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Hagadá! A "Bíblia" da Educação

Domingo, 09 Abril, 2017 - 23:05


Hagadá! A "Bíblia" da Educação

Por Dovid Lazerson

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Depois de toda aquela sessão de limpeza, de joelhos e cotovelos ralados, de guardar as coisas em seus devidos lugares – agora fala a verdade, você deve ter encontrado algum bem há muito perdido! Sabe, aquela nota de 100 dólares que ficou "desaparecida em combate" nos últimos oito meses, aquele novo par de óculos atrás da cômoda, o conjunto extra de chaves do carro... algo sempre aparece quando você tem que virar a casa de cabeça para baixo – Pessach está chegando agora!

Estamos prestes a entrar na terra da matsá, raiz forte – a feita em casa é muito melhor! – charosset, e todas as guloseimas deliciosas do seder de Pessach. 

Como professor especialista, sempre me intrigou Pessach e a Hagadá.

A Hagadá, o livro que usamos para contar o Êxodo do Egito e todo o episódio de Pessach, é a "Bíblia" da educação – e, de fato, contém cerca de zilhões de lições sobre como realmente ser um bom professor. Em outras palavras, podemos olhar para a Hagadá e – apenas observando como ela é organizada, como ela funciona – perceber como se estrutura uma boa educação. Como professor especializado por quase trinta anos, sempre me intrigou Pessach e a Hagadá.

Eu tenho o emprego incrível de aplicar um programa de musicoterapia para estudantes com necessidades especiais profundas. Eu vi o poder da música, não apenas ouvindo música (voilà, o "Efeito Mozart"), mas, mais importante, quando as pessoas fazem música! O ato de criar música tem um poder profundo, e este é, na verdade, um tema central da Hagadá. Cantamos muito durante a leitura da Hagadá – com basicamente todos os participantes, de jovens a velhos, em todas as correntes e rótulos (que são ridículos de qualquer maneira). Trechos da Hagadá são recitados num tipo de melodia, que está em algum lugar entre o cantar e o falar.

Outro componente importante da Hagadá é a noção de fazer perguntas e, em seguida, tentar dar explicações. Em vez de apenas dizer algo como fato – ou mesmo como uma mera declaração – a Hagadá define um tom diferente aqui. Somos encorajados a fazer perguntas! O costume é que o mais jovem participante do Seder formule as "Quatro Perguntas", em hebraico ou inglês ou qualquer outra língua que eles compreendam. Eu me lembro, quando era um estudante na escola primária, tivemos uma professora que começava suas aulas fazendo com que nós perguntássemos questões sobre o assunto em foco. O oposto da maioria das salas de aula – onde o professor faz as perguntas e os alunos têm de responder. De fato, uma técnica sólida para se preparar para um teste é reverter os papéis. Digamos que você, o adulto ou pai, está preparando seu filho para um exame. Jogue o jogo de forma diferente. Deixe seu filho fazer-lhe as perguntas e, em seguida, você tem que dar a resposta! Então, você vê, eles começam a brincar de professor e a ouvir suas respostas e oferecer alternativas, explicações, ou simplesmente corrigir você e dar a resposta correta! Em vez de apenas dar uma palestra, a Hagadá é muito mais interativa. Durante toda a noite, as pessoas fazem perguntas e compartilham respostas e explicações.

Outra boa técnica é o uso de siglas para ajudar com a memória

Outra boa técnica é o uso de siglas para ajudar com a memória. Você sabe, aquelas frases engraçadas em que cada primeira letra das palavras se refere a algo. Vamos lá, quantos de nós aprenderam os nomes dos planetas por meio da frase: "Minha vó, traga meu jantar: sopa, uva, nozes e pepinos!". É claro, as primeiras letras das palavras são também as primeiras letras dos nomes dos planetas na ordem: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Hummmmm ... mantemos os pepinos, companheiros? Lembrem a recente controvérsia sobre remover Plutão da categoria de planeta! Nós temos que mudar essa frase para: "Minha vó, traga meu jantar: sopa, uva e nozes!" Adios aos pickles.

Onde estão as letras e frases cativantes na Hagadá? Ah, vocês têm que olhar mais de perto, companheiros! Há o bastão de Moisés que tinha as letras inscritas ao longo do seu lado: D'tsach adash b'achav! Cada letra desta frase é uma das dez pragas que D'us Todo-Poderoso trouxe sobre os antigos egípcios. E sim, há mais frases de pequenas palavras fáceis de lembrar lá companheiros. Façam sua lição de casa!

Então, temos o seguinte até agora: Uso da música — música criativa, companheiros... não apenas ouvir música! Uso de perguntas e discussões interativas. E o uso de siglas – letras sonoras unidas juntas para nos ajudar a lembrar coisas.

Agora passamos a mais guloseimas. Sim, estou falando sobre a visão, cheiros e sabores da Pessach.

Agora se torna mais do que um exercício intelectual ou um tipo de conferência. Agora se torna multi-modal – de uma forma que envolve os sentidos. Já temos os sons de Pessach – todas as canções maravilhosas do seder. Mas agora adentramos em um reino bem mais tangível... Nós mergulhamos a batata ou pedaço de cebola em água salgada e o mastigamos. Nós fazemos sanduíche de matsá, passamos algum charosset (meu favorito absoluto), em seguida, comemos as ervas amargas – ou devo dizer que são elas que nos envolvem?! Então, agora a história ganha vida, pois não apenas falamos sobre a amargura da escravidão no Egito – comemos um pouco dessa amargura e tomamos isso em nossos próprios corpos! Não falamos apenas que a massa não cresce – nós a comemos!

Então, adicione um importante quarto ingrediente aqui pessoal. Uma boa educação tem uma abordagem multi-modal. Envolva os sentidos! A Hagadá nos ensina, de fato, como ensinar!

A história ganha vida, pois não falamos apenas da amargura da escravidão no Egito – nós a comemos!

Outro tema central, e este pode ser, de fato, o maior de todos, é a noção de envolver até mesmo as crianças pequenas! É mencionado em muitos livros sobre a lei e a filosofia judaicas que as crianças devem tirar uma soneca durante o dia antes de Pessach, para que elas possam ficar acordadas e participar durante o seder. Então, vemos que não é uma festividade apenas para adultos inteligentes e intelectuais. Não, a ênfase principal é nas crianças. E assim as crianças fazem as Quatro Perguntas, revezam-se lendo da Hagadá, cantam canções aprendidas na escola. As crianças desempenham um papel vital em toda a história de Pessach!

Então adicione isso à lista. Acho que, até agora, temos cinco ingredientes importantes.

Número 6: Jogos! Diversão! Despertar o interesse das crianças e manter a motivação delas lá em cima. Sim, estamos falando do Afikoman, é claro. As crianças sabem que depois da refeição, elas vão procurar o Afikoman, os pedaços de matsá que você escondeu no início do seder. Toda a atenção é focada sobre as crianças, quando elas saem revirando tudo, e você começa a dizer para os pequenos, "quente" ou "frio"! Eu descobri o segredo do meu avô Shol muito cedo; geralmente o encontrava na sua capa de almofada! Eu também me lembro de encontrar um pedaço sob o seu kipá um ano! E assim, a Hagadá tem um aspecto incorporado de diversão também. As crianças sabem que se elas conseguirem ficar acordadas até depois da refeição, terão essa diversão, e se encontrarem o Afikoman, a matsá escondida, com isso ainda terão algum tipo de prêmio!

Bem amigos, vou deixá-lo com essas seis técnicas. Sim, existem mais, é claro. Há toda a noção de preparar de antemão ... de vestir roupas novas ... de reuniőes de família! É uma festa maravilhosa, incrível!

Desejo a todos um Pessach muito feliz, saudável, inspirador e kosher!

Minha sorte, naturalmente, é que os Sabres provavelmente estarão jogando nos playoffs durante esta festividade.

Bem, de alguma maneira, eles geralmente se saem melhor quando eu não estou assistindo!

POR DOVID LAZERSON

Dr. David Lazerson, carinhosamente conhecido como Dr. Laz, é um educador mundialmente renomado, músico, autor e artista de entretenimento. Ganhou o prêmio Professor do Ano para o estado de NY em 1981 e outra vez para as escolas públicas do condado de Broward, 5º maior distrito escolar da nação, em 2007, e foi um dos selecionados em 2008 para o Hall of Fame dos Professores Nacionais.

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