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O homem que não obteve uma bênção

Quinta-feira, 20 Abril, 2017 - 14:30

 

O homem que não obteve uma bênção

Por Menachem Posner

O empresário estava quase fora do seu juízo. Durante anos, ele ganhara a vida com a pequena concessão que o governo polonês lhe concedera. E agora, sua licença fora repentinamente revogada, e ele não tinha ideia de onde viriam seus próximos zlotys.

Mas para um chassid, nunca está tudo perdido. Com esperança em seu coração, viajou para o grande Rabi Chaim de Sanz, conhecido como um homem de D'us.

Ele falou ao santo homem de seus problemas, esperando uma bênção, ou talvez um conselho de inspiração divina. Mas tudo o que ele obteve foram perguntas. "Qual o seu nome? Qual era o nome do seu pai? Qual era o nome do seu avô?" E assim foi. O rabino perguntou os nomes dos parentes do homem conturbado, e ele obedientemente respondeu.

E com isso, a audiência terminou.

Momentos depois, o chassid encontrou-se fora do gabinete do rabino, saudado pelo grupo de pobres que, em troca de algumas moedas de cobre, abençoavam aqueles que saíam do encontro com grande Rabi, para que as palavras do rabino fossem cumpridas.

"Sinto muito", disse ele aos pretendentes a benzedores, "mas não recebi nenhuma bênção do rabino para vocês confirmarem, e não tenho nada a lhes dar em troca de suas bênçãos".

Eles tentaram de todas as formas persuadir o chassid que o simples fato de ter estado na presença do sábio e tê-lo feito ouvir seus problemas, somente isso certamente já constituía uma bênção, mas ele não queria ouvir nada disso.

Atormentado, o homem foi para o salão de estudos ao lado onde se sentou e chorou. Nesse momento, o rabino Yitzchak, um dos mais proeminentes e respeitados chassidim do Rebe de Sanz, entrou no salão de estudos e perguntou ao homem o que se passava. Depois de ouvir a história de desgraça do homem de negócios, ele também tentou convencê-lo de que o grande Rebe certamente o abençoara, mas o homem insistiu em ter um segundo encontro com o Rebe, esperando uma bênção mais reconfortante.

E assim, Rabi Yitschak entrou no gabinete do Rebe e lhe contou sobre o homem que estava ali fora, sobre sua tristeza e preocupação.

- Deixe-me dizer-lhe o que está acontecendo - disse o Rebe de Sanz. "E por favor, convide o pobre empresário a entrar também. Ele também pode ouvir essa história.

"Aconteceu quando eu era um jovem. Um grupo de mais de 10 dos meus colegas e eu viajamos a pé até a cidade de Lublin para nos aquecermos com a presença do grande Chozê de Lublin. Decidimos entre nós que não pediríamos comida a ninguém. Se pessoas bondosas recebessem viajantes como nós, descansaríamos alegremente os nossos ossos. Se eles nos dessem comida, muito bem. E senão, continuaríamos em frente.

"No domingo, o primeiro dia de nossa viagem, fomos recebidos calorosamente, mas nenhum alimento foi oferecido. Na segunda-feira, aconteceu a mesma coisa. Naquela noite, eu estava me sentindo tão fraco que eu mal podia andar, e meus amigos tinham que esperar constantemente por mim para acompanhar o ritmo deles. E assim continuou toda a terça-feira, o terceiro dia do nosso jejum auto-imposto.

"Na noite de terça-feira, sentindo que não tinha forças, pedi a meus amigos que me permitissem pedir comida, uma vez que eu era mais jovem e fraco do que os outros, mas eles recusaram, dizendo que acordo era acordo.

"Na manhã de quarta-feira, eu estava me arrastando, reunindo minhas últimas energias, quando um homem veio correndo em nossa direção. Vendo o meu estado deplorável, entrou em sua casa e voltou com conhaque e comida para mim, observando que minha alma estava, como ele disse, "pairando na ponta do meu nariz".

Estava agradecido que eu podia comer a comida, uma vez que me tinha sido ofertada sem pedir, e eu a comi com fome e me reavivei. O gentil estranho também ofereceu comida aos meus companheiros igualmente.

"Ele então convidou todos nós para sua casa para descansar nossas pernas exaustas. Nós objetamos, dizendo que queríamos chegar a Lublin antes do Shabat, e ainda tínhamos um dia e meio de caminhada à nossa frente. Ele nos disse que, ainda assim, poderíamos descansar em sua casa e que ele nos levaria a Lublin na sua carroça na manhã de quinta-feira.

Nós passamos a noite na casa do amável homem e então estávamos prontos para a viagem de carroça para Lublin. Para nossa decepção, ele então nos disse que algumas coisas imprevistas tinham ocorrido e que ele não era mais poderia nos levar para Lublin conforme prometido.

"Percebendo que não havia mais tempo para chegarmos antes do Shabat se viajássemos a pé, ficamos muito decepcionados e imploramos ao homem para cumprir sua palavra e nos levar na sua carroça. Depois de muitos argumentos, ele concordou com uma condição: "A partir de agora", o homem nos disse, "sempre que algum de vocês viajar para Lublin, vocês deverão passar ao menos um Shabat em minha casa, seja na ida ou no seu regresso, dando-me o prazer de estender a minha hospitalidade.

"É claro que concordamos, e logo nos encontramos viajando para Lublin a um ritmo constante. Nós chegamos em bom tempo, e apreciamos um Shabat muito prazeroso na companhia do santo Chozê de Lublin.

"A partir de então, sempre que eu viajava para Lublin, sempre me assegurava de passar o Shabat com esse homem que tinha salvado minha vida ".

Os anos se passaram e este homem gentil deixou este mundo. Recentemente sua alma veio até mim e pediu um tikun (retificação) em troca do favor que ele tinha feito por mim.

"E então me diga, Reb Yitschak", disse o sábio de Sanz, dirigindo-se a seu chassid, "eu não devo a ele um favor? Ele salvou minha vida e eu queria fazer o que pudesse. Mas eu só sabia o seu primeiro nome, não o nome de seu pai, e no mundo vindouro, uma pessoa é conhecida por seu nome e pelo nome de seu pai. Então eu orei a D'us, pedindo-lhe que um neto deste homem fosse enviado para mim, para que eu pudesse perguntar-lhe o nome completo do seu antepassado.

Rabi Chaim virou-se para o empresário e continuou: "Este homem está preocupado que sua licença empresarial foi revogada. A verdade é que isso não é nada. A licença foi tirada dele temporariamente para que ele pudesse vir a mim para este propósito. Agora que o nome de seu avô é conhecido, não há necessidade de uma bênção. Ele pode voltar para casa em paz e com confiança."

E assim foi.

Adaptado de Avodat Haavodah (Vayakhel) por Rabi Meshulam Lowy de Tosh

Comentários sobre: O homem que não obteve uma bênção
4/22/2017

Miriam G. escreveu…

BS'D
História emocionante!