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8 Pensamentos Curtos para 8 Noites de Chanucá

Quarta-feira, 21 Dezembro, 2016 - 13:19

 

8 Pensamentos Curtos para 8 Noites de Chanucá

25 de novembro de 2013

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O Rabino Sacks escreveu oito pensamentos curtos, um para cada noite de Chanucá. Por que não imprimi-los e ler cada um com sua família antes de você acender suas próprias luzes de Chanucá este ano? Chanucá Sameach!

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INSPIRADOS PELA FÉ, PODEMOS MUDAR O MUNDO

Vinte e dois séculos atrás, quando Israel estava sob o domínio do império de Alexandre, o Grande, um líder particular, Antiochus IV, decidiu forçar o ritmo da Helenização, proibindo os judeus de praticarem sua religião e instalando no Templo de Jerusalém uma estátua de Zeus Olimpus.

Isso era demais para suportar, e um grupo de judeus, os Macabeus, lutou por sua liberdade religiosa, colhendo uma vitória impressionante contra o exército mais poderoso do mundo antigo. Depois de três anos, eles reconquistaram Jerusalém, rededicaram o Templo e reacenderam a Menorá com o único pote de óleo imaculado que encontraram entre os destroços.

Foi uma das conquistas militares mais impressionantes do mundo antigo. Foi, como dizemos em nossas orações, uma vitória dos poucos sobre os muitos, dos fracos sobre os fortes. É resumido em uma frase do profeta Zacarias: "Não por poder, nem por força, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor." Os macabeus não tinham poder, nem forças, nem armas, nem números. Mas eles tinham uma porção dupla do espírito judeu que anseia pela liberdade e está preparado para lutar por ela.

Nunca acredite que um punhado de pessoas dedicadas é incapaz de mudar o mundo. Inspirados pela fé, eles podem. Os macabeus fizeram isso então. Assim nós podemos fazer hoje.

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A LUZ DO ESPÍRITO NUNCA MORRE

Há uma pergunta interessante que os comentadores formulam sobre Chanucá. Por oito dias acendemos luzes, e cada noite fazemos a bênção sobre milagres: she-assá nissim la-avotenu. Mas qual foi o milagre da primeira noite? A luz que deveria ter durado um dia durou oito. Mas isso significa que houve algo milagroso nos dias 2 a 8; mas nada milagroso sobre o primeiro dia!

Talvez o milagre tenha sido este, que os Macabeus encontraram um pote de óleo com seu selo intacto, imaculado. Não havia razão para supor que alguma coisa teria sobrevivido à profanação sistemática que os gregos e seus partidários fizeram ao Templo. No entanto, os Macabeus procuraram e encontraram um pote. Por que eles procuraram? Porque tinham fé que, mesmo da pior tragédia, alguma coisa sobreviveria. O milagre da primeira noite foi o da própria fé, a fé de que algo permaneceria para começar de novo.

Assim sempre foi na História Judaica. Houve momentos, em que outras pessoas desistiriam: depois da destruição do Templo, dos massacres das Cruzadas, da Expulsão da Espanha, dos pogroms ou da Shoá. Mas de alguma forma os judeus não se sentaram e choraram. Eles reuniram o que restava, reconstruíram nosso povo e acenderam uma luz como nenhuma outra na história, uma luz que nos diz e ao mundo do poder do espírito humano para superar todas as tragédias e se recusar a aceitar a derrota.

Desde os dias de Moisés e do arbusto que queimava e não era consumido até os dias dos Macabeus e do único pote de óleo, o Judaísmo tem sido o ner tamid da humanidade, a luz eterna que nenhum poder na terra pode extinguir.

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CHANUCÁ EM NOSSO TEMPO

Em 1991, acendi velas de Chanucá com Mikhail Gorbachev, que tinha sido até o ano anterior  presidente da União Soviética. Durante setenta anos, a prática do Judaísmo havia sido efetivamente banida na Rússia comunista. Foi um dos dois grandes ataques ao nosso povo e à nossa fé no século XX. Os alemães procuravam matar judeus; Os russos tentaram matar o Judaísmo. Sob Stalin, o ataque tornou-se brutal. Em 1967, depois da vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias, muitos judeus soviéticos tentaram deixar a Rússia e emigrar para Israel. Não só a permissão era recusada, mas muitas vezes os judeus em questão perdiam seus empregos e eram presos. Em todo o mundo, judeus fizeram campanha para que os prisioneiros, Refuseniks como eram chamados, fossem libertados e autorizados a sair. Finalmente, Mikhail Gorbachev percebeu que todo o sistema soviético era impraticável. O comunismo trouxe, não a liberdade e a igualdade, mas a repressão, um estado policial e uma nova hierarquia de poder. No final, ele desmoronou, e os judeus recuperaram a liberdade de praticar o Judaísmo e ir para Israel.

Naquele dia, em 1991, depois de acendermos velas juntos, o Sr. Gorbachev me perguntou, por meio de seu intérprete, o que acabávamos de fazer. Eu disse a ele que, 22 séculos atrás, em Israel, depois que a prática pública do Judaísmo fora proibida, os judeus lutaram e conquistaram sua liberdade, e aquelas luzes eram o símbolo dessa vitória. E eu continuei: Há setenta anos, os judeus sofreram a mesma perda de liberdade na Rússia, e vocês agora os ajudaram a recuperá-la. Então, você se tornou parte da história de Chanucá. Enquanto o intérprete traduzia essas palavras para o russo, Mikhail Gorbachev corou. A história de Chanucá ainda vive, ainda inspira, falando não apenas para nós, mas para o mundo inteiro, que, embora exista tirania, a liberdade, com a ajuda de D'us, sempre vencerá a batalha final.

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 O PRIMEIRO CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES

Uma das frases-chave de nosso tempo é o choque de civilizações. E Chanucá trata de um dos primeiros grandes choque de civilizações, entre os gregos e os judeus da antiguidade, Atenas e Jerusalém.

Os gregos antigos produziram uma das civilizações mais notáveis de todos os tempos: filósofos como Platão e Aristóteles, historiadores como Heródoto e Tucídides , Dramaturgos como Sófocles e Ésquilo. Eles produziram arte e arquitetura de uma beleza que nunca foi superada. No entanto, no segundo século antes da era comum, eles foram derrotados pelo grupo de combatentes judeus conhecidos como os Macabeus, e daí em diante, a Grécia como uma potência mundial entrou em declínio rápido, enquanto o minúsculo povo judeu sobreviveu a cada exílio e perseguição e ainda hoje estão vivos, passando bem.

Qual foi a diferença? Os gregos, que não acreditavam em um D'us único e amoroso, deram ao mundo o conceito de tragédia. Nós nos esforçamos, lutamos, às vezes alcançamos a grandeza, mas a vida não tem uma finalidade última. O universo nem sabe, nem se preocupa que estamos aqui. Israel antigo deu ao mundo a ideia de esperança. Estamos aqui porque D'us nos criou no amor, e através do amor descobrimos o significado e o propósito da vida. As culturas trágicas eventualmente se desintegram e morrem. Desprovidas de qualquer sentido de propósito final, elas perdem as crenças morais e hábitos dos quais depende a continuidade. Elas sacrificam a felicidade por prazer. Eles vendem o futuro pelo presente. Elas perdem a paixão e energia que lhes trouxe a grandeza no primeiro lugar. Isso é o que aconteceu com a Grécia Antiga. O Judaísmo e sua cultura de esperança sobreviveram, e as luzes de Chanucá são o símbolo dessa sobrevivência, da recusa do Judaísmo de abandonar seus valores pelo glamour e o prestígio de uma cultura secular, no passado ou no presente.

A esperança pode parecer uma coisa pequena, mas dela pode depender a própria sobrevivência de uma civilização.

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A LUZ DA GUERRA E A LUZ DA PAZ

Há uma lei sobre Chanucá que eu acho comovente e profunda. Maimônides escreve que "o mandamento das luzes de Chanucá é muito precioso. Aquele que não tem dinheiro para comprar luzes deve vender alguma coisa, ou, se necessário, tomar emprestado, de modo a ser capaz de cumprir a mitsvá."

Surge então a questão: E se, na tarde de sexta-feira, você se encontra com apenas uma vela? Como você a acende — como uma vela de Shabat ou uma de Chanucá? Não pode ser ambas. A lógica sugere que você deveria acendê-la como uma vela de Chanucá. Afinal, não há nenhuma lei que diga que você tem que vender algo ou pedir emprestado para acender luzes para o Shabat. No entanto, a lei é que, se confrontado com essa escolha, você a acende como uma luz de Shabat. Por quê?

Vejamos o que diz Maimônides: "A luz do Shabat tem prioridade porque simboliza o shalom bayit, a paz doméstica. E grande é a paz, porque toda a Torá foi dada para fazer a paz no mundo."

Considere: Chanucá comemora uma das maiores vitórias militares na história judaica. No entanto, a lei judaica determina que, se só pudermos acender uma vela — a luz do Shabat tem precedência, porque no Judaísmo a maior vitória militar perde o primeiro lugar para a paz no lar.

Por que o Judaísmo foi a única dentre as civilizações do mundo antigo que sobreviveu? Porque valorizava a casa mais do que o campo de batalha, o casamento mais do que a grandeza militar, e as crianças mais do que generais. A paz doméstica importava aos nossos antepassados mais do que a maior vitória militar.

Assim, quando celebramos Chanucá, reserve um pensamento para a vitória real, que não era militar, mas espiritual. Os judeus eram as pessoas que valorizavam o casamento, o lar e a paz entre marido e mulher, acima da mais alta glória no campo de batalha. No Judaísmo, a luz da paz tem precedência sobre a luz da guerra.

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O TERCEIRO MILAGRE

Todos conhecemos os milagres de Chanucá, a vitória militar dos macabeus contra os gregos e o milagre do óleo que deveria ter durado um dia, mas acabou queimando por oito. Mas houve um terceiro milagre que muitas pessoas não conhecem. Aconteceu vários séculos depois.

Após a destruição do segundo Templo, muitos rabinos ficaram convencidos de que Chanucá deveria ser abolida. Afinal, celebrava a rededicação do Templo. E o Templo não existia mais. Tinha sido destruído pelos romanos sob Tito. Sem um Templo, o que restava para celebrar?

O Talmud nos diz que em pelo menos uma cidade, Lod, Chanucá foi abolida. Contudo, afinal, a outra opinião prevaleceu, que é justamente porque nós comemoramos Chanucá hoje em dia.

Por quê? Porque embora o Templo tivesse sido destruído, a esperança judaica não foi destruída. Podíamos ter perdido o prédio, mas ainda tínhamos a história, a memória e a luz. E o que acontecera uma vez nos dias dos Macabeus poderia acontecer novamente. E foram essas palavras, od lo avdá tikvatenu, "nossa esperança não foi destruída", que se tornaram parte do hino, Hatikva, que inspirou judeus a retornar a Israel e reconstruir seu antigo estado. Então, quando você acender as velas de Chanucá, lembre-se disso. O povo judeu manteve a esperança viva e a esperança manteve o povo judeu vivo. Nós somos a voz da esperança na conversa da humanidade.

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DENTRO / FORA

Há mais de um mandamento no Judaísmo para acender luzes. Há três. Há as velas do Shabat. Existe a vela da havdalá. E há as velas de Chanucá.

A diferença entre elas é que as velas de Shabat representam o shalom bayit, paz no lar. Elas são acesas dentro de casa. Elas são, se quiserem, a luz interior do Judaísmo, a luz da santidade do casamento e a consagração do lar.

As velas de Chanucá costumam ser acesas lá fora — fora da porta da frente. Foi apenas o medo da perseguição que levou as velas de Chanucá para dentro e nos últimos tempos o Lubavitcher Rebe introduziu o costume de acender menorás gigantes em lugares públicos para trazer de volta o espírito original do dia.

As velas de Chanucá são a luz que o Judaísmo traz para o Mundo, quando não temos medo de anunciar nossa identidade em público, vivemos de acordo com nossos princípios e lutamos, se necessário, por nossa liberdade.

Quanto à vela da havdalá, que é sempre composta de várias mechas entrelaçadas, representa a fusão das duas, da luz interior do Shabat, unida à luz exterior que produzimos durante os seis dias da semana, quando saímos ao mundo e vivemos nossa fé em público.

Quando vivemos como judeus no espaço particular de nossos lares, enchendo nossas casas com a luz da Shechiná, quando vivemos como judeus em público, trazendo a luz da esperança para os outros, e quando vivemos juntos, então trazemos luz para o mundo.

Sempre houve duas maneiras de viver em um mundo que é muitas vezes escuro e cheio de lágrimas. Podemos amaldiçoar a escuridão ou podemos acender uma luz, e como dizem os Chassidim, uma pequena luz expulsa muita escuridão. Que todos nós ajudemos a iluminar o mundo.

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ACENDER OUTRA LUZ

Há um debate fascinante no Talmud. Você pode pegar uma luz de Chanucá para acender outra? Geralmente, é claro, nós usamos uma luz extra, o shamash, e usamo-lo para acender todas as velas. Mas suponhamos que não tenhamos um shamash. Podemos acender a primeira vela e depois usá-la para acender as outras?

Dois grandes sábios do século III, Rav e Shmuel, discordaram. Rav disse que não. Shmuel disse que sim. Normalmente temos uma regra que quando Rav e Shmuel discordam, a lei segue Rav. Há somente três exceções e esta é uma delas.

Por que Rav disse que você não pode tomar uma vela de Chanucá para acender as outras?

Porque, diz o Talmud, ka mach-chish mitsvá. Você diminui a primeira vela. Inevitavelmente você derramará alguma cera ou óleo. E Rav diz: não façam nada que diminua a luz da primeira vela.

Mas Shmuel discorda, e a lei segue a Shmuel. Por quê?

A melhor maneira de responder é pensar em dois judeus: ambos religiosos, ambos comprometidos, vivendo vidas judaicas. O primeiro diz: Não devo me envolver com judeus que são menos religiosos do que eu, porque se eu assim fizer, meus próprios padrões cairão. Não vou conseguir cumprir tanto quanto cumpro hoje. Minha luz diminuirá. Essa é a visão de Rav.

O outro diz: Não. Quando eu uso a chama de minha fé para acender uma vela na vida de outra pessoa, meu Judaísmo não é diminuído. Ele cresce, porque há agora mais luz judaica no mundo. Quando se trata de bens espirituais em oposição a bens materiais, quanto mais eu compartilho, mais eu tenho. Se eu compartilhar meu conhecimento, ou fé, ou amor com outros, eu não terei menos; Eu posso até ter mais. Essa é a visão de Shmuel, e é assim que a lei foi finalmente decidida.

Portanto, compartilhe seu Judaísmo com os outros. Tome a chama da sua fé e ajude a inflamar outras almas.

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