Animais primeiro
Por Lazer Gurkow
A Torá exige que nós alimentemos nossos animais antes de nós mesmos.1 Desperte e alimente o Pluto antes de se saciar com o seu café da manhã. Isso não significa que devemos alimentar nossos animais com o nosso último pedaço de pão ‑ fosse esse o caso ‑ e nos sacrificarmos morrendo de fome por eles. A vida humana tem precedência absoluta sobre a vida animal. Mas se temos fundos suficientes para alimentar ambos, os animais devem ser alimentados antes de nossas refeições. Muito simplesmente, a Torá está emanando uma mensagem humana para atender as necessidades dos seres dependentes de nós antes das nossas próprias necessidades.
Se você está familiarizado com a filosofia chassídica, você sabe que, muitas vezes, o que parece ser uma afirmação muito simples na Torá, na verdade, tem um interpretação subjacente profundamente espiritual. Em um nível metafórico, todos nós temos um animal interior, uma natureza básica que é totalmente auto-absorvida. A nossa tarefa na vida é subjugar nossa natureza animal, refreando nossos impulsos, ou sublimar o animal, tornando-o mais espiritualizado.
Esta tarefa é a razão para a descida de nossa alma da morada celestial onde residia antes de nascermos. A alma estava perfeitamente satisfeita de servir a D'us em seu reino espiritual, onde ela via o divino, tremia de temor e derretia-se em êxtase. Mas foi dada a ela a missão de descer do céu e entrar no corpo humano. Sua finalidade não é apenas continuar a servir a D'us por conta própria ‑ embora esta continue a ser a maior alegria da alma ‑, mas, sim, de ensinar o corpo e treinar a nossa natureza animal básica a servir a D'us.
Para nossa alma, nada seria melhor do que isolar-se durante todo o dia em oração e meditação. Mas a alma não veio aqui para melhorar a si mesma; ela poderia aperfeiçoar-se muito mais livremente no reino espiritual de onde veio. Ela desceu a este mundo material para refinar nossos impulsos animalescos, para transformar um ser auto-absorvido em um ser altruísta. Ela deve ensinar ao animal o valor de fazer mitsvot e do estudo da Torá. Esta é a prioridade da alma, e deve vir em primeiro lugar.
Benefício para a Alma
Não há dúvida de que este é um desafio difícil para a alma. Ela quer subir para níveis transcendentais de inspiração sacra, e, em vez disso, é submetida a passar oito a dez décadas de trabalho com um animal teimoso, preguiçoso e ignorante. Mas, em troca, a alma atinge um nível que nunca poderia ter alcançado antes por conta própria.
Se por um lado, antes do nascimento, a alma se entregava à absorção espiritual, por outro, agora, a alma está dedicada a uma causa maior que si mesma. Depois de cento e vinte anos, quando a alma retorna ao seu lar celestial, ela vai subir muito mais elevado do que estava antes.
Ao treinar o corpo para servir a D'us, a alma esculpiu um pequeno pedaço do mundo material para D'us, criando uma morada para Ele no reino inferior. Esta foi a intenção original de D'us na criação, e à alma foi dada a oportunidade de desempenhar um papel neste propósito cósmico.
A alma desceu para ensinar um animal egoísta a se tornar altruísta, e, nesse processo, aprendeu uma lição. Tão sagradas quanto fossem suas ministrações espirituais antes de sua descida, eram ainda assim, de forma sutil, uma busca egoísta. A alma agora colhe o benefício de seus esforços e aprende a lição que trabalhou para ensinar: que, no final, somos duplamente recompensados quando colocamos os outros em primeiro lugar.
