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O Paradoxo da Sucá

Quinta-feira, 13 Outubro, 2016 - 23:25

 

O Paradoxo da Sucá     

 

Por Lazer Gurkow

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Durante oito dias eu abandono o conforto de casa e me mudo para uma cabana no quintal, um abrigo temporário chamado de Sucá. Minha Sucá é espancada pelo vento e gelada pelo frio, mas quando eu me sento dentro dela, me sinto feliz. Eu levanto os meus olhos e contemplo o panorama das estrelas celestes, claramente visível através da folhagem, e eu reflito sobre os prazeres simples da vida. 

A Sucá simples inspira um sentimento de nostalgia dos nossos antepassados nos vilarejos, que faziam mais com muito menos. Uma cabana simples de madeira e uma cobertura de palha era suficiente para uma família grande. Edredons e água corrente eram luxos desconhecidos. No entanto, eles eram felizes. Satisfeitos em contentar-se com a sua sorte. Eles sabiam como contar suas bênçãos.

A moradia é simples, mas a mitsvá é bela. Ao sentar-me na Sucá e respirar o doce aroma de pinho misturado com o do,  contemplo uma época em que menos era realmente o suficiente... É então que eu observo os castiçais brilhantes de fina porcelana que enfeitam minha mesa simples, as decorações coloridas e luzes bonitas que enfeitam minha simples Sucá, por instrução dos nossos sábios: "para embelezar a Sucá com a nossa melhor e fina louça”. É uma visão incoerente. Parece não pertencer àquele cenário.

A mensagem da Sucá é de se contentar com pouco. Como se encaixa a minha fina porcelana?

Este é o paradoxo da Sucá e sua dupla mensagem. Em nossos locais de moradia e nas ocupações materiais que sustentam-nos, devemos nos contentar com menos. Em nossas mitsvot e aspirações espirituais, devemos sempre buscar o melhor. 

Onde está D´us? 

A Torá nos exorta, "e você deve saber que o Et-rno é D'us, em cima no céu e abaixo na terra" (Deuteronômio 4:39). A Torá é extremamente econômica com suas palavras. Cada palavra é calculada, cada letra é meticulosa. Por que, então, a Torá aponta que os céus estão acima e abaixo está a terra? Será que não estamos já familiarizados com os locais?

O Mestre chassídico Rabi Menachem Mendel de Kotzk (1787-1859) ofereceu a seguinte explicação: Para conhecer D'us, devemos primeiro abraçar D'us e para isso devemos abandonar nosso ego. Antes que possamos contemplar D'us, devemos abrir espaço para D'us nos limites de nossas mentes. D'us não pode encher a minha mente, se ela já está cheia de pensamentos egoístas. Como purificamos nossas mentes? 

Por duas etapas simples: Céu - acima. Terra - abaixo.

Céu Acima, Terra Abaixo

O Talmud (Ética dos Pais, 4:1) ensina que se contentar com o que temos é ser verdadeiramente rico. Em palavras simples, aqueles que estão satisfeitos, nada os falta. Para aqueles que estão continuamente à procura, há falta de tudo. Nossos sábios ensinaram: "Aquele que tem cem moedas deseja 200, aquele que tem 200, deseja 400”.

Seguindo esta lógica, um padrão inverso surge. Toda vez que você dobrar suas riquezas, seu patrimônio líquido encolhe por um fator de dois. Quando você tem 100 dólares, te falta apenas 100 dólares. Quando você adquire 200 dólares suas necessidades instantaneamente duplicam.

Por mais rico que você seja, mais você desejará. Quanto mais você deseja, mais você não terá. Quanto mais lhe falte, mais pobre você será. Quem é verdadeiramente rico? Aqueles que estão satisfeitos com o que têm.

Somente em Assuntos Materiais

Rabi Shneur Zalman de Liadi (fundador do movimento Chabad, 1745-1812) explicou, no entanto, que o valor de contentamento adotado na Ética dos Pais somente deve ser aplicado a questões de materialismo. Em assuntos de Torá e espiritualidade, devemos aspirar a grandezas cada vez maiores e nunca se contentar com a mediocridade.

Em matérias de santidade buscamos subir cada vez mais alto. Estudar mais um capítulo de Torá, financiar uma outra causa de caridade ou assumir outro desafio fortalecedor. 

Acima e Abaixo 

É por isso que a Torá especifica que os céus estão acima e a terra está abaixo.

No terreno material temos que  fixar o olhar sobre os que estão abaixo de nós; temos que olhar para aqueles que têm menos do que nós, e aprender a sermos gratos por nossa situação. Em assuntos espirituais celestiais, devemos fixar o olhar sobre aqueles que estão de nós, aqueles que têm feito mais do que nós, e procurar imitá-los.

"E você deve saber que o Et-rno é D´us." Onde está D´us? "Nos céus e na terra abaixo." D´us pode ser encontrado no olhar celeste que é dirigido para cima e no olhar terrestre que é dirigido abaixo.

Quando abandonamos o nosso desejo de acumular mais riquezas, construir uma casa maior e dirigir um carro mais sofisticado, abriremos espaço para D'us. Quando nos dedicamos a assuntos de Torá e espiritualidade com devoção infalível, teremos encontrado o Et-rno. 

A Sucá 

Esta é a mensagem Paradoxal da Sucá. A moradia é simples, mas a mitsvá é embelezada.

Durante Sucot abandonamos nossas poltronas e casas confortáveis. O vácuo deixado pela falta de conforto material abre espaço para D'us. Este espaço vazio será preenchido com Divindade quando melhorar a nossa mitsvá com glória e beleza.

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