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Meditação sobre um Abraço

Segunda-feira, 29 Maio, 2017 - 22:38

 

Meditação sobre um Abraço

Casamento no Monte Sinai

Tzvi Freeman

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O Êxodo foi um romance, o Monte Sinai foi um casamento — um casamento dos Filhos de Israel e do D'us que os resgatou do Egito, de um ser criado e seu Criador, da terra e do céu, do corpo e da alma, ser e não-ser.

O casamento é uma história em três partes, cada parte um momento eterno.

Primeiro, os dois devem se apaixonar.

Não um amor racional — não, isso não vai fazer acontecer. Eles devem ser loucos um pelo outro. Obcecados. Eles devem sentir que não podem viver um sem o outro, como se sua própria existência dependesse de sua proximidade um com o outro. Eles devem sentir que eles são verdadeiramente um, mesmo que eles sejam separados.

Mas eles ainda não são um.

Deve haver uma aliança. Uma aliança que exclui todos os outros, que diz "só você e eu existimos neste espaço." Ele diz a ela, "Você é consagrada para mim" — você está separada de todos os outros, distinta e única.

Essa aliança é um entrelaçamento de almas, ligadas pelo amor, e não facilmente desatadas, porque está destinada a durar para sempre. Mas eles ainda não são um.

O amor não é suficiente, pois cada um sente um amor diferente. A aliança não é suficiente, porque eles permanecem dois seres. Eles devem se erguer e entrar em um espaço que pode manter os dois como um só, um espaço no qual não há outro, porque não há outra unidade, há apenas um.

E esse espaço é a chupá. Aqui eles são um.

De agora em diante, a cada momento do resto de suas vidas juntos, eles continuarão a fazer dois em um, em uma constante união de amor, aliança e abraço.

© Yoram Raanan

© Yoram Raanan

Todos Vocês

A chupá do povo judeu foi o Monte Sinai. A chupá para cada um de nós é uma mitsvá. Qualquer mitsvá. Porque cada mitsvá da Torá leva você a um espaço além de todas as coisas, um espaço onde não há outrem, somente o Um.

Cada mitsvá é um abraço, um beijo e uma união de espíritos.

Um abraço, porque como um abraço, lhe agarra por todos os lados, então as mitsvot da Torá abraçam todas as facetas de seu ser. Não apenas seu coração, não apenas sua mente, mas cada membro seu, cada tendão seu, e todos os kishkes[i] dentro de você.

Dê alguns dólares a um veterano desabrigado para que ele possa passar a noite num quarto cálido e decente. Sua mão deu os dólares. Todo o seu ser trabalhou duro para ganhá-los. Você poderia ter comprado outra coisa para si mesmo com esse dinheiro. Então, agora, você inteiro está amarrado nesta mitsvá. A luz divina abraça todo o seu ser.

O mesmo ocorre quando você prepara uma refeição magnífica de Shabat. Quando você transporta solidariamente seus filhos para uma escola judaica. Envolve-se num talit — você inteiro. Amarra as correias do tefillin em seu braço e cabeça. Mastiga sua matsá em Pessach. Sente a fome do Yom Kipur. Mergulhe na alegria de aprender a Torá.

Cada um é uma carícia e um abraço, cada um agarra outra parte de você, até que cada membro de seu corpo e cada faceta de sua vida é presa firmemente em Seu abraço, puxando você para perto em unicidade da cabeça aos pés, envolvendo todo seu ser.

© Yoram Raanan

© Yoram Raanan

Beijo Divino, União Mística

"Que ele me beije com os beijos de sua boca, porque seu amor é melhor que o vinho." Assim começa o Cântico dos Cânticos do Rei Salomão, uma parábola do amor entre nós e nosso D'us.

O que é um beijo? É quando o amor não pode mais ser expresso em palavras de amor — porque não há palavras para esse amor. É quando os lábios já não falam como quando se fala com outro — porque não há outro. E assim, dois lábios se tornam um.

"Quando você lê e fala palavras de Torá", diz o Midrash, "D'us lê e fala cada palavra junto com você." [1] Assim, cada palavra da Torá se torna um beijo. Nossos lábios e os Seus em união.

Elas são Suas palavras, as palavras que Ele fala a Si mesmo, as palavras que falam do que Ele deseja do céu e da terra, de Seu desejo mais profundo.

São as palavras da halachá — do que devemos fazer, de como Seu desejo deve ser expressado neste mundo.

No entanto, elas são nossas palavras, as palavras dadas a nós, em nossas bocas para expandir, explicar e aplicar. E elas permanecem Suas palavras. Porque nelas, nós e Ele somos um em alma e espírito, como duas mentes pensam como um, experimentam como um, desejam como um, naquela união íntima de um beijo.

E há uma união de almas.

Na descoberta da sabedoria de Sua Torá, quando sua mente se torna absorvida em uma forma divina de pensar, e no foco sincero daquela oração, nas lágrimas que escorrem pelo seu rosto quando você retorna a Ele, na alegria de uma mitsvá que explode em canto espontâneo, lá sua alma chama à Alma de Toda a Vida, e os dois são reunidos para fundir como um em perfeita união.

© Yoram Raanan

© Yoram Raanan

Nós Somos d'Ele, Ele É Nosso

É por isso que um judeu não apenas faz uma mitsvá. Um judeu diz: "Bendito és tu, D'us, nosso D'us, Majestade do Universo, que nos santificou com Suas mitsvot ..."

Assim como um homem diz à sua amada sob a chupá: "Eis, que você se consagra para mim ... com este anel ..."

O rabino Schneur Zalman saiu de seu escritório e ouviu sua esposa ensinando outras mulheres. Ele ouviu três palavras. Ela disse: "O meu diz..." — referindo-se a ele, seu marido, que se tornou seu por casamento.

Ele se apoiou contra o batente da porta em um profundo transe, dizendo: "Com uma mitsvá, eu me tornei dela. Com quantas mitsvots, me tornei Seu!"

No Monte Sinai, nos tornamos Seus, e Ele tornou-Se nosso.

Fontes



[i] NT Prato da culinária askenazi: intestino de boi recheado com farinha de trigo, cebola, temperos e gordura, servido geralmente com o tcholent no shabat de dia.



[1]Tanya, Capítulos 45 e 46. Ver também Likutei Torah, Shir HaShirim 1d.

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