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Conte-nos sua história

Quarta-feira, 10 Agosto, 2016 - 12:41

 

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Por Levi Avtzon   

 

Atenção avós, pais, e qualquer um que tem memórias para partilhar: por favor, escreva o seu livro de memórias. Por favor, conte-nos sua história.

 

Era uma vez, quando as mudanças do mundo se operavam em câmera lenta, as memórias não desempenhavam o papel que devem ter hoje. As crianças se identificavam com o mundo em que seus pais haviam crescido, pois, em sua maior parte, era o mesmo mundo.

 

Hoje o mundo está evoluindo em um ritmo muito rápido. As crianças estão educando suas mães e seus pais, ensinando-os a manobrar na era sem-livro, sem-correio, sem-cabo (sem-respeito?) em que vivemos As crianças são os professores, seus pais são os alunos abaixo da média ("Hum, como faço para usar este aparelho, filho?"). Uma sociedade às avessas.

 

Em meio a tudo isso, precisamos de estabilidade. Precisamos de tradição. Precisamos de raízes. Precisamos de pais, que, embora não possam nos vencer em jogos de computador (nem sequer tentam), podem nos ensinar como ser humanos e como ser judeus. Eles são o nosso elo na corrente a partir de Abraão e que se estende através de quatro milênios, do Crescente Fértil ao mundo moderno.

 

É por isso que nós lhe imploramos: conte-nos sobre a casa em que você cresceu, relacione as histórias que seus pais relembravam sobre a infância deles. Conte-nos sobre os bondes no Lower East Side e os truques engenhosos do tio Hymie, a velha Europa e o frio siberiano. Fale-nos de um tempo em que as pessoas falavam com pessoas, não com máquinas radioativas, quando os amigos eram pessoas com quem conversávamos, e não aqueles a quem você pressiona "aceitar" no Facebook. Levem-nos ao seu mundo.

 

Não há nada que construa uma relação entre pai e filho mais do que uma conversa aberta em que o pai se abre para o seu filho, trazendo a dimensão humana ao muitas vezes ‘desentimental’ ambiente doméstico.

Sentar no colo do avô ou da avó, comendo biscoitos e bebendo leite, enquanto ouvimos histórias de um mundo que passou, é a cola que cimenta o elo entre as gerações.

 

E mais uma coisa: por favor, anote as suas histórias também. Seus filhos não se preocupam com a linguagem deficiente, a falta de prosa, ou as frases cortadas, eles querem sua vida em suas palavras. Não deixe sua vida morrer nos recessos de sua mente; mantenha-a viva ao transcrevê-la para a sua prole. Eles serão eternamente gratos.

 

Meus próprios avós, que infelizmente faleceram muito cedo para eu conhecê-los tanto quanto eu gostaria, felizmente me deixaram suas memórias detalhadas, eles me deixaram um pedaço de si próprios.

Conheço-os por meio de sua caneta e eu me sinto conectado.

 

O quinto livro da Torá é um livro de memórias. Durante os últimos 37 dias da vida de Moisés, ele falou e escreveu a biografia coletiva dos judeus no deserto e a relação tumultuada que teve com o seu rebanho durante todo o percurso de quarenta anos. É uma leitura emocionante.

 

Por que o livro de memórias? Por que a necessidade de repetir a história e extrair suas lições?

 

Moisés quis criar essa ligação humana a partir da geração de ex-escravos que viajaram através do deserto até chegar a esta geração que lê seu livro de memórias em uma tela digital. Para nos ajudar a identificar as nossas vidas do século 21 com as dos nossos antepassados. Para mostrar-nos que muito mais do que o que mudou é realmente a mesma coisa.

 

Daí o quinto livro da Torá. Seu nome é Devarim, "palavras". O poder das palavras. Conte a sua história. Seus filhos vão agradecer-lhe ... e saber quem você é.

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