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Kislev - As cores do Arco-Íris em Harmonia

Terça-feira, 06 Dezembro, 2016 - 16:51

 

Kislev: As Cores do Arco-Íris em Harmonia

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Cada um de nós precisa combater a escuridão da sua própria maneira.

por Rebbetzin Tzipporah Heller

 

As noites longas, silenciosas e brancas de inverno têm uma característica semi-mística. De vez em quando, elas nos fazem pensar em terminar o dia cedo e abrir um livro, escrever um diário, ou talvez só escutar. O silêncio nos permite escutar os nossos corações falando alto sem a nossa rotina estática. Nós tendemos a atenuar o impacto de viver com estações do ano, destruindo as suas mensagens com a intrusão (e benção) da eletricidade. Nós transformamos o verão em primavera com o arcondicionado. Nós aquecemos as nossas casas e sentimos o inverno olhando das nossas janelas e sentindo o frio ao tocarmos nos seus vidros. Nós prolongamos o dia mantendo as luzes acesas. Tudo isto, obviamente, é uma grande sorte. Afinal de contas, ninguém sente falta do tipo de verão que nós nos sentimos exaustos, tensos e ensopados de suor, ou o tipo de inverno que nós ficamos presos nas nossas casas muito mal aquecidas não vendo a hora do sol aparecer. No entanto, é bom de vez em quando parar e deixar o mundo falar conosco. Cada mês possui a sua própria mensagem. O Arizal, um grande místico, nos conta que a força espiritual de cada um dos 12 meses é análoga a cada uma das 12 tribos (no mês de Kislev, a tribo de Benjamim, que era conhecido pela sua fé inabalável em D’us e a sua tremenda capacidade de lutar contra a perversidade) e o signo astrológico do mês (para este mês, é o arco). Tudo isto nos ajuda a identificar a natureza do mês e talvez encontrar uma parte de nós mesmos (já que cada judeu é uma combinação de todas as 12 tribos). A medida que os dias ficam mais longos e escuros, intuitivamente, nós podemos sentir o lugar dentro de nós que é escuro, sem esperança e vulnerável está mais à tona do que durante o verão. De fato, há uma base biológica para este sentimento. O que nos passa despercebido é o grande valor do contato com esta parte de nós mesmos. Há dois eventos que ocorreram no mês que nos ajudam a entender o território que nós estamos entrando. O primeiro é D’us apresentando o arco-íris como um sinal do pacto após a destruição do Dilúvio. É improvável que nós associemos o arco-íris com os dias mais curtos do ano, mas ele é realmente parte deste cenário. Noach saiu da arca e entrou novamente no mundo no dia 28 de Cheshvan (o mês anterior no calendário judaico). Ele viu uma destruição enorme, inacreditável e total. Nós não podemos imaginar o mundo destruído e silencioso que ele se deparou. Ele reconheceu que dependia dele traçar uma trajetória que levaria ele e os seus descendentes a redefinir o mundo. Ele ofereceu sacrifícios para simbolizar o seu comedimento de elevar o mundo e tudo nele para a sua fonte Divina.

A chispa de eternidade dentro de nós nunca pode desaparecer totalmente, independente de quão bem nós a encobrimos nos adaptando a comportamentos animalísticos.

No primeiro dia de Kislev, D’us respondeu a este ato abençoando Noach e a sua família. Ele estabeleceu novas regras para eles. De agora em diante, o homem poderia comer carne. Ele será BS”D responsabilizado por derramar sangue humano. O mundo está destinado a ser um lugar onde o fato que nós somos feitos na imagem Divina é relevante. Nós não somos simplesmente um tipo de animal mais desenvolvido, mas sim, uma espécie excepcional. A chispa de eternidade dentro de nós nunca pode desaparecer totalmente, independente de quão bem nós a encobrimos nos adaptando a comportamentos animalísticos. Nós não podemos nos “transformar” em um animal, assim como uma maçaneta de uma porta não pode se tornar um canário. Nós podemos matar e comer animais. Nenhum ser humano é um animal. D’us prometeu que nunca mais traria dilúvio, selando o seu pacto de dar continuidade a existência com um símbolo – o arco-íris. Por que um arco-íris? Sempre houve arco-íris, mesmo antes do dilúvio. O que mudou foi a sua mensagem. O que o arco-íris colorido e luminescente nos diz sobre o território que nós caminhamos? Ele delineia o nosso futuro. Depois do dilúvio, toda a humanidade passou a se desenvolver de uma forma diferente. Até esse momento, não havia um conceito de nacionalidade e culturas diferentes. De agora em diante, povos diferentes progressivamente se tornam mais diversificados. O arco-íris é um manifesto vivo (um mapa) do que isto realmente quer dizer (o território). O arco-íris é formado quando uma luz branca pura se refrata em sete tonalidades. O vermelho se encontra mais perto do feixe original, e violeta está mais distante da luz branca pura. Isto possui uma anologia humana. Algumas pessoas estão mais próximas de D’us, e as suas vidas revelam a sua intimidade com o Criador. Outras estão muito mais distantes da sua Fonte, e nada na sua vida evidencia externamente algum tipo de relacionamento com Ele. O fato é que ambas as pessoas vêm de uma Fonte, da mesma forma que ambos o vermelho e o violeta são oriundos da mesma luz branca pura.

Todas as tonalidades da nossa existência são provenientes de uma única fonte de Luz, mesmo se nós nem sempre formos espertos o suficiente para percebê-la.

Nas nossas vidas individuais, nós também presenciamos todo o espectro de luz, desde o claro até o escuro. Três horas da tarde pode ser o horário ideal – o trabalho está ótimo, o céu está azul, e tudo parece perfeito. Três horas da manhã é uma história completamente diferente. Você deita na sua cama e não consegue dormir. Nada que você faz parece ser significativo. Nada parece ter propensão de mudar. Às vezes, momentos escuros são estimulados por fatores externos – rejeição, fracasso ou uma suposta rejeição ou fracasso, mas há momentos escuros que são parte do fluxo da vida. Em ambos os momentos, nós podemos reconhecer que D’us nos criou com um ritmo interno que desloca a luz dentro de nós da luminosidade do “vermelho” para o desespero do “violeta” e que as nossas almas ainda são eternas e a vida ainda tem significado. Cada alma humana sempre estará conectada com a vida, que é o Próprio D’us. Todas as tonalidades da nossa existência são provenientes de uma única fonte de Luz, mesmo se nós nem sempre formos espertos o suficiente para percebê-la.

O policial disse a Sammy que ele tinha direito a dois telefonemas. Os seus olhos mudaram de uma luz brilhante para o marrom da mesa de fórmica quebrada. Qualquer coisa menos o telefone. Com 19 anos, ele se sentia velho, morto e repugnante. Não havia ninguém para ligar. Nem o seu pai, que ele não falava com ele desde a sua infância, nem a sua mãe louca.

O policial olhou para ele com uma mistura estranha de impaciência e compaixão.

BS”D

 

 – Ligue para o seu advogado ou alguém na sua família. Nós não podemos deixar você sair até que alguém assine para você e lhe dê uma fiança. Pode levar meses até o seu julgamento. Ele não respondeu.

Ele não precisava responder. Ele entendeu a situação. Não havia ninguém em todo o planeta que Sammy podia ligar. Os seus olhos marrons cansados se encontraram com os dele por um momento. Ele queria bater nele e em todas as outras pessoas arrogantes, prudentes e normais que ele conhecia. O seu ódio era agudo, profundo e nada podia se comparar com o calor do ódio que ele sentiu por si mesmo. Ele se lembrou de um número. O diretor da sua escola secundária em Migdal HaEmek, que o encontrou a cinco anos atrás e o convenceu a ir para o dormitório da sua escola. A última vez que ele falou com ele foi em uma reunião turbulenta no seu escritório, que terminou com Sammy saindo e traçando o seu próprio caminho.

Ele não sabia o que dizer. Ele discou o número com as mãos trêmulas. Ele queria o telefone só para ligar, para que ele não tivesse que enfrentar o policial que sabia demais e, ao mesmo tempo, a não forçá-lo a escutar a indiferença ou raiva que ele previa por despertar alguém às 4 horas da manhã. Ele tocou oito vezes.

O Rabino Grossman atendeu:

- É o Sammy.

- O que aconteceu?

Onde você está?

Ele contou toda a história desafortunada e terminou somente com as únicas palavras que ele conseguiu dizer.

- Eles me deterão até que alguém assine e pague a fiança.

 

Dentro de algumas horas, o Rabino Itzchak David Grossman, o famoso rabino de Migdal HaEmek, estava em Tel Aviv, uma viagem de duas horas quando a estrada está vazia. Ele sabia o que Sammy não sabia e acreditava em algo que Sammy nunca acreditou. O Sammy não tem preço, é belo e é uma manifestação eterna do seu Criador.

 

A LUZ DE CHANUKÁ

 

O segundo evento que é a marca de distinção do mês de Kislev é Chanuká. Esta foi uma das épocas mais obscuras na nossa história. De alguma forma, nós perdemos de vista tudo o que é real e duradouro. Uma porcentagem significativa do nosso povo se definia como helenistas, amantes de tudo o que é grego. Os gregos tinham muito mais conhecimento do que qualquer outro povo que os havia antecedido. Eles entendiam das colinas e vales, do corpo e da alma. Eles eram dotados de uma precisão excepcional e retrataram o que eles viam com uma beleza e força sem precedentes.

Mas eles não conheciam o território. Moralidade, Divindade e espiritualidade estavam além da sua compreensão. O que é pior é que eles achavam o próprio conceito de espiritualidade ameaçador e perigoso para o seu mundo voltado para o ser humano. Eles proibiram a Torá porque ela levava a mente a lugares desconhecidos. Eles proibiram o Shabat porque ele atraia quem o cumpria a se ver como parte de um mundo criado com o controle do seu Criador, no lugar de um membro de um mundo voltado para o homem em que a moralidade é irrelevante. Eles proibiram a circuncisão porque ela indica que o corpo humano não é perfeito como ele é, mas é um instrumento imperfeito que os seres humanos precisam aperfeiçoar.

No meio de tudo isto, nós passamos por um renascimento nacional e um autodescobrimento. Nesse momento, o milagre ocorreu. Os gregos profanaram a Menorá, que é um símbolo do espírito, assim como eles destruíram tudo que havia no Templo. Quando o Templo foi BS”D recuperado, uma das primeiras coisas que os guerreiros Hamoneanos fizeram (ou seja, aqueles que eram provenientes de uma família de Kohanim, cujo nome era Hashmonai) foi tentar reacender a Menorá. Por que isto era tão importante para eles? O motivo da sua luta não era por uma independência política. Eles estavam lutando por renovação espiritual. Acender a Menorá era a sua reação contra a escuridão.

A quantidade de óleo suficiente para um dia durou oito dias.

Cada um de nós precisa combater a escuridão da sua própria maneira. Ninguém é igual. Cada um de nós é um mundo inteiro. Vamos usar este período para ver o arco-íris que é o resultado natural da chuva e sol se encontrando. Vamos usar esse momento para acender a Menorá que sempre está dentro dos nossos corações. Publicado No Aish.com.

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