer, uma solução é sempre encontrada. Encontra-se filantropos para cobrir as despesas do orçamento, encontra-se judeus que ajudam aqui e ali. "Busquei e encontrei: acredite", declara o Talmud. Quando lidamos com a busca, é preciso ter fé.

Eu fico entusiasticamente comovido pelos emissários do Rebe. Eu os vejo no campo de batalha, eu vejo como eles educam as crianças, como eles falam com pessoas alienadas. Como alguém pode ficar à margem? É preciso dar uma mão. É preciso responder, dizendo Amén.

Devo acrescentar que a sua conduta pessoal é admirável. Tudo que eles ou suas famílias fazem, é feito em prol da causa. Sua única ambição? Chegar a um outro jovem rapaz, a uma jovem moça, e aproximá-los do Judaísmo. Para despertar um outro coração, outra alma, e para salvá-los da assimilação ou conversão, D'us nos livre, de modo que suas realizações possam servir de exemplo.

Eu sei o que você está pensando: Os Chabadniks me agarraram, me pegaram em sua rede. Não, eu ainda sou um Vishnitzer. Se Vishnitz criar centros nas faculdades, vou elogiá-los cem vezes. Por ora, Chabad é o único fazendo isso.

 

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