As lições do mês de Iyar
Aproveite bem o tempo e as oportunidades
por Rabino Avraham Tsvi Beuthner
Sefirat Haômer: contando os dias
A contagem do Ômer que se inicia na segunda noite de Pessach continua pelo mês de Iyar, adentrando o mês de Sivan até a festa deShavuot.
Além de seus significados mais profundos, esse mandamento nos transmite uma lição fundamental — valorizar os dias e as semanas. Não há nada mais precioso que o tempo, pois um dia, uma hora ou um minuto perdidos não podem ser resgatados.
Em hebraico, vida longa é sinônimo de dias longos. Assim como D-us promete recompensa e bênção, Ele diz “Que teus dias sejam longos”.
Todos os dias são iguais; no entanto o mesmo dia pode ser longo para uma pessoa e curto para outra. Em outras palavras, o que uma conseguiu realizar num dia só, demora uma semana para outra. Assim o dia da primeira pessoa é tão longo quanto uma semana da segunda. Ao contrário, quando um realiza num dia inteiro o que o outro faz numa hora, seu dia se torna muito curto.
Da mesma forma dizemos que o avião “encurtou” a distância entre dois pontos. A quilometragem continua igual, mas ao fazer a viagem de avião em vez de carro, a distância é percorrida mais rapidamente e, por isso, considera “encurtada”. Neste caso, uma dia vale por três ou mais.
Quando falamos de realizações diárias, não se trata de quanto se ganha num dia, mas de quanto se aprende. O estudo traz riqueza e honra verdadeiras, pois não é um fim por si só e sim um meio que conduz a boas ações.
Pêssach Sheni: a segunda chance
No caso da maioria das mitsvot temos a sorte de cumpri-las muitas vezes durante o ano. Se por qualquer motivo não a realizamos numa ocasião, certamente teremos logo uma nova chance de cumpri-la.
No entanto, a mitsvá do cordeiro pascal é uma exceção, pois normalmente era ofertado apenas uma vez por ano, em 14 de Nissan. Para que esta mitsvá não fosse perdida por aqueles que, por alguma razão, não podiam ofertar o cordeiro na data certa, D-us providenciou, graciosamente outra chance exatamente um mês depois, em Pessach Sheni.
Isso nos transmite uma lição profunda. Se a pessoa falhou uma vez deve se lembrar que sempre há uma segunda chance; porém não deve perder esta segunda oportunidade.
Um princípio básico no judaísmo é que nada ocorre por acaso e que tudo na vida possui propósito, significado e desígnio. A vida é como um quebra-cabeças onde cada parte se encaixa em seu lugar apropriado.
Isto não significa que devemos deixar passar as oportunidades que surgem mas lembrar sempre das obrigações. No entanto, se falhamos, não devemos nos desesperar. Devemos tentar novamente, pois sempre há uma segunda chance.
(Traduzido de TalksJ Tales, Ó Mekos L`Inyonei Chinuch, Brooklyn, NY.)
